Há uma despesa oculta nas compras em dólar; conheça os cartões que a evitam.

Há uma despesa oculta nas compras em dólar; conheça os cartões que a evitam.

by Rafael Martins
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Spread Cambial e Cartões de Crédito Internacional

A taxa de spread cambial é um adicional que as instituições financeiras aplicam sobre a cotação de referência da moeda estrangeira no mercado. Esse spread resulta em um custo maior para o consumidor, que não paga a cotação oficial do dólar, mas sim um valor significativamente mais elevado. Rafaela de Sá, planejadora financeira certificada pela Planejar, explica que o spread atua como uma margem para remunerar o emissor do cartão e cobrir custos operacionais, além dos riscos cambiais. Isso significa que o consumidor praticamente nunca paga a cotação que é veiculada nas notícias.

Esse custo se torna um dos principais fatores que diferenciam os cartões de crédito disponíveis no mercado. Oito spread mais elevado resulta em uma fatura final maior, e mesmo pequenas variações percentuais podem ter um impacto considerável durante uma viagem ou em compras frequentes no exterior. Algumas instituições, como bancos tradicionais, como Santander e BTG Pactual, podem ter spreads de até 6% em seus cartões. Por outro lado, fintechs como PicPay e Nubank aplicam taxas menores, de 5% e 3,5%, respectivamente, no cartão Ultravioleta.

Leonardo Bernini, gerente geral do DolarApp, enfatiza a importância de analisar o Custo Efetivo Total (CET) relacionado às operações de câmbio. Esse CET inclui o spread, taxas adicionais e impostos, e o consumidor deve buscar instituições que informem esse custo de maneira clara. Bernini alerta que, embora algumas instituições prometam devolver o IOF aplicado nas transações, podem cobrar spreads que correspondem a ou superam o próprio imposto, tornando a economia ilusória.

Cartões Internacionais com Custos Menores

E-Investidor fez uma seleção de opções de cartões de crédito internacionais que se destacam por oferecer spreads zerados ou reduzidos. Também foram feitas comparações com alternativas de contas globais.

Cartões com Spread Zerado das Cooperativas

As cooperativas de crédito costumam apresentar isenção do spread em seus cartões. Exemplos incluem Cresol, Sicoob e Unicred. A única exceção é o Sicredi, que adota uma taxa de 1%. Essas instituições aplicam o IOF de 3,5% em operações com cartão, sem possibilidade de devolução do imposto.

No Sicoob, existem opções que vão desde o cartão clássico, que concede 1 ponto por dólar, até o modelo Zenith, que oferece até 4 pontos por dólar. As anuidades diferem conforme a cooperativa. A Unicred disponibiliza o Classic, com anuidade variável e 1 ponto por dólar em compras nacionais e internacionais, além do Unicred Privilege, voltado para clientela de alta renda, cuja anuidade pode atingir até R$ 18 mil.

O Sicredi, por sua vez, oferece uma gama que inclui o Sicredi Internacional, que não tem pontuação e possui anuidade variável, até versões mais sofisticadas, como o Sicredi Black da Mastercard, que oferece de 2,5 pontos por dólar, e o Sicredi Infinite da Visa, que concede 3 pontos por dólar.

DolarApp: Conta Global com Custo de Conversão de 0,5%

O DolarApp, que foi introduzido no Brasil no início de 2025, oferece uma conta global e um cartão internacional que possibilitam a conversão de reais em dólares e euros com um custo total de 0,5%, englobando spread e impostos.

Além de suas operações no Brasil, a fintech já atua em outros países da América Latina, como México, Argentina e Colômbia. O cartão oferecido é da bandeira Mastercard e está disponível gratuitamente em sua versão virtual. Para obter a versão física, é necessário um pagamento único de US$ 3 (aproximadamente R$ 15,60), e não há anuidade a ser paga.

Existem ainda formas de conseguir o cartão físico sem custo: mantendo um saldo superior a US$ 100 no aplicativo, ou contratando a conta Premium, que tem uma taxa mensal de US$ 6,99 (cerca de R$ 36,50). Com essa assinatura, o cliente recebe 1% de cashback em compras realizadas.

Além de disponibilizar a conta global e o cartão, o DolarApp também possibilita investimentos em ações e ETFs (fundos de índice) no mercado dos Estados Unidos.

Karta: Opção para o Público de Alta Renda

O Karta Visa Infinite, da fintech Karta, é um cartão americano destinado a brasileiros de alta renda, que não cobra IOF. A instituição aplica um spread de 0,69%, que pode ser isentado caso o cliente utilize uma conta bancária nos Estados Unidos. A anuidade para esse cartão é de US$ 300 (cerca de R$ 1.565 por ano), e ele oferece 1 ponto por dólar gasto.

Os benefícios incluem a opção de parcelar tanto o pagamento de uma única compra quanto o valor total da fatura em parcelas que podem variar de três a nove vezes, com taxas de juros que vão de 5% a 15% para cada um desses períodos. Além disso, o cartão fornece serviços de concierge 24 horas, acesso a salas VIP por meio do programa Priority Pass, seguro global para aluguel de carros, e assistência em caso de acidente e de atraso de bagagem durante viagens.

Mercado Pago e Inter: Fintechs com Spread Zerado

Desde maio de 2025, com as modificações no IOF, o Mercado Pago eliminou o spread de seu cartão internacional. Esse produto não cobra anuidade, permite o parcelamento em até 18 vezes sem juros no Mercado Livre e oferece cashback de até 3% em Meli Dólar, uma criptomoeda emitida pelo Mercado Livre, além de até 10% em compras realizadas com parceiros, como 99, McDonald’s e Postos Petrobras.

O Inter é responsável pelo cartão em dólar denominado Inter Global Account, que também possui spread zerado. O cartão é isento do IOF, uma vez que é emitido no exterior, e igualmente não cobra anuidade. Para o segmento Prime, destinado a clientes com investimentos a partir de R$ 150 mil no banco, a cada dólar gasto é concedido 1 ponto, enquanto o segmento Win, que atende clientes com investimentos acima de R$ 1 milhão, oferece 2 pontos por dólar.

Como Escolher um Cartão Internacional?

Além do spread cambial, Andréia Ribeiro da Luz, professora da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), menciona que os consumidores devem prestar atenção a outros pontos relevantes:

  • Anuidade e tarifas administrativas: Alguns cartões podem oferecer spreads menores, mas compensam isso com anuidades mais elevadas;
  • Benefícios agregados: Programas de pontos, seguros e cashback podem mitigar custos mais altos;
  • Cotação utilizada e data de conversão: Alguns emissores utilizam a cotação do dia da compra, enquanto outros aplicam a cotação do fechamento da fatura;
  • IOF: Mesmo sendo um imposto definido pelo governo, determinadas instituições oferecem devolução do imposto cobrado;
  • Encargos por atraso ou parcelamento da fatura: Os juros podem ser consideravelmente mais altos em operações realizadas internacionalmente.

De acordo com Luz, o ideal é analisar o custo total de forma abrangente, em vez de considerar apenas um dos fatores de maneira isolada. A professora ainda observa que, em algumas ocasiões, o spread cambial pode apresentar variações dentro da mesma instituição financeira. “Embora muitas vezes seja considerado um percentual fixo, ele pode oscilar conforme o perfil do cliente, a instituição e as características do produto contratado”, conclui.

Fonte: einvestidor.estadao.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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