Após uma semana de otimismo, durante a qual o Ibovespa ultrapassou, pela primeira vez, as marcas de 162 mil, 163 mil e 164 mil pontos, o índice experimentou uma forte reversão na última sexta-feira, 5 de dezembro de 2025. O Ibovespa fechou a 157.369,36 pontos, registrando uma queda de 4,31%.
O índice atingiu uma máxima histórica de cerca de 165.035 pontos na parte da manhã, mas durante a tarde, começou a cair. Antes do meio da sessão, a expectativa era de continuidade do rali de fim de ano. Instituições financeiras, como o Itaú BBA, projetavam que o Ibovespa poderia alcançar 180 mil pontos, sugerindo que esse rali poderia se estender até o início de 2026. No entanto, a reversão abrupta demonstrou que a Bolsa permanece extremamente sensível ao risco político nacional.
O fechamento desta sexta-feira enviou uma mensagem clara para investidores, tanto locais quanto internacionais: em um cenário de Produto Interno Bruto (PIB) desacelerando, juros ainda elevados em 15%, aumento nos custos de energia e reformas sendo debatidas, qualquer sinal de aumento na incerteza política é rapidamente refletido nos mercados, afetando o câmbio e a curva de juros.
Do rali de fim de ano ao choque político: Flávio Bolsonaro em 2026 muda o preço do risco
A mudança de humor do mercado foi impulsionada por questões políticas. A confirmação de que o ex-presidente Jair Bolsonaro escolheu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como seu candidato à Presidência nas eleições de 2026 foi interpretada como um “divisor de águas” pelo mercado.
A informação, que foi antecipada pelo portal Metrópoles e posteriormente confirmada por Valdemar Costa Neto e pelo próprio Flávio, resultou em uma reprecificação quase imediata dos ativos brasileiros.
Hoje, analistas do mercado preferem Tarcísio, vendo oposição dividida
Gestores e economistas destacam atualmente que os investidores veem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como o candidato mais competitivo da direita, com maiores chances de formar alianças de centro e propor uma agenda de austeridade fiscal. A escolha de Flávio é considerada uma fragmentação na oposição ao governo de Lula, o que pode aumentar as chances de manutenção da polarização e afastar o capital estrangeiro, resultando em prêmios mais altos nos juros e no câmbio.
Analistas como Rubens Cittadin Neto, da Manchester Investimentos, e Ricardo Pompermaier, da Davos Investimentos, enfatizam que a reação negativa das bolsas está mais relacionada à percepção sobre a trajetória fiscal do que a uma polarização ideológica.
O mercado esperava que a nomeação de um candidato mais centrado reforçasse o compromisso com as reformas e o ajuste fiscal. A atual percepção é de maior incerteza em relação à política econômica a partir de 2027.
Dólar dispara e testa paciência do Banco Central
A aversão ao risco demonstrou-se rapidamente no mercado cambial. O dólar à vista, que chegou a ser cotado em aproximadamente R$ 5,29 no início do dia, disparou para R$ 5,4346 ao fechamento, apresentando uma alta de 2,34%, e voltou a ser negociado acima de R$ 5,40. Na ponta de venda, a moeda alcançou R$ 5,455, com uma valorização acumulada de 2,56% na sessão, embora registre uma queda de 12,05% no ano.
Juros futuros sobem mais de 50 pontos-base
Na curva de juros, houve uma resposta imediata à percepção de aumento no risco. O DI para janeiro de 2028 saltou de 12,726% para 13,185% no final da tarde, atingindo uma máxima intradiária de 13,275%, resultando em um aumento de 55 pontos-base. Já o contrato para janeiro de 2032 subiu de 12,971% para 13,485%, quase alcançando 13,570%, um avanço de 60 pontos-base. Apesar desse movimento, o mercado ainda incorpora cerca de 80% de chances de um corte de 0,25 ponto na taxa Selic, atualmente em 15% ao ano.
Eleições, Congresso e STF elevam o ruído institucional
O ambiente político se mostrou ainda mais tumultuado. No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes restringiu a abertura de processos de impeachment contra ministros da Corte exclusivamente à Procuradoria-Geral da República e aumentou o quórum necessário no Senado para dois terços.
Essa decisão gerou reações imediatas de senadores, como Davi Alcolumbre, Nelsinho Trad e Tereza Cristina, que consideraram isso uma “interferência” nas prerrogativas do Legislativo e começaram a articular mudanças na Lei do Impeachment.
Condenação de oficiais da PMDF e 8 de Janeiro
Nas questões institucionais, a Primeira Turma do STF condenou cinco oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal por omissões relacionadas aos eventos golpistas de 8 de janeiro de 2023. As penas atingiram 16 anos de prisão, além da perda de cargo público, devido a prejuízos superiores a R$ 25 milhões. A impressão é de que a Corte se tornou mais rigorosa em relação a temas que envolvem a democracia, mantendo a política como um tema central nas notícias, o que é sempre delicado para os preços dos ativos.
LDO aprovada e superávit em 2026, mas dúvidas seguem
No Congresso, a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que propõe uma meta de superávit de R$ 34,3 bilhões e um salário mínimo projetado em R$ 1.627, busca sinalizar um compromisso com o ajuste fiscal. O texto limita a criação de novos gastos obrigatórios e fundos, salvo em situações de calamidade, e flexibiliza as regras para pequenos municípios. Apesar disso, os investidores continuam céticos em relação à capacidade de cumprimento desse arcabouço em um ambiente eleitoral polarizado.
PIB fraco, juros em 15% e promessa de retomada
A situação econômica é caracterizada por dados do PIB do terceiro trimestre de 2025 que mostram crescimento estagnado. O aumento de 0,1% em relação ao trimestre anterior foi considerado como um sinal de estabilidade pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), tendo havido crescimento de 1,8% na comparação anual e aumento de 2,7% em quatro trimestres, totalizando cerca de R$ 3,2 trilhões. O setor de serviços e o consumo das famílias atingiram níveis recordes, entretanto, a indústria ainda está 3,4% abaixo do pico de 2013.
Setores em ritmos diferentes, política monetária pesa
O setor industrial apresentou crescimento de 0,8%, com incrementos em extrativa, construção e transformação, enquanto o segmento de eletricidade, gás e saneamento registrou uma queda de 1%. O setor de serviços avançou modestamente em 0,1%, com destaques para transporte, informação e atividades imobiliárias. O consumo das famílias teve aumento marginal de 0,1%, enquanto o governo cresceu 1,3%, a formação de capital fixo subiu 0,9% e as exportações aumentaram em 3,3%, ao passo que as importações tiveram uma queda de 0,3%. A taxa de juro básica de 15% ao ano é considerada, pelo IBGE, como um fator central para a desaceleração econômica.
De acordo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, a economia deverá voltar a apresentar crescimento mais robusto em 2026, apoiada na expectativa de uma redução da taxa Selic e em inflação em queda, que atualmente está em 4,68% nos últimos 12 meses, ainda acima do teto da meta que é de 4,5%.
Alckmin ressaltou que, após patamares de R$ 6,30 e R$ 5,60, o dólar havia recuado para a faixa de R$ 5,30 antes de nova disparada e mencionou os esforços para garantir que produtos industriais brasileiros não sejam penalizados pelo aumento tarifário norte-americano de até 50%.
Energia elétrica mais cara pressiona inflação e renda
Outro fator preocupante é o aumento dos custos com energia. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) projetou um reajuste médio de 7% nas tarifas para 2025, acima da inflação esperada, impulsionado pelo aumento do orçamento da Conta de Desenvolvimento Energético, que pode chegar a R$ 49,2 bilhões.
Para 2026, a agência estima que as despesas da CDE podem alcançar R$ 52,7 bilhões, com ênfase em subsídios à micro e minigeração distribuída, além de fontes incentivadas.
Esse aumento na Conta de Desenvolvimento Energético impacta diretamente o bolso dos consumidores e pode influenciar na Indústria de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A expansão das despesas tende a pressionar o IPCA, diminuindo as possibilidades de cortes mais significativos nas taxas de juros e exigindo uma maior disciplina fiscal para manter a trajetória de inflação sob controle.
A Conta de Desenvolvimento Energético financia tarifas sociais, o programa Luz Para Todos, além de geração em áreas isoladas, incentivos para energias renováveis e compensações para consumidores que geram a própria energia. Na prática, essa conta é alimentada pelas próprias tarifas de energia elétrica, além de multas e recursos do Tesouro Nacional.
PIX Parcelado vira nova frente de disputa regulatória
Em outra frente, o Banco Central do Brasil continua a negociar com instituições financeiras as regras para o PIX Parcelado. Essa nova modalidade, que já está sendo oferecida por diversas instituições, funciona como um tipo de crédito pessoal dentro do sistema de pagamentos instantâneos: o recebedor recebe o pagamento de imediato, enquanto o pagador parcelará o valor em mensalidades com juros. A intenção do Banco Central é padronizar os contratos, aumentar a transparência em relação às taxas e prevenir o superendividamento dos consumidores.
Uma pesquisa realizada pela Matera mostrou que 53% dos consumidores já utilizaram o PIX Parcelado, posição que se encontra atrás apenas do cartão de crédito, que é usado por 77% dos consumidores. O Banco Central vê um potencial significativo para atender cerca de 60 milhões de pessoas que não possuem cartão de crédito, desde que a última parcela, mesmo com juros, permaneça igual ou inferior à do parcelamento “sem juros” no cartão de crédito, o que é uma comparação relevante em um mercado onde o crédito rotativo do cartão atinge taxas que podem chegar a 445% ao ano.
Poupança perde quase R$ 91 bilhões no ano
O cenário de taxas de juros elevadas e renda em declínio continua a corroer a poupança. No mês de novembro, houve uma saída líquida de R$ 2,857 bilhões, com os saques totalizando R$ 344,6 bilhões, superando os depósitos, que foram de R$ 342,75 bilhões. No acumulado de janeiro a novembro, a saída líquida na poupança chegou a R$ 90,978 bilhões, considerando depósitos de R$ 3,84 trilhões e retiradas de R$ 3,93 trilhões.
Nos recursos da poupança destinados ao crédito imobiliário (SBPE), em novembro, foram registrados depósitos de R$ 296,6 bilhões e saques de R$ 297,2 bilhões, resultando em uma redução estimada de cerca de R$ 0,5 bilhão.
No crédito rural, foram contabilizados depósitos de R$ 45,14 bilhões e retiradas de R$ 47,48 bilhões, apresentando um saldo negativo de R$ 2,33 bilhões. Ao longo de 2025, a poupança destinada ao setor rural já acumulou uma saída de R$ 23,51 bilhões, o que pode restringir os investimentos no agronegócio.
Petrobras reforça aposta no pré-sal em Mero e Atapu
A Petrobras (BOV:PETR4) teve uma baixa de 3,4% hoje, com suas ações cotadas a R$ 31,40. No âmbito corporativo, a companhia estatal aumentou seu foco em ativos de alta rentabilidade no pré-sal. Durante o leilão de áreas não contratadas da PPSA, a Petrobras, em consórcio com a Shell, adquiriu uma participação de 3,5% da União no campo de Mero por R$ 7,791 bilhões, elevando sua participação para 41,40%. Em Atapu, adquiriu 0,95% por R$ 1 bilhão, totalizando 66,38% de participação.
Embora o desembolso seja bilionário, a operação se alinha ao plano de negócios da empresa. O valor total supera R$ 8,7 bilhões, com um desembolso de R$ 6,97 bilhões previsto para dezembro de 2025 e a assinatura dos contratos prevista até março de 2026.
A Petrobras enfatiza que essas aquisições se integram na margem de 4% da projeção de produção do Plano de Negócios 2026–30 e seguem a estratégia de reforçar reservas em campos já conhecidos, reduzindo assim os riscos exploratórios.
Itaú assume liderança de valor de mercado na B3
Em meio à volatilidade dos marketplaces, o destaque positivo na Bolsa continua a ser o setor financeiro. O Itaú Unibanco (BOV:ITUB4) consolidou sua posição como a empresa de maior valor de mercado na B3, superando a Petrobras. No dia 28 de novembro, o banco encerrou o pregão valendo R$ 426,9 bilhões, aproximadamente R$ 5 bilhões a mais que os R$ 421,5 bilhões da petrolífera. Até 4 de dezembro, a diferença aumentou para R$ 443,1 bilhões em relação aos R$ 432,9 bilhões da Petrobras.
O mercado interpretou essa movimentação como sinal de menor dependência em relação às commodities e maior fluxo de investimentos defensivos. Desde outubro, as duas companhias seguiram trajetórias opostas: a Petrobras perdeu R$ 57,4 bilhões em valor de mercado, impactada pela queda no preço do petróleo e por ruídos políticos, enquanto o Itaú acumulou ganhos de R$ 161,9 bilhões, sustentado por resultados financeiros mais previsíveis e uma menor exposição a fatores externos.
Globalmente, o Itaú ocupa agora a 245ª posição entre as empresas mais valiosas do mundo, em uma lista que inclui instituições como o Scotiabank e a Moody’s.
No cenário interno, o Itaú também alterna sua liderança com o Nubank. A fintech chegou a ser avaliada em US$ 76,97 bilhões e, em maio, cooperou dando uma valuation de cerca de R$ 297 bilhões, superando temporariamente o Itaú, que atualmente retoma a liderança com aproximadamente US$ 86,3 bilhões. O Nubank segue próximo, com uma valuation de R$ 85,5 bilhões, e a Petrobras, com R$ 83 bilhões.
Mercados internacionais: Europa e EUA ajudam, mas não salvam o humor local
No cenário internacional, o ambiente apresentou-se mais construtivo. Na zona do euro, o PIB cresceu em 0,3% no terceiro trimestre, superando a leitura preliminar de 0,2%. As bolsas europeias fecharam sem uma direção única, mas o DAX, em Frankfurt, subiu 0,66%, alcançando 24.038,71 pontos, com alta semanal de 1,14%. Em contraste, Londres teve queda de 0,45%, enquanto Paris perdeu 0,09%, e outras praças oscilaram em intervalos estreitos.
Na Ásia, os mercados apresentaram uma tendência de alta, com exceção do Japão. Enquanto o índice Nikkei 225 teve uma baixa de 1,1%, o Shanghai SE terminou com uma alta de 0,7% e o Hang Seng também se valorizou em 0,6%. O índice ASX 200 subiu 0,19%, e o Kospi destacou-se positivamente, registrando um aumento de 1,8%.
Nos Estados Unidos, o Índice de Preços dos Gastos com Consumo (PCE) avançou 0,3% em setembro, acumulando 2,8% nos últimos 12 meses, enquanto o núcleo aumentou 0,2%, alinhando-se às previsões. A pesquisa de confiança da Universidade de Michigan indicou uma melhoria do índice de 51 para 53,3 pontos, embora os consumidores ainda estejam preocupados com os altos preços e um mercado de trabalho menos aquecido. As expectativas de inflação para um ano caíram para 4,1% e, para cinco anos, para 3,2%.
Os Treasuries de dez anos apresentaram uma leve alta, com rendimento em torno de 4,139%, à medida que os investidores ajustam suas apostas para a reunião prevista do Federal Reserve na próxima semana. A ferramenta FedWatch demonstra uma probabilidade de cerca de 87,2% de um corte de 0,25 ponto, reduzindo a taxa para a faixa entre 3,75% e 4,00%. No Brasil, uma postura mais branda do Fed pode reforçar a expectativa de cortes graduais na Selic em 2026, embora a política interna possa limitar os benefícios esperados.
Acompanhe as cotações em tempo real dos principais índices de ações e das ações de empresas internacionais negociadas nas bolsas de valores ao redor do mundo.
Este conteúdo é apenas para fins informativos e não deve ser considerado como aconselhamento financeiro, de investimento ou de qualquer outra natureza profissional. Não representa uma recomendação de compra ou venda de valores mobiliários ou instrumentos financeiros. Todos os investimentos envolvem riscos, incluindo a possibilidade de perda do capital investido. O desempenho passado não é indicativo de resultados futuros. É importante conduzir sua própria pesquisa e consultar um consultor financeiro qualificado antes de tomar decisões de investimento. Parte deste conteúdo pode ter sido gerada ou assistida por ferramentas de inteligência artificial (IA) e foi revisada por nossa equipe editorial para garantir precisão e qualidade.
Fonte: br.-.com