Mercado de Ações: Análise do Ibovespa em 24 de Janeiro
O Ibovespa (IBOV) iniciou o pregão desta terça-feira, 24 de janeiro, apresentando uma valorização, impulsionado pela expectativa de recuperação das bolsas em Nova York e pela tarifa anunciada pelos Estados Unidos, além de declarações do ex-presidente Donald Trump que influenciam o mercado.
As ações da Petrobras e dos bancos se destacam como principais suportes, enquanto os papéis da Gerdau apresentaram queda após a divulgação de seus resultados do último trimestre de 2025.
Por volta das 10h15 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira registrava uma alta de 0,63%, alcançando 190.051,01 pontos.
Desempenho do Dólar
O dólar à vista apresentou uma leve alta em relação ao real, enquanto, no cenário internacional, a moeda também se valorizava frente à maioria das demais divisas. No mesmo horário, a moeda norte-americana estava cotada a R$ 5,1769, com uma alta de 0,10%.
Principais Fatores que Influenciam o Mercado em 24 de Janeiro
1 – Tarifa dos EUA
A partir de hoje, os Estados Unidos implementaram uma tarifa adicional de 10% sobre importações que não estão incluídas em listas de isenção, conforme informações da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
Essa alíquota se mantém no patamar anunciado anteriormente pelo ex-presidente Donald Trump, que havia proposto a cobrança abaixo dos 15% mencionados em declarações subsequentes.
Em resposta à decisão da Suprema Corte dos EUA, que derrubou tarifas anteriores justificadas por motivos de emergência, Trump anunciou uma nova taxa global temporária de 10%. Posteriormente, afirmou que o percentual seria elevado para 15%.
De acordo com a CBP, em comunicado destinado a fornecer orientações sobre a Proclamação Presidencial de 20 de fevereiro de 2026, as importações, exceto aquelas listadas como isentas, estarão sujeitas a uma tarifa adicional ad valorem de 10%.
2 – Instabilidade no Mercado
O mercado busca estabilidade após dias turbulentos, devido à volatilidade causada pelas tarifas impostas por Donald Trump. Na véspera, os principais índices de Wall Street sofreram quedas significativas, afetados por uma combinação de incertezas tecnológicas, tensões geopolíticas e novas ameaças comerciais.
Os investidores expressam preocupações sobre o impacto que o avanço acelerado da inteligência artificial pode ter na reestruturação de diversos setores da economia, afetando modelos de negócios e expectativas de lucro. O tema voltou a ser relevante após episódios recentes de volatilidade envolvendo empresas de tecnologia e software.
Além disso, o ambiente externo continua a exigir cautela. O mercado observa atentamente as iniciativas de Trump em relação ao aumento das tarifas globais de 15%, gerando preocupações sobre o comércio internacional. As tensões entre os Estados Unidos e Irã também contribuem para a postura defensiva dos investidores.
À noite, Trump fará o discurso do Estado da União, uma tradicional mensagem anual ao Congresso que costuma apresentar indicações sobre as prioridades econômicas, fiscais e regulatórias do governo.
Além disso, o mercado está atento aos pronunciamentos de dirigentes do Federal Reserve, com intervenções previstas de Austan Goolsbee, Raphael Bostic, Susan Collins, Christopher Waller, Lisa Cook e Thomas Barkin, em um momento em que os investidores buscam orientações sobre a política monetária e a trajetória de juros nos EUA.
3 – Resultados Financeiros da Gerdau (GGBR4)
A Gerdau (GGBR4) divulgou que registrou um lucro líquido ajustado de R$ 670 milhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), resultado que se manteve praticamente estável comparado ao mesmo período de 2024, quando o lucro foi de R$ 666 milhões, resultando em uma leve variação positiva de 0,5%.
No acumulado do ano de 2025, o lucro líquido ajustado da companhia totalizou R$ 3,38 bilhões, refletindo uma queda de 21,1% em relação aos R$ 4,29 bilhões de 2024.
O volume de vendas de aço atingiu 2,86 milhões de toneladas no 4T25, um aumento de 5,2% em comparação com o ano anterior. No total do ano, o volume vendido cresceu 5,9%, registrando 11,63 milhões de toneladas.
A receita líquida no período alcançou R$ 17,0 bilhões, apresentando um crescimento de 0,9% em relação ao 4T24. No total do ano de 2025, a receita alcançou R$ 69,9 bilhões, um crescimento de 4,2% em relação a 2024.
4 – Atualização da Raízen (RAIZ4)
A Raízen (RAIZ4) comunicou ao mercado que recebeu uma notificação da Wellington Management Group LLP sobre a redução da sua participação acionária na empresa.
Conforme o documento, em 20 de fevereiro de 2026, a gestora passou a administrar 59.744.500 ações preferenciais da Raízen, o que corresponde a 4,40% do total de ações emitidas pela companhia.
Essa comunicação foi divulgada em conformidade com o Artigo 12 da Resolução nº 44 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
5 – Situação da Conta Corrente do Brasil
O Brasil registrou um débito de US$ 8,360 bilhões na conta corrente em janeiro, em comparação a um saldo negativo de US$ 3,363 bilhões em dezembro, conforme divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira.
Esse déficit superou todas as previsões coletadas pelo Projeções Broadcast, que variavam entre US$ 7,70 bilhões e US$ 3,033 bilhões, enquanto a mediana apontava um déficit de US$ 6,60 bilhões.
O déficit nas transações correntes foi inferior ao apurado em janeiro de 2025, que registrou um rombo de US$ 9,809 bilhões.
Nos últimos 12 meses, o déficit da conta corrente passou de 3,03% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro para 2,92% em janeiro, registrando o menor déficit desde novembro de 2024, quando foi contabilizado 2,78% do PIB.
A balança comercial apresentou um superávit de US$ 3,516 bilhões no mês, segundo a metodologia do Banco Central. A conta de serviços revelou um déficit de US$ 3,972 bilhões, enquanto a conta de renda primária deficitária ficou negativa em US$ 8,312 bilhões e a conta financeira também teve um déficit de US$ 8,227 bilhões.
*Com informações da Reuters e Estadão Conteúdo
Fonte: www.moneytimes.com.br