Mercado Financeiro em Análise
O Ibovespa (IBOV) começou o mês de março de forma positiva, impulsionado pela dramaticidade de alta nos preços do petróleo, em meio ao aumento das tensões geopolíticas desencadeadas pelo recente ataque dos Estados Unidos ao Irã, ocorrido no final de semana.
Desempenho do Ibovespa e Dólar
Nesta segunda-feira, 2 de março, o principal índice da bolsa brasileira finalizou as operações com um incremento de 0,28%, alcançando 189.307,02 pontos. Por outro lado, o dólar à vista (USDBRL) encerrou o dia cotado a R$ 5,1659, apresentando uma alta de 0,62%.
No contexto interno, os investidores reagiram a novas estimativas para os principais indicadores econômicos, aguardando a divulgação de dados sobre o emprego. Os economistas que consultados pelo Banco Central (BC) revisaram as previsões para a Selic em 2026 pela segunda vez consecutiva, reduzindo a expectativa de 12,13% para 12% ao ano até dezembro, conforme divulgado no Boletim Focus.
As expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 permaneceram inalteradas em 3,91%, após a divulgação de um IPCA-15 mais robusto do que o aguardado na semana anterior. No entanto, a atenção dos investidores estava voltada para os acontecimentos internacionais. No último sábado (28), os Estados Unidos, em conjunto com Israel, realizaram ataques ao Irã, resultando na confirmação da morte do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, e no fechamento do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o transporte de petróleo em todo o mundo.
Na tarde de hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, mencionou em uma coletiva de imprensa que os ataques ao Irã devem se prolongar por um período de quatro a cinco semanas, embora tenha colocado em evidência a possibilidade de uma duração ainda maior.
Altas e Quedas do Ibovespa
O Ibovespa (IBOV) iniciou as operações em queda de quase 1%, mas posteriormente conseguiu recuperar as perdas com o suporte das ações da Petrobras (PETR4). Os papéis da estatal, que têm um peso significativo no índice, apresentaram uma alta superior a 4,5% ante a valorização do petróleo Brent.
Com a intensificação das tensões no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Ormuz, o preço do petróleo Brent disparou mais de 13% durante a sessão. Os contratos mais líquidos para maio encerraram com um aumento de 6,68%, cotados a US$ 77,74 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), localizada em Londres.
Entretanto, a liderança em alta no Ibovespa foi protagonizada pela Prio (PRIO3), que subiu 5,12%, alcançando R$ 57,28. Em contrapartida, a Braskem (BRKM5) liderou as quedas, com o mercado processando informações acerca da redução nas vendas de resinas e principais químicos no Brasil, conforme relatado em um relatório operacional do quarto trimestre de 2025 (4T25). O papel da petroquímica finalizou o dia com uma queda de 3,55%, cotado a R$ 9,25. Os dados revelam uma situação desafiadora, segundo a análise do BTG Pactual, que permanece cauteloso em relação ao cenário do setor petroquímico.
Movimentações no Exterior
Os índices de Wall Street apresentaram um desempenho misto, à medida que os investidores monitoravam os desdobramentos dos ataques coordenados dos Estados Unidos ao Irã, que tiveram início no último sábado (28).
Após os ataques, o presidente Trump declarou que uma “grande onda” de ações militares ainda está por vir na guerra com o Irã, durante uma entrevista à CNN. Ele enfatizou que a verdadeira ofensiva ainda não começou, afirmando que “a grande onda está chegando” e questionou sobre a liderança do país persa, observando que não estavam claros quais seriam os próximos líderes escolhidos.
De acordo com o Polymarket, as probabilidades indicam uma chance de 40% para um cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã até o final de junho.
Fechamento dos Índices
Confira o fechamento dos principais índices na bolsa americana:
- Dow Jones: -0,15%, aos 48.904,78 pontos;
- S&P 500: +0,04%, aos 6.881,62 pontos;
- Nasdaq: +0,36%, aos 22.748,85 pontos.
Na Europa, os principais índices encerraram o dia com quedas acentuadas. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou as operações com uma queda de 1,65%, situando-se aos 623,36 pontos.
Na Ásia, os índices também terminaram em um quadro negativo, refletindo o aumento das incertezas. O índice Nikkei, do Japão, recuou 1,35%, finalizando em 58.057,24 pontos; enquanto o índice Hang Seng, de Hong Kong, teve um recuo de 2,14%, encerrando em 26.059,85 pontos.
Fonte: www.moneytimes.com.br