Habitação popular sustenta construtoras no 1T26, diz JP Morgan
As construtoras que estão listadas na bolsa de valores começaram o ano de 2026 com um cenário ainda positivo em relação à rentabilidade. No entanto, o cenário apresenta sinais de perda de vigor nas atividades operacionais, conforme análise realizada pelo JP Morgan.
Segundo o relatório divulgado pelo banco americano, o principal destaque dentro do setor continua sendo o segmento de baixa renda, que mostra um crescimento significativo e maior previsibilidade em comparação ao médio e alto padrão.
Crescimento das receitas
De acordo com a instituição financeira, as receitas das empresas que atuam no nicho econômico aumentaram entre 21% e 43% no primeiro trimestre de 2026 ao considerar a comparação com o mesmo período do ano anterior. As margens brutas permaneceram próximas de máximas históricas, variando entre 27% e 41%.
O lucro também apresentou crescimento na maioria das incorporadoras, sustentado pela demanda que continua resiliente, aumentos de preços que estão indexados ao INCC (Índice Nacional de Custo da Construção) e ganhos de eficiência operacional.
Os destaques do 1T26, na visão do JP Morgan
Entre os principais destaques do primeiro trimestre, o relatório menciona Tenda (TEND3) e Cury (CURY3) no segmento de habitação popular. A Tenda foi classificada como um dos nomes mais fortes na baixa renda, com uma melhoria consistente nos resultados, avanço nas margens e geração robusta de caixa.
Durante os meses de janeiro a março, a Tenda reportou um lucro líquido consolidado de R$ 183,4 milhões, um valor que superou em mais de duas vezes o resultado positivo do ano anterior e ficou acima da expectativa do mercado, que era de R$ 130 milhões.
O JP Morgan ainda ressalta a abordagem conservadora da construtora em relação à inflação e o nível de estoque concluído, que se aproxima de apenas 1% das vendas realizadas nos últimos 12 meses.
A Cury, por sua vez, segundo a análise do JP Morgan, mantém-se como uma referência operacional dentro do nicho econômico, apresentando não apenas crescimento do lucro, mas também um ritmo elevado de vendas e margens sustentadas em patamares altos.
A companhia registrou uma variação anual de receita e lucro líquido de 33% e 42%, respectivamente, consagrando-se como uma das empresas com maior velocidade na comercialização de imóveis.
Baixa renda: outras companhias
A Direcional (DIRR3) também é mencionada no relatório como um dos destaques dentro da categoria de baixa renda, beneficiada por uma estrutura de custos eficiente e uma alavancagem controlada.
A construtora, que possui também uma presença no médio padrão através da marca Riva, reportou um crescimento anual de 30% tanto em receita quanto em lucro líquido no primeiro trimestre de 2026.
Por outro lado, o banco indicou que a Plano&Plano (PLPL3) apresentou um desempenho mais pressionado, com uma queda de 39% em seu lucro líquido em comparação ao primeiro trimestre de 2025.
Médio e alto padrão
No segmento de renda média e alta, o cenário durante o primeiro trimestre foi mais diverso. O JP Morgan observou que, em alguns casos, houve um avanço significativo no lucro, enquanto em outros, foram registradas quedas expressivas, refletindo uma sensibilidade maior deste grupo em relação ao ambiente de juros elevados.
Na avaliação da instituição, a Moura Dubeux (MDNE3) foi a companhia que apresentou o maior crescimento do lucro líquido entre as analisadas, com um aumento de 121% na comparação anual e uma expansão de 6,3 pontos percentuais na margem bruta.
Em contraste, a Helbor (HBOR3) reportou uma queda de 75% em seu lucro líquido, destacando a assimetria no desempenho das empresas dentro do segmento.
Desafios no horizonte
O JP Morgan também enfatiza que as construtoras e incorporadoras estão monitorando fatores que podem impactar seus resultados nos meses seguintes. Entre esses fatores estão:
- Inflação de custos: As projeções para o INCC em 2026 foram elevadas para uma faixa entre 7% e 9%, impulsionadas pela alta do petróleo devido a conflitos no Irã;
- Mão de obra: A escassez de trabalhadores e a baixa produtividade foram apontadas como preocupações principais por diversas empresas do setor, incluindo Cyrela, Lavvi e Moura Dubeux.
No que diz respeito à baixa renda, as empresas indicaram que a inflação projetada para 2026 é inferior àquela que está sendo observada na prática, além de contarem com mecanismos de proteção através de contratos corrigidos e reajustes de preços.
O banco acrescentou que “as companhias afirmaram que a inflação atual é consideravelmente menos severa do que a registrada durante o período da pandemia, quando o INCC chegou a 20%. A escassez de mão de obra, no entanto, continua a ser uma preocupação constante”.
Campo operacional
O relatório ainda aponta sinais de desaceleração operacional como um dos pontos relevantes. De acordo com a análise, tanto os lançamentos quanto as vendas perderam vigor quando observados em uma base de 12 meses em ambos os segmentos.
O volume de lançamentos se manteve praticamente estável em R$ 14 bilhões, com uma alta de apenas 1% na comparação anual. A velocidade de vendas (VSO) agregada também permaneceu estável em 19,4%.
Por fim, o JP Morgan informa que a alavancagem do setor continua em “níveis administráveis”, com uma média próxima de 29% sobre o patrimônio, contrasta com 26% no primeiro trimestre de 2025 e 32% no quarto trimestre de 2025.
Embora o banco tenha destacado um aumento leve em relação ao ano anterior, não existem indícios de deterioração significativa nas demonstrações financeiras das empresas.
Fonte: www.moneytimes.com.br