Ibovespa em baixa devido a tensões entre EUA e Irã, quedas da Vale e ata mais austera do FOMC

Desempenho do Ibovespa em Quarta-Feira

A quarta-feira, dia 8 de julho, foi marcada por mais um pregão caracterizado pela aversão ao risco na bolsa de valores brasileira. O índice Ibovespa (BOV:IBOV) encerrou o dia em uma queda de 0,79%, atingindo 170.653 pontos. Essa retração acompanhou o desempenho mais fraco registrado em Wall Street, o que se deu em decorrência do aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e da leitura mais rígida da ata do Federal Reserve. O volume financeiro totalizou R$ 16,4 bilhões, inferior à média móvel dos últimos 50 pregões, que foi de R$ 18,8 bilhões. Essa diferença indica uma sessão com menor liquidez.

Pressão Sobre os Contratos Futuros

O contrato futuro do índice Ibovespa (BMF:INDFUT | BMF:WINFUT) também enfrentou pressões ao longo do dia, refletindo a crescente cautela dos investidores em relação ao cenário internacional. Apesar do significativo aumento nas ações de empresas ligadas ao setor de petróleo, o impacto negativo de Vale e dos grandes bancos impediu uma recuperação do principal índice da bolsa de valores brasileira.

Influências Externas no Mercado

A principal influência sobre a bolsa de valores brasileira nesta quarta-feira veio do cenário internacional. O mercado reagiu à intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã, especialmente após a declaração do presidente norte-americano, Donald Trump, de que o acordo de cessar-fogo entre os dois países estava “acabado”. Essa situação elevou os temores sobre uma possível interrupção na oferta global de petróleo. Essa expectativa impulsionou os contratos do Óleo Brent (CCOM:OILBRENT), que chegaram a superá-los US$ 80 por barril, gerando benefícios para as petroleiras brasileiras, mas também aumentando a aversão ao risco nos mercados globais.

Nos Estados Unidos, a ata da última reunião do Federal Reserve reforçou um discurso mais restritivo em relação aos juros, indicando uma preocupação persistente com a inflação e diminuindo as expectativas de cortes rápidos nas taxas de juros. No Brasil, os investidores acompanharam com atenção o fluxo cambial divulgado pelo Banco Central e a revisão das projeções do BTG Pactual para a Selic e para o câmbio, assim como a pesquisa eleitoral que envolve o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na China, o avanço do índice de armazenagem e a melhora nas vendas do setor imobiliário favoreceram o minério de ferro, no entanto, essa situação não foi suficiente para evitar a acentuada queda das ações da Vale após uma reavaliação feita pelo Morgan Stanley.

Movimentação do Mercado Acionário Brasileiro

Nesta quarta-feira, o mercado acionário brasileiro teve uma sessão bastante movimentada, com foco na forte dispersão entre os diversos setores da bolsa de valores. As maiores pressões negativas sobre o Ibovespa foram provocadas pelas ações da Vale (BOV:VALE3 | NYSE:VALE), uma das principais produtoras globais de minério de ferro, pelotas e metais básicos. As ações da Vale recuaram após o Morgan Stanley ter reduzido a recomendação desses papéis para “neutra” e ter cortado o preço-alvo para US$ 16,50, citando expectativas de um minério de ferro mais fraco e custos crescentes entre 2026 e 2028.

A Embraer (BOV:EMBJ3 | NYSE:ERJ), fabricante brasileira de aeronaves comerciais, executivas e de defesa, também se destacou entre as principais responsáveis pela pressão negativa sobre o índice, registrando uma queda de 4,48%. Por sua vez, o Itaú Unibanco (BOV:ITUB4), o maior banco privado brasileiro em ativos e presente em diferentes segmentos como crédito, investimentos, seguros e serviços financeiros, caiu 1,27%, ampliando a pressão sobre o Ibovespa.

Desempenho das Ações em Queda

No que diz respeito às maiores quedas percentuais, a Cury (BOV:CURY3), uma incorporadora focada em empreendimentos residenciais populares, liderou as perdas com uma redução de 7,85%. Em seguida, a Direcional Engenharia (BOV:DIRR3), atuando no setor imobiliário voltada para habitação econômica, teve um recuo de 6,19%. A MRV Engenharia (BOV:MRVE3), especializada em construção residencial e desenvolvimento imobiliário, também registrou queda, de 5,84%.

Por outro lado, no lado positivo, as empresas ligadas ao petróleo se beneficiaram da alta nos preços da commodity no mercado internacional, favorecendo companhias como a Petrobras (BOV:PETR4 | BOV:PETR3 | NYSE:PBR), uma das maiores produtoras de petróleo e gás do mundo, que está envolvida na exploração, produção, refino e comercialização de combustíveis. Entre as ações mais negociadas do pregão, vale, Petrobras e os grandes bancos concentraram uma boa parte do fluxo financeiro, refletindo a busca dos investidores por proteção em setores que possuem uma relação mais forte com as commodities e por liquidez em empresas que têm grande peso no índice.

Mercado de Juros Futuros

O mercado de juros futuros da B3 também encerrou a quarta-feira sob pressão, influenciado por um ambiente externo desafiador. Registrou-se um aumento nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e uma maior percepção de risco após a intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã. Os principais vértices da curva futura de juros apresentaram elevações de até 8,5 pontos-base, alinhando-se ao movimento global de aumento das taxas.

Os contratos de prazo mais longo mostraram-se os mais sensíveis ao aumento da aversão ao risco, refletindo preocupações com a inflação e possíveis impactos de uma alta prolongada do petróleo sobre os preços internacionais. Nos vencimentos intermediários, os investidores realizaram ajustes de posições em resposta à leitura mais rigorosa da ata do Federal Open Market Committee (FOMC), que ressaltou preocupações persistentes com a inflação e trouxe de volta ao debate a possibilidade de manutenção de juros elevados nos Estados Unidos por um período mais longo.

Expectativas para Política Monetária

Os vértices curtos, por sua vez, seguiram influenciados pelas expectativas em relação à política monetária brasileira, com o mercado reduzindo levemente as apostas para um corte de 25 pontos-base pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto, passando de 78% para 72%. O contrato futuro de juros mais negociado da B3 (BMF:DI1FUT) acompanhou esse movimento, refletindo a combinação do cenário externo pressionado, alta no preço do petróleo e incertezas sobre a velocidade da flexibilização monetária no Brasil.

Fonte: br.-.com

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