Haddad afirma: Discussão sobre os parâmetros do arcabouço é inevitável

Arcabouço Fiscal e Ajustes

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou na quinta-feira (18) que a estrutura do arcabouço fiscal deve permanecer inalterada, embora os parâmetros dessa regra possam ser ajustados ao longo do tempo, de acordo com a evolução das contas públicas e as escolhas administrativas de cada governo.

“A arquitetura do arcabouço fiscal é uma arquitetura que eu manteria. O que você pode discutir são os parâmetros do arcabouço. Você pode apertar mais, apertar menos. […] Discutir os parâmetros à luz da evolução fiscal é algo que, na minha opinião, vai acontecer”, ressaltou o ministro.

Possíveis Modificações

Conforme o ministro, as alterações podem incluir a redução da parcela do crescimento da receita que pode ser convertida em despesa, que atualmente está fixada em 70%, para 60%, ou, alternativamente, elevá-la para 80%. Além disso, é possível que se altere o limite máximo de expansão real das despesas, que atualmente é de 2,5% ao ano, para 2% ou 3%, sem, no entanto, desconsiderar a estrutura da regra fiscal.

Haddad também afirmou que eventuais modificações podem ser implementadas por governos com orientações políticas distintas, assegurando que isso não signifique o abandono da regra.

“Um governo eleito, eventualmente mais à direita, pode optar por restringir mais os parâmetros para acelerar a convergência. Outro pode decidir manter os parâmetros vigentes. Isso é parte do processo democrático. Contudo, não vejo razão para alterar a arquitetura do arcabouço; eu não escolheria outro caminho”, enfatizou.

O ministro também destacou que a norma fiscal atual foi elaborada com base na análise de dezenas de países e recebeu apoio quando foi apresentada, ainda que de forma cautelosa.

“Vários países foram estudados para a formulação do arcabouço fiscal. Quando foi divulgado, recebeu apoio condicional de diversos setores. Naturalmente, três anos após sua implementação, é compreensível que se discuta sua durabilidade, mas a arquitetura é de boa qualidade”, defendeu.

Taxa de Juros e Credibilidade

O ministro também contestou a opinião de que o atual nível elevado das taxas de juros é uma consequência direta do arcabouço fiscal.

De acordo com Haddad, essa situação está mais relacionada a um processo de desancoragem das expectativas que ocorreu no ano anterior, em meio a ruídos no debate público.

“Não acredito que a taxa de juros tenha atingido esse patamar por causa da questão fiscal. Acredito que a desancoragem do ano passado foi bastante severa. O debate público sobre o projeto do Imposto de Renda foi uma das questões mais prejudiciais, pois gerou a percepção de que não haveria compensação”, argumentou.

O ministro disse ainda que, nesse contexto, o choque nas taxas de juros foi uma resposta à perda de credibilidade, e que havia poucas alternativas disponíveis.

“Durante um certo período, as pessoas não viam a viabilidade das propostas, e isso desancorou as expectativas. Assim que a crença na viabilidade foi restabelecida, as condições começaram a voltar à normalidade. Mas, nesse momento de choque, as opções eram limitadas”, explicou.

Haddad lembrou que a atual gestão da política econômica recebeu a taxa básica em um nível elevado.

“Recebemos a taxa de juros em 13,75%. Isso deixa claro que o problema não é recente. A credibilidade é um processo acumulativo”, afirmou.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

Related posts

Acordo Mercosul-UE: Papel Fundamental de Lula, Afirma Presidente do Paraguai

Demissão de Luciana Gimenez revela a crise da TV aberta – Times Brasil

“Von der Leyen afirma: Escolhemos comércio ao invés de tarifas no acordo Mercosul-UE”

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais