Avanços da Inteligência Artificial e a Proposta de Mudança na Jornada de Trabalho no Brasil
O desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA) começou a ser um ponto central nas discussões sobre a possível substituição do modelo de jornada 6×1 no Brasil. Enquanto o Congresso Nacional delibera sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que sugere a implementação do novo modelo 5×2, que comportaria uma carga horária semanal de 40 horas e a expectativa de início em 2026, empresários e especialistas já estão avaliando os impactos financeiros dessa alteração sobre o funcionamento das empresas. Nesse contexto, as análises sobre como a automação pode acelerar a mudança de funções repetitivas e administrativas por sistemas inteligentes, especialmente aquelas feitas diante de um computador, estão em ascensão.
A Transformação Impulsionada pela Tecnologia
Fabio Junges, CEO da Sou, argumenta que o mundo está vivenciando uma transformação que se assemelha às grandes revoluções industriais do passado. Segundo Junges, a diferença neste momento é que a tecnologia não apenas substitui o trabalho físico, mas começa a impactar também atividades de caráter cognitivo. “Atualmente, estamos testemunhando uma transição para uma tecnologia com a capacidade de ler, interpretar, produzir, desenhar, calcular, analisar e programar, funções que eram tradicionalmente realizadas por seres humanos”, ressaltou. Ele acredita que praticamente qualquer tarefa executada hoje por um profissional em frente a uma tela pode, em alguma medida, ser automatizada por meio da inteligência artificial nos próximos anos.
Expectativas sobre Empregos e Adaptabilidade do Mercado
Apesar do aumento das preocupações em relação à substituição de empregos em decorrência da inovação tecnológica, Junges defende que o mercado deve se adaptar a essas mudanças, em vez de provocar um desemprego em massa. Conforme sua análise, as novas tecnologias historicamente eliminaram certas funções, mas, ao mesmo tempo, também têm a capacidade de criar novas oportunidades de trabalho e melhorar a produtividade econômica. “A discussão neste momento de transição não se trata apenas da substituição de humanos por inteligências artificiais, mas de como as pessoas podem aumentar suas capacidades com o uso da IA”, enfatizou. Na perspectiva de Junges, o Brasil está alinhado com o ritmo global de adoção dessa tecnologia e enfrentará, nos próximos anos, uma reorganização significativa nas relações de trabalho.
Fonte: veja.abril.com.br