Desempenho do Ibovespa
O Ibovespa (IBOV) apresentou uma queda próxima a 1% durante a maior parte do pregão, acompanhando a tendência do mercado externo, e fechou no negativo em um dia marcado por uma importante decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) e declarações do presidente da instituição, Kevin Warsh.
Nesta quarta-feira, 29, o principal índice da bolsa brasileira finalizou as operações com um recuo de 1,52%, atingindo 173.885,34 pontos.
O dólar à vista também encerrou as negociações em queda, com cotação de R$ 5,1084, representando uma desvalorização de 0,27%.
Acompanhamento das Decisões do Federal Reserve
Os investidores locais observaram atentamente a decisão de política monetária nos Estados Unidos, onde o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) do Federal Reserve decidiu manter a taxa de juros inalterada, em um intervalo de 3,50% a 3,75%. Contudo, três votos dissidentes foram registrados, o que representa o maior número desde 2016.
Os votos contrários à decisão foram de Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan, que preferiam um aumento de 0,25 ponto percentual na taxa-alvo dos fundos federais neste encontro.
Após a coletiva de imprensa que seguiu a decisão, o presidente do Fed, Kevin Warsh, minimizou a dissidência ao afirmar: “Eu pedi uma boa briga de família e foi exatamente isso que aconteceu”. Ele enfatizou que a existência de opiniões divergentes faz parte do processo institucional do banco central e emriquece a qualidade das decisões tomadas.
No contexto americano, o Treasury de 30 anos continuou operando em alta após a decisão, sugerindo a percepção do mercado de que o Fed pode estar tardando na abordagem contra a inflação, uma vez que a taxa de juros foi mantida.
Warsh complementou: “Quero enfatizar, é claro, que as decisões deste comitê são muito importantes e, quando necessário e apropriado, não hesitaremos em agir”.
De acordo com Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora, o mercado ainda acredita na possibilidade de um aumento de 0,25 ponto percentual na reunião do Fed agendada para setembro, enquanto o consenso aponta para uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic. “Se isso acontecer, é negativo para a nossa bolsa”, conclui Mollo.
Altas e Quedas do Ibovespa
Em uma jornada de fraqueza para o Ibovespa, o Índice Financeiro (IFNC) também apresentou um declínio de 2,06%. O Itaú (ITUB4), que detém 8% de participação no índice, registrou uma perda de 2,43%, cotado a R$ 41,82.
O desempenho da Vale (VALE3), que representa 11% do índice, foi de queda de 0,85%, encerrando a R$ 75,05, refletindo a tendência do minério de ferro. O contrato mais líquido da commodity para setembro teve uma desvalorização de 0,27%, sendo negociado a 739 yuans (US$ 109,13) a tonelada na bolsa de Dalian, na China.
Por outro lado, a Petrobras (PETR4;PETR3) seguiu a alta do petróleo: o contrato mais líquido do petróleo Brent, referência internacional, para outubro finalizou com uma alta de 7,32%, atingindo US$ 88,09 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), localizada em Londres. As ações PETR3 e PETR4 subiram 2,35% (R$ 47,51) e 1,92% (R$ 42,00), respectivamente, refletindo esse movimento.
O desempenho operacional da companhia no segundo trimestre do ano reforça a expectativa por um balanço sólido e aumenta as chances de uma distribuição robusta de dividendos, conforme apontam analistas.
Para o Citi, a Petrobras apresentou um trimestre “robusto”, com recordes na produção de petróleo e gás, além de no refino. A instituição estima que a combinação de maior produção, aumento das exportações, preços médios mais altos do Brent e custos de extração potencialmente menores devem resultar em um desempenho financeiro mais forte.
O CMDB11, ETF do BTG Pactual, que contém uma cesta de ações ligadas a commodities na B3, teve um ganho de 0,49%.
É importante observar que os bancos, junto à Vale e à Petrobras, representam 50% da carteira teórica do Ibovespa.
A maior queda do índice foi liderada pela CSN (CSNA3), que recuou 7,80%, encerrando a R$ 5,20.
Na sequência, o Santander (SANB11) caiu 7,37%, cotado a R$ 25,63, após a divulgação de um resultado fraco do segundo trimestre de 2026. O Itaú classificou esse resultado como negativo para as ações, reiterando a recomendação de desempenho de mercado.
Por outro lado, a ponta positiva foi liderada por Prio (PRIO3), que teve uma alta de 2,89%, cotada a R$ 58,41, em linha com o avanço do preço do petróleo.
Impacto do Mercado Externo
Os índices de Wall Street registraram uma acentuada queda após a decisão do Fed em manter os juros inalterados, com os investidores avaliando a capacidade do Banco Central em controlar a inflação.
O Dow Jones caiu 1.100 pontos, marcando a pior queda desde abril do ano anterior.
Os balanços corporativos continuam sendo um foco de atenção, com expectativa pelos resultados do segundo trimestre de empresas como Meta Platforms e Microsoft, que divulgarão seus números após o fechamento regular dos mercados.
Fechamento dos Índices Externos
- Dow Jones: -2,19%, aos 51.594,14 pontos;
- S&P 500: -1,52%, aos 7.316,21 pontos;
- Nasdaq: -1,74%, aos 24.442,94 pontos.
Na Europa, os índices apresentaram um fechamento em sua maioria em baixa, em expectativa da decisão do Fed. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as operações com uma queda de 0,29%, cotado a 645,01 pontos.
Na Ásia, os índices mostraram desempenho misto: o índice Nikkei, do Japão, caiu 1,49%, finalizando a 61.434,19 pontos, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve uma alta de 1,96%, encerrando a 25.807,92 pontos.
Fonte: www.moneytimes.com.br