Expectativas para o Ibovespa na ‘Super Quarta’
Hoje, 10 de dezembro, o Ibovespa (IBOV) deve operar com cautela, aguardando as decisões de política monetária que estão sendo anunciadas tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.
Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira apresentava uma alta de 0,29%, registrando 158.446,51 pontos.
O dólar à vista, por sua vez, mostrava valorização em relação ao real, comportamento oposto ao que a moeda tem tido no cenário internacional. No mesmo horário, a moeda americana estava cotada a R$ 5,4562 (+0,37%).
5 tópicos relevantes sobre o Ibovespa nesta quarta-feira (10)
1 – Anúncio da ‘Super Quarta’
Hoje, os Bancos Centrais do Brasil e dos Estados Unidos estão programados para anunciar suas respectivas decisões sobre política monetária referentes ao final de 2025.
No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa Selic em 15% ao ano. Entretanto, o mercado aguarda sinais de um possível início do ciclo de afrouxamento monetário no primeiro trimestre do próximo ano, especialmente após dados econômicos recentes que foram considerados fracos.
Segundo a última atualização datada de ontem (9), o contrato de Opções de Copom da B3 indicava uma chance de 45% de o Banco Central (BC) implementar um corte nos juros em janeiro. A manutenção da Selic em 15% detém uma expectativa majoritária de 53%. Para março, a probabilidade de redução na Selic é de 74,3%, com um corte de 0,50 ponto percentual sendo a alternativa mais apoiada, com 39,9% de apoio.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) é esperado para fazer um novo corte de 0,25 ponto percentual, marcando a terceira redução consecutiva. Espera-se, ainda, a presença de dissidência entre os diretores do Fed sobre a política monetária, como tem ocorrido em decisões anteriores.
Conforme a ferramenta FedWatch, do CME Group, existe uma probabilidade de 89,9% de que o BC americano execute a redução de 0,25 ponto percentual, levando os juros para a faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. A expectativa de manutenção dos juros caiu, passando de 11,4% para 10,1% desde ontem (9).
2 – IPCA dentro da meta
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o indicador oficial da inflação no Brasil, apresentou uma alta de 0,18% no mês de novembro, após um aumento de 0,09% em outubro. Esse resultado se alinha às expectativas de alta de 0,18% para este período.
Conforme os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, a inflação acumulada no ano de 2025 é de 3,92%, enquanto que no acumulado em 12 meses está em 4,46%—uma desaceleração e aquém da expectativa do mercado, que previa uma queda de 4,68% para 4,47%.
Com esses números, o IPCA voltou a se encontrar dentro da meta estipulada pelo Banco Central, que é de 3%, com uma tolerância de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos.
3 – Regras mais rigorosas para devedores
Na noite de terça-feira (10), a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que estabelece regras mais severas para devedores contumazes. Além disso, a proposta busca criar programas que estimulem contribuintes pessoas jurídicas a cumprir normas tributárias em colaboração com a Receita Federal.
A proposta agora segue para a sanção presidencial. O texto já havia recebido aprovação no Senado com 71 votos a favor e nenhum contra, no início de setembro.
De acordo com informações da Agência Câmara de Notícias, um processo administrativo será instaurado para que o contribuinte tenha a oportunidade de se defender antes de ser classificado como devedor contumaz. O projeto também estabelece critérios para classificar uma dívida como grande, considerada substancial.
4 – A aprovação do PL da Dosimetria
A Câmara dos Deputados aprovou, durante a madrugada, o projeto de lei (PL) da Dosimetria, o qual visa reduzir as penas dos condenados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em decorrência da trama golpista e dos atos de 8 de janeiro de 2023. Isso inclui também o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está cumprindo pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília.
A proposta foi aprovada com 291 votos a favor e 148 contra e será enviada ao Senado para deliberação.
Se o projeto se tornar lei, a condenação de Bolsonaro poderia ser reduzida para cerca de 2 anos e meio. A pauta do projeto foi discutida ao longo da tarde de terça-feira (9), mas a sessão interrompeu temporariamente devido a um protesto do deputado Glauber Braga (PSOL-SP).
A versão original do projeto previa anistia para os participantes de manifestações políticas que ocorreram entre 30 de outubro de 2022 e a implementação da nova legislação.
“Não há possibilidade de anistia em nosso relatório,” escreveu Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que foi relator do projeto, em suas redes sociais. “A proposta de anistia apresentada pelo pessoal do PL não será aprovada. Conversamos com todos os partidos e, na nossa visão, a única solução viável para pacificar o Brasil é a redução de penas,” complementou.
5 – Cenário da corrida eleitoral
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que é esperado para concorrer à reeleição no próximo ano, lidera com 38% das intenções de voto em quatro cenários de uma pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta terça-feira.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) se posiciona como seu principal adversário, com 23% das intenções, enquanto Flávio Bolsonaro, escolhido candidato pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, aparece com 19%.
No cenário que coloca o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como candidato, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), registra 9%, seguido pelos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado (União), com 7%, e de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 5%.
Dentre os governadores, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, é o que se sai melhor, apresentando 17% em um cenário sem candidatos Bolsonaro. No caso em que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) é mencionado, ele pode contar com 18% das intenções de voto.
A pesquisa, que entrevistou 2.000 pessoas entre os dias 4 e 8 de dezembro, abrangeu 131 municípios em todo o Brasil. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, podendo ser para mais ou para menos.
Fonte: www.moneytimes.com.br