Ibovespa cai drasticamente devido à crise política, dólar ultrapassa R$ 5 e tensões fiscais preocupam o mercado.

Queda do Ibovespa

O Ibovespa encerrou a quarta-feira, 13 de maio, com uma significativa queda de 1,80%, alcançando 177.098 pontos. Essa desvalorização foi impulsionada, em grande parte, pelo aumento da aversão ao risco político interno, após uma reportagem que envolveu o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Ao longo da sessão, o clima de cautela se intensificou, afetando praticamente todos os setores da bolsa de valores brasileira. O contrato futuro de dólar também rompeu a barreira de R$5,00, subindo 2,40%, com cotação a R$5,033.

O volume financeiro do pregão atingiu expressivos R$29,1 bilhões, valor superior à média móvel dos últimos 50 dias, indicando uma saída relevante de fluxo e aumento da proteção dos investidores. No mercado futuro, o contrato de Ibovespa também acompanhou a tendência negativa, refletindo o aumento da volatilidade local, mesmo diante de um cenário externo que se mostrava relativamente mais favorável para as ações de tecnologia nos Estados Unidos.

Cenário Político e Fiscal

Os mercados locais experimentaram, na quarta-feira, uma forte deterioração do sentimento político e fiscal. Esse ambiente já era sensível às tensões internacionais. A reportagem do The Intercept sobre acordos ligados ao financiamento de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro gerou mais ruído político e elevou a percepção de risco doméstico. Isso ocorreu especialmente após a divulgação de uma pesquisa da Genial/Quaest, que indicava o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à frente de Flávio Bolsonaro em um provável segundo turno.

No aspecto econômico, investidores repercutiram o anúncio de subsídios federais para gasolina e diesel, o que aumentou as preocupações sobre o impacto fiscal e a trajetória das contas públicas.

Mercados Externos

No cenário externo, os índices S&P 500 e Nasdaq 100 apresentaram avanço, impulsionados pela forte valorização das grandes empresas de tecnologia. Contudo, o índice de preços ao produtor dos Estados Unidos superou as expectativas, aumentando as preocupações inflacionárias. Além disso, as negociações entre Donald Trump e Xi Jinping, junto com as tensões envolvendo o Irã e o Estreito de Ormuz, continuaram a ser acompanhadas de perto no radar global.

Em relação às commodities, o preço do petróleo tipo Brent registrou recuo, enquanto o minério de ferro conseguiu manter sua sustentação, em virtude das restrições de oferta entre a Austrália e o Brasil.

Destaques Corporativos

Entre os principais indicadores corporativos da quarta-feira, as maiores pressões negativas no índice vieram da Petrobras (BOV:PETR4 | BOV:PETR3 | NYSE:PBR), uma das principais empresas do setor de petróleo, gás e combustíveis, que possui refinarias, operações offshore e distribuição energética; da Axia, uma empresa do segmento industrial e de infraestrutura; e das ações da Localiza (BOV:RENT3), que é líder em aluguel de veículos, gestão de frotas e venda de seminovos. Também se destacaram quedas expressivas em outros índices com Assaí (BOV:ASAI3), que é referência no atacarejo alimentar, e Smart Fit (BOV:SMFT3), a maior rede de academias da América Latina.

Do lado das ações mais negociadas no dia, repetiram-se os papéis da Petrobras, assim como da Vale (BOV:VALE3 | NYSE:VALE), que é líder global em minério de ferro e logística, além do Itaú Unibanco (BOV:ITUB4), o maior banco privado do Brasil, que tem atuação significativa na área de crédito, investimentos e serviços financeiros. Os investidores permaneceram atentos à expectativa em relação aos balanços financeiros da Braskem (BOV:BRKM5 | NYSE:BAK), do Banco do Brasil (BOV:BBAS3), da Raízen (BOV:RAIZ4) e das Casas Bahia (BOV:BHIA3), que seriam divulgados após o fechamento do mercado.

Mercado de Juros Futuros

No mercado de juros futuros da B3, a quarta-feira foi marcada por uma robusta abertura da curva, especialmente nos vencimentos intermediários e longos, sinalizando uma piora na percepção de risco político e fiscal no país. Os vértices mais curtos apresentaram uma alta moderada, enquanto os contratos de média e longa duração chegaram a disparar até 30 pontos-base durante o pregão, indicando um aumento relevante nos prêmios exigidos pelos investidores.

O contrato de DI futuro que registrou maior negociação acompanhou a deterioração do ambiente local, uma vez que foi impulsionado pela forte alta do dólar futuro, pelas preocupações fiscais relacionadas aos subsídios para combustíveis e pelo crescimento da volatilidade política. Além disso, a curva de juros também reagiu ao cenário externo, cuja divulgação do índice de preços ao produtor nos Estados Unidos foi surpreendente, levantando interrogações sobre a velocidade com que o Federal Reserve poderá implementar cortes nas taxas de juros.

Fonte: br.-.com

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