Ibovespa inicia pregão em baixa após dados de inflação
O Ibovespa (IBOV) começa a sessão de hoje com um desempenho negativo, influenciado pela divulgação de que a inflação superou as expectativas para o mês de maio, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo Banco Central. A evolução das negociações entre os Estados Unidos e o Irã, incluindo a potencial assinatura de um memorando de entendimentos neste fim de semana, permanece no foco dos investidores.
Desempenho do IBOV e Dólar
Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o principal índice da bolsa brasileira apresentava uma queda de 0,60%, situando-se em 170.419,69 pontos. Contudo, poucos minutos depois, o IBOV reverteu essa tendência, registrando um leve aumento de 0,14%, alcançando 171.718,44 pontos por volta das 10h20.
O dólar à vista demonstrou uma alta em relação ao real, contrariando a movimentação da moeda no mercado internacional. No mesmo horário mencionado, a moeda estava cotada a R$ 5,1055 (+0,08%). O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, operava em leve queda de 0,02%, atingindo 99.836 pontos.
5 assuntos para saber ao investir no Ibovespa nesta sexta-feira (12)
1 – Inflação desacelera, mas permanece acima do teto da meta do BC
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou desaceleração quando comparado ao mês anterior, ainda que a inflação oficial do Brasil tenha aumentado 0,58% em maio, conforme informações divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira. Em abril, o índice de preços havia avançado 0,67% no mesmo período.
No acumulado em 12 meses, a inflação registrou um aumento de 4,72% — valor que se encontra acima da meta estipulada pelo Banco Central (BC), que é de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
As previsões do mercado apontavam um aumento de 0,55% para maio, conforme a mediana apurada pelo Broadcast. Para o acumulado em 12 meses, a mediana indicava uma alta de 4,68%, superando os 4,39% verificados em abril, permanecendo acima do teto da meta de inflação.
2 – Privatização da Copasa
A privatização da Copasa (CSMG3) movimentou R$ 8,3 bilhões, considerando o lote principal de ações. A venda da Copasa representa uma das maiores operações do mercado de capitais brasileiro nos últimos anos.
Na oferta pública, as ações foram precificadas em R$ 49,03 cada, valor que supera os R$ 47,23 mínimos estabelecidos pelo Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG).
A oferta pública secundária envolveu a venda de ações pertencentes ao Estado de Minas Gerais, que já havia realizado a venda de parte da companhia para a Equatorial, totalizando R$ 5,6 bilhões.
A estruturação da oferta pública foi realizada com a venda de ações detidas pelo governo mineiro, com o suporte de instituições financeiras como BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America, Citi e UBS BB.
3 – Avanço nas negociações EUA-Irã
No início da tarde de ontem, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cancelou ataques previamente planejados contra o Irã.
“Após considerar que as discussões com a República Islâmica do Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas, eu, na qualidade de presidente dos Estados Unidos, decidi cancelar os ataques programados contra o Irã para esta noite”, publicou Trump em sua rede social, Truth Social.
O presidente norte-americano mencionou que “as discussões e os acordos finais” foram aprovados por países aliados dos EUA no Oriente Médio, incluindo Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Barein, Kuwait, Jordânia, e Egito. Entretanto, o acordo ainda não foi formalmente assinado, e o bloqueio naval no Estreito de Ormuz continua em vigor.
Tanto o Irã quanto Israel negaram a existência de um memorando de entendimentos a ser assinado para um acordo de paz. No entanto, ao final da tarde, o gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, confirmou discussões com Trump e elogiou o compromisso dos EUA em exigir que o Irã desmonte sua infraestrutura de enriquecimento nuclear e remova material enriquecido do país.
A mídia iraniana noticiou que o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, revelou que uma parte significativa do texto da negociação foi finalizada, embora não haja um entendimento final. “O Irã ainda não chegou a uma conclusão definitiva sobre um acordo”, afirmou.
4 – Petróleo em queda
Diante das expectativas de uma possível resolução da guerra no Oriente Médio e ao receber relatos de que a assinatura do memorando entre os EUA e o Irã pode ocorrer no próximo domingo (14), os preços do petróleo seguem em declínio, estendendo as perdas iniciadas na sessão anterior.
Por volta das 10h (horário de Brasília), os contratos mais líquidos do Brent, referência para o mercado internacional, observaram uma queda de 2,52%, sendo negociados a US$ 88,10 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.
Os contratos do petróleo West Texas Intermediate (WTI) para julho apresentavam um recuo de 2,90%, sendo cotados a US$ 85,15 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), também nos EUA, no mesmo horário.
5 – Expectativa de alta nos juros no Japão
O Banco do Japão deve elevar suas taxas de juros para o nível mais alto em 31 anos na próxima semana, além de sinalizar que está disposto a continuar aumentando os custos dos empréstimos. Isso ocorre em um momento em que a instituição se concentra em enfrentar os riscos inflacionários derivados do conflito no Oriente Médio.
A decisão do Banco do Japão deverá alinhar-se com a postura de outros bancos centrais que estão adotando políticas monetárias mais restritivas, incluindo o Banco Central Europeu (BCE), que já elevou suas taxas em 25 pontos-base, alcançando 2,25% ao ano, na última quinta-feira (11).
Fonte: www.moneytimes.com.br