Queda do Ibovespa
O Ibovespa (IBOV) enfrentou uma significativa perda de 3,8 mil pontos em meio a uma nova onda de aversão ao risco no cenário global. O impasse nas negociações entre os Estados Unidos e o Irã intensificou os temores relacionados a possíveis choques inflacionários e à elevação prolongada das taxas de juros ao redor do mundo.
Nesta quarta-feira (3), o principal índice da bolsa brasileira fechou com uma queda de 2,22%, marcando 170.330,63 pontos.
O dólar à vista (USDBRL) também teve seu valor alterado, encerrando as negociações a R$ 5,0668, apresentando uma alta de 1,14%.
No cenário local, uma nova ameaça tarifária resultou em cautela adicional no mercado. No dia anterior (2), o governo Trump anunciou a intenção de impor uma taxa de 12,5% sobre as importações do Brasil e de outros 60 países, iniciando uma nova rodada de tarifas.
Caso essa nova cobrança de 12,5% seja realmente aplicada, ela se somaria aos 25% que foram anunciados um dia antes, em decorrência da conclusão de uma investigação sobre as “práticas incoerentes” do Brasil em relação aos Estados Unidos.
Altas e quedas do Ibovespa
Com a crescente aversão ao risco, apenas oito ações conseguiram encerrar o pregão em alta no Ibovespa. A liderança na ponta positiva foi ocupada pela Copasa (CSMG3), que teve uma valorização de 3,10%, alcançando o valor de R$ 54,58, impulsionada por rumores sobre a proposta da Equatorial (EQTL3) para participação na privatização da companhia.
A Minerva (BEEF3) também se destacou, apresentando um aumento de 2,29% e finalizando em R$ 3,58, após o JP Morgan elevar a recomendação para compra das ações da empresa.
Por outro lado, a ponta negativa foi dominada pelas ações locais, especialmente com a abertura da curva de juros futuros. As ações da Hapvida (HAPV3) e da Azzas (AZZA3) foram as que mais perderam, ambas com quedas superiores a 8%.
Apesar da valorização dos preços do petróleo no mercado internacional, as ações da Petrobras (PETR4;PETR3), que representam aproximadamente 12% da participação na carteira do índice, também recuaram. O barril do Brent operava próximo a US$ 98, mas mesmo assim, as ações da Petrobras tiveram queda. O fechamento foi de PETR3 em -1,12% ao valor de R$ 46,95, enquanto PETR4 registrou um recuo de 0,77%, fechando a R$ 41,25. Essas ações foram as mais negociadas na B3, com cerca de 58,5 mil negócios e um giro financeiro de R$ 1,6 bilhão.
A Vale (VALE3), que representa 11% do índice, foi prejudicada pela saída de fluxo estrangeiro da bolsa e pela desvalorização do minério de ferro. O contrato mais líquido da commodity, negociado para setembro, encerrou as operações em Dalian, na China, com uma queda de 0,57%, sendo cotado a 780 yuans (US$ 115,34) por tonelada. As ações da VALE3 caíram 3,78%, fechando em R$ 81,79.
Os bancos também apresentaram índices negativos, com o Índice Financeiro (IFNC) terminando o pregão com uma queda de 2,78%. O Itaú (ITUB4), que possui cerca de 8% de participação na carteira do IBOV, apresentou uma baixa de 2,12%, finalizando em R$ 38,72.
As ações da Petrobras, Vale e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Cenário externo
Os índices de Wall Street encerraram suas respectivas sessões de negociação em uma tendência negativa, refletindo a retomada da aversão ao risco em resposta ao cenário geopolítico e ao aumento dos preços do petróleo, que intensificaram o temor de possíveis pressões inflacionárias.
Além disso, dados do mercado de trabalho, que se mostraram mais robustos do que o previsto, também reforçaram a expectativa de que os juros continuarão elevados por um período mais prolongado.
Os fechamentos dos índices são os seguintes:
- Dow Jones: -1,21%, aos 50.687,07 pontos;
- S&P 500: -0,74%, aos 7.553,68 pontos;
- Nasdaq: -0,89%, aos 26.853,976 pontos.
Na Europa, o clima de incerteza relacionado à inflação e a situação no Oriente Médio também levaram à queda das bolsas. O índice pan-europeu Stoxx 600 encerrou as negociações com uma queda de 0,66%, alcançando 621,19 pontos.
Na Ásia, os principais índices apresentaram um comportamento misto. O índice Nikkei, do Japão, alcançou um recorde histórico de fechamento aos 68.402,13 pontos, marcando um aumento de 2,50%, enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve uma queda de 1,56%, terminando em 25.633,21 pontos.
Fonte: www.moneytimes.com.br