Pressão sobre Haddad
O atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, enfrenta crescente pressão para aceitar a candidatura do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de São Paulo. Esta situação se intensificou na quinta-feira, dia 26, quando surgiram notícias informando que ele já teria concordado com o “pedido” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, ao final do dia, antes de um jantar com Lula, Haddad desmentiu que uma decisão tivesse sido tomada a esse respeito.
“Em primeiro lugar, eu não tive nenhuma reunião na Índia e na Coreia com o presidente da República sobre esse tema. Não discutimos São Paulo durante os oito dias de viagem, nem a bordo do avião, nem nas visitas. Não houve nenhuma conversa”, declarou Haddad na noite de quinta-feira.
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No decorrer da tarde, informações recorrentes de fontes próximas ao ministro indicavam que Haddad havia concordado em assumir a missão de Lula na disputa contra a reeleição de Tarcísio de Freitas, do partido Republicanos.
Embora Haddad tenha afirmado anteriormente que não participaria das eleições deste ano, ele comunicou a aliados que agora será candidato ao governo de São Paulo, afirmando que nunca poderia recusar um pedido do presidente Lula. O suposto “sim” teria sido estabelecido durante a recente viagem do governo à Índia e Coreia do Sul.
Atualmente, Haddad é visto como um potencial sucessor de Lula no PT, com expectativas alicerçadas para o ano de 2030.
Palanques lulistas
Além do jantar com Haddad, Lula programou mais uma reunião com o senador Rodrigo Pacheco, do PSD de Minas Gerais, com a intenção de finalizar detalhes da candidatura ao governo de Minas Gerais. Esse arranjo é estratégico, já que tem como objetivo estruturar os palanques eleitorais nos dois maiores colégios eleitorais do Brasil: São Paulo e Minas Gerais. Segundo informações, o vice na chapa de Lula para um novo mandato no Palácio do Planalto deverá continuar sendo Geraldo Alckmin, do PSB.
A ascensão do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, como desafiante de Lula nas pesquisas de intenção de voto, surpreendeu o governo federal. Há um consenso na administração de que foi um erro permitir que Flávio operasse sem um ataque direto, além de não expor os escândalos que o cercam, incluindo o controverso caso da “rachadinha”.
A presidência do PT também analisa que a candidatura do governador de São Paulo à reeleição, Tarcísio de Freitas, se encontra em um momento complexo, após desavenças entre ele e o secretário de Governo, Gilberto Kassab. Este cenário sugere que agora é um momento apropriado para Haddad iniciar suas articulações políticas e planejar discretamente sua pré-campanha.
Chapa sendo definida
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deverá deixar a Rede e se filiar ao PT, com a intenção de ser candidata ao Senado. A segunda vaga para a chapa, no entanto, ainda está sendo discutida.
Uma das opções consideradas é que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, do MDB de Mato Grosso do Sul, dispute uma vaga ao Senado por São Paulo. No entanto, para isso, ela precisará se desfiliar do MDB, uma vez que o partido apoia a candidatura de Tarcísio, e também mudar seu domicílio eleitoral para São Paulo. Tebet já recebeu um convite para se juntar ao PSB, mas ainda não tomou uma decisão final.
No decorrer de conversas reservadas com Haddad durante a recente viagem à Índia, Lula expressou a necessidade de Haddad em São Paulo, pois necessita de um forte palanque no maior colégio eleitoral do país.
No pleito de 2022, Lula foi derrotado na corrida pelo Palácio dos Bandeirantes para Tarcísio, mas, conforme cálculos frequentemente citados pelo PT, Lula obteve a vitória sobre Jair Bolsonaro, na mesma eleição, devido ao número de votos que recebeu na capital paulista. Esse crédito eleitoral é amplamente associado a Haddad.
No início da semana, lideranças do PT se reuniram em São Paulo e concordaram que Haddad necessita dar uma resposta ao partido até o dia 10 de março. Contudo, nos bastidores, sua candidatura a governador de São Paulo era considerada quase certa.
Lula também mencionou a interlocutores, durante a viagem à Índia, que contava com Rodrigo Pacheco para sua participação na corrida ao governo de Minas Gerais, afirmando que tudo estava avançando conforme o planejado com o senador.
Com informações do Estadão Conteúdo e Reuters
Fonte: www.moneytimes.com.br

