Bancos Centrais e o Controle da Inflação
Os bancos centrais podem precisar impor sacrifícios econômicos ainda mais significativos para gerenciar a inflação, que está sendo impulsionada por uma guerra prolongada no Oriente Médio. Esta afirmação foi feita nesta terça-feira pelo economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Pierre-Olivier Gourinchas.
Impactos da Guerra na Economia
Gourinchas destacou que a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 fez com que os preços do petróleo ultrapassassem a marca de US$ 100 por barril. Isso ocorreu em um contexto de uma economia já superaquecida após a pandemia de Covid-19, onde pequenas elevações nas taxas de juros resultaram em um impacto relevante na demanda.
Além disso, com a atual folga econômica, caracterizada por um mercado de trabalho mais fraco e pela ampla oferta de bens e serviços, poderá ser necessário aplicar medidas muito mais rigorosas, especialmente se as expectativas de inflação se desestabilizarem.
Consequências de uma Política Monetária Rigorosa
Em uma análise feita durante as reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, realizadas em Washington, o economista enfatizou que "pisar no freio será doloroso" no atual cenário. Ele afirmou que "talvez seja necessário infligir muito mais dor para se alcançar o mesmo nível de desinflação."
No entanto, ainda não está claro o quanto os bancos centrais precisarão se empenhar para enfrentar os efeitos do aumento nos preços de commodities, como petróleo e gás, especialmente devido à incerteza em torno do desdobramento do conflito.
Previsões do FMI sobre Crescimento Global
Nesta terça-feira, o FMI revisou sua expectativa de crescimento global para o ano de 2026, reduzindo-a para 3,1%, uma queda de 0,2 ponto percentual em relação à previsão de janeiro. Essa alteração foi feita com base na suposição de que a guerra será breve e que o preço médio do petróleo se manterá em torno de US$ 82 por barril ao longo deste ano.
No entanto, o cenário “adverso” considerado pela instituição, que especula um conflito mais prolongado e preços médios do petróleo de US$ 100, prevê uma desaceleração do crescimento para 2,5%.
Cenário Severos e Expectativas de Inflação
O “cenário severo” do FMI considera um prolongamento do conflito e preços médios do petróleo em torno de US$ 110 em 2026 e US$ 125 em 2027. Neste caso, o crescimento cairia para 2,0% neste ano, um número que o FMI classifica como o limiar de uma recessão global.
As preocupações centrais em um contexto como esse incluem a possibilidade de que as expectativas de inflação se desalinhem. Gourinchas ressaltou que o choque inflacionário de 2022 deixou a população hipersensível em relação aos preços. Isso pode levar as empresas a aumentarem os preços de forma mais fácil, enquanto os trabalhadores buscam salários maiores com mais agilidade.
Ao discutir as implicações futuras, ele afirmou que "quando chegarmos a esse mundo, as pessoas vão olhar para isso e dizer: a inflação chegou e veio para ficar."
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


