Mercado Financeiro e Desdobramentos no Ibovespa
O Ibovespa (IBOV) ampliou as perdas nas últimas horas, registrando uma queda de 4,7 mil pontos devido ao aumento das tensões no Oriente Médio. Esse cenário foi provocado pela primeira declaração pública do novo líder supremo do Irã, que assumiu o cargo no último domingo, dia 8.
Por volta das 12h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira apresentava uma queda de 2,89%, sendo cotado a 178.656,25 pontos, o menor nível intradia registrado até aquele momento.
Simultaneamente, o dólar à vista registrava alta de 1,45%, cotado a R$ 5,2342, após atingir a máxima intradia de R$ 5,2382, um aumento de 1,53%, poucos minutos antes.
Declarações do Líder Supremo do Irã
O novo líder supremo, Mojtaba Khamenei, fez declarações contundentes, afirmando que os Estados Unidos devem encerrar todas as suas bases militares na região. Ele ainda mencionou que o Estreito de Ormuz, uma importante rota marítima que passa pela costa do Irã e é responsável por aproximadamente um quinto do petróleo mundial, deve permanecer fechado como uma ferramenta de pressão contra os EUA e Israel.
Mojtaba Khamenei assumiu o cargo após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, que foi resultado de ataques conjuntos das forças militares norte-americanas e israelenses, contribuindo para a escalada do conflito no Irã.
Ações Recentes no Oriente Médio
Nos últimos eventos, ocorreu um ataque que resultou na queima de dois navios-tanque em um porto do Irã, atribuído a supostos barcos iranianos equipados com explosivos. Horas antes desse incidente, três outros navios foram atingidos no Golfo Pérsico. A Guarda Revolucionária do Irã reivindicou a responsabilidade por pelo menos um desses ataques, especificamente contra um graneleiro tailandês, que, segundo a Guarda, não seguiu as instruções dadas.
A escalada de ataques no Oriente Médio tem provocado as interrupções no fornecimento de petróleo e contrasta com as afirmativas recentes do presidente dos EUA, Donald Trump, que declarou que o Irã “não possui mais poder” e que o fim do conflito estaria próximo.
Expectativas para Política Monetária Brasileira
Diante da crescente aversão ao risco no cenário global, o mercado aumentou as apostas em relação a um corte menor na Selic na próxima semana. A curva de juros atualmente indica uma probabilidade de 85% para que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central opte por uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião programada para a próxima quarta-feira, dia 18.
Por outro lado, a probabilidade de um corte mais agressivo, de 0,50 ponto percentual, diminuiu para 15%, após ter alcançado 100% em fevereiro. A projeção para a taxa Selic ao final de 2026 está em torno de 13,10%, conforme estimativas do economista-chefe do Banco BMG, Flário Serrano.
Medidas do Governo para Combater Alta nos Combustíveis
O mercado também observa atentamente a coletiva de imprensa do governo, que apresentou medidas para tentar controlar os preços dos combustíveis em meio à recente alta dos preços do petróleo, que começou na semana passada. Desde o início dos conflitos no Irã, o barril do Brent, referência no mercado global, valorizou-se em mais de 30%.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que “a alta do petróleo não irá impactar o bolso do brasileiro” e anunciou que a cobrança dos impostos PIS e Cofins sobre o diesel, tanto para importação quanto para comercialização, será zerada.
Durante o anúncio realizado no Palácio do Planalto, Lula também assinou uma medida provisória que prevê subvenção ao óleo diesel para produtores e importadores, desde que estes comprovem repasse ao consumidor final. Essa subvenção, juntamente com a isenção dos impostos, proporcionará uma redução de R$ 0,32 em cada litro de diesel nas refinarias. Ao todo, as medidas terão um impacto total de R$ 0,64 nas refinarias, segundo informações do governo.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também comentou durante a coletiva que as iniciativas para controlar os preços do petróleo são “independentes da política de preços da Petrobras”, reafirmando que a estatal deve manter uma política que considere fundamentos sólidos de retorno financeiro, respeitando assim os acionistas minoritários.
*Conteúdo em atualização
Fonte: www.moneytimes.com.br