Ibovespa recua quase 2% com intensificação das tensões no Irã; 5 pontos essenciais antes de investir hoje (19)

Ibovespa recua quase 2% com intensificação das tensões no Irã; 5 pontos essenciais antes de investir hoje (19)

by Beatriz Fontes
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Mercado Financeiro e Tensão Internacional

O Ibovespa (IBOV) começou a sessão após a ‘Super Quarta’ em baixa, devido ao agravamento da confiança dos investidores no mercado externo, considerando a intensificação do conflito no Oriente Médio. Neste contexto, os resultados das empresas referentes ao quarto trimestre de 2025 (4T25) e a redução na taxa Selic para 14,75% ao ano passaram a ser ofuscados.

Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira apresentava uma queda de 1,70%, alcançando 176.579,23 pontos.

O dólar à vista registrou alta em relação ao real, contrastando com o desempenho da moeda no cenário internacional. Nesse mesmo horário, a moeda norte-americana subia para R$ 5,3017 (+1,05%), mesmo após os leilões no formato “casadão” promovidos pelo Banco Central. Em contrapartida, o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas mais fortes, apresentava uma queda de 0,10%, cotando-se a 99,983 pontos.

5 Aspectos Importantes para Investidores no Ibovespa nesta Quinta-Feira (19)

1 – Tensão no Oriente Médio

Recentemente, as tensões aumentaram quando o Irã atacou diversas instalações energéticas no Oriente Médio, em resposta ao ataque de Israel a South Pars, o maior depósito de gás natural do mundo, localizado em uma área partilhada com o Catar, que é aliado dos Estados Unidos, nas proximidades do Golfo Pérsico.

Na data de ontem (18), a QatarEnergy informou que os ataques com mísseis iranianos a Ras Laffan, que abriga as principais operações de processamento de GNL do Catar, causaram “danos extensos” ao centro de energia daquela localidade.

A Arábia Saudita anunciou que conseguiu interceptar e destruir quatro mísseis balísticos que foram lançados na quarta-feira em direção a Riad, além de repelir uma tentativa de ataque de drones direcionado a uma instalação de gás. Em um incidente separado, a refinaria SAMREF, pertencente à Saudi Aramco e situada no porto de Yanbu, no Mar Vermelho, também foi alvo de um ataque aéreo. A Kuwait Petroleum Corporation relatou que uma unidade operacional em sua refinaria Mina al-Ahmadi foi atingida por um drone, o que resultou em um incêndio limitado.

Cerca de um dia antes dos ataques, o Irã emitiu alertas de retirada para várias instalações petrolíferas na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, preparando-se para uma retaliação aos ataques contra sua infraestrutura energética em South Pars e Asaluyeh.

Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Israel não realizará mais ataques desse tipo, acrescentando que não deseja novos ataques à infraestrutura energética do Irã.

2 – Aumento no Preço do Petróleo

As tensões geopolíticas originadas do ataque de Israel ao extenso campo de gás de South Pars e as retaliações do Irã, que incluem ameaças de novos ataques iranianos a alvos de petróleo e gás na região do Golfo, resultaram em um crescimento nos preços do petróleo.

Em resposta a esses eventos, o contrato mais líquido do Brent, com vencimento em maio, esteve próximo de alcançar o patamar de US$ 120 o barril. Ao longo da máxima intradia, o barril foi negociado a US$ 119,10. Por volta das 9h50 (horário de Brasília), o preço do Brent apresentava uma alta de 5,10%, atingindo US$ 112,82 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Essa movimentação intensifica os receios de que os efeitos do conflito, que já dura quase três semanas, possam ser ainda mais abrangentes e duradouros do que se previa inicialmente.

Além do petróleo, o gás natural no mercado europeu também registrou um aumento acentuado, chegando a uma alta de até 35%. Esse crescimento é resultado dos ataques do Irã a um importante complexo de gás natural liquefeito (GNL) no Catar.

3 – Taxas de Juros no Brasil e nos EUA

Na data de ontem (18), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a Selic de 15,00% para 14,75% ao ano. Esta ação marca a primeira flexibilização da taxa desde julho e está em conformidade com as expectativas do mercado.

No comunicado emitido pelo Copom, os diretores relataram que o ambiente externo se tornou mais incerto devido ao agravamento dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio. O Comitê enfatizou a necessidade de cautela por parte dos países emergentes em um contexto caracterizado por uma elevação na volatilidade dos preços de ativos e commodities.

Além disso, a equipe do Copom observou que os riscos à inflação, tanto de alta quanto de baixa, que já estavam acima do usual, intensificaram-se após o início dos conflitos na região do Oriente Médio.

A quarta-feira também foi marcada por decisões de política monetária nos Estados Unidos. O Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve optou por manter as taxas de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, como o mercado esperava amplamente. No entanto, essa decisão não foi unânime, pois Stephen Miran votou para uma redução de 0,25 ponto percentual.

O Fomc mantém a previsão de apenas um corte nas taxas de juros em 2026. O sumário de projeção econômica (SEP) e o gráfico de pontos, conhecido como ‘dot plot’, indicam que a mediana para o Fed Funds continua em 3,4% para este ano, sugerindo uma taxa de juros entre 3,25% e 3,50% até dezembro.

4 – Acordo Entre EUA e Brasil

Os Estados Unidos estão atualmente envolvidos em negociações com o Brasil com o objetivo de estabelecer um acordo referente a cadeias de suprimentos de minerais críticos, conforme declarado pelo Encarregado de Negócios dos Estados Unidos, Gabriel Escobar, em meio à crescente tensão diplomática com o governo brasileiro, que na semana passada se retirou de um fórum patrocinado pela embaixada americana.

“Estamos em processo de negociação para um acordo em nível federal. Estamos discutindo, tivemos algumas conversações preliminares, mas ainda aguardamos desenvolvimentos”, afirmou Escobar, após assinar um acordo separado com o Estado de Goiás, durante uma solenidade anterior ao fórum que ocorreu na quarta-feira (18).

Representantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não puderam participar do Fórum Brasil-Estados Unidos sobre Minerais Críticos em São Paulo, devido a um conflito com um compromisso precedente, de acordo com a informação fornecida por um porta-voz.

O evento, patrocinado pela embaixada dos EUA e realizado na Câmara Americana de Comércio Amcham Brasil, em São Paulo, visou estimular a formação de conexões entre investidores norte-americanos e empresas brasileiras que buscam produzir minerais críticos. O Citi e a Anglo American estavam entre as empresas participantes desse encontro.

5 – Mudanças na Fazenda

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, está previsto para anunciar sua candidatura ao governo do Estado de São Paulo durante um pronunciamento que deve ocorrer na noite desta quinta-feira, na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, ao lado do presidente Lula (PT).

Após meses de negociação, Haddad decidiu acolher um pedido de Lula para concorrer no Estado, como parte de uma estratégia para fortalecer a campanha do petista em São Paulo, visando a disputa presidencial futura.

Até este momento, o candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), continua liderando nas pesquisas de intenção de voto.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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