Disputa Entre Disney e YouTube TV
Contexto Atual
Estamos no 14º dia do impasse entre a Disney e o YouTube TV. Este é o mais longo período de blackout de distribuição da Disney, superando o dispute com a DirecTV, que durou 13 dias em 2024. De acordo com informações, as partes estão se aproximando de um acordo, com consideráveis avanços nas últimas 24 horas. Fontes confirmam que as discussões sobre o acordo continuaram até tarde da noite anterior.
Impacto Financeiro
Hoje, a Disney divulgou seus resultados financeiros, e é esperado que os executivos respondam a perguntas de analistas sobre os impactos comerciais do impasse. O analista Ben Swinburne, do Morgan Stanley, estima que a Disney está perdendo cerca de 30 milhões de dólares a cada semana em que suas redes permanecem fora do YouTube TV. Infelizmente, não será possível celebrar um sucesso durante a chamada sobre os resultados, conforme a situação atual.
Questões Relevantes
Vamos abordar três questões que considero subestimadas ou ignoradas nas últimas duas semanas.
Questão 1: Aumento de Preço
Não temos informações exatas sobre o aumento de preço que a Disney busca do YouTube TV para continuar a exibição de suas redes, sendo ESPN e ABC as mais caras. Um aspecto curioso da estratégia da Disney é a transmissão simultânea de determinados jogos de futebol na segunda-feira tanto na ESPN quanto na ABC. Isso permite que assinantes de TV a cabo e não-cabo assistam a jogos específicos, além de oferecer à empresa a possibilidade de cobrar duas vezes os provedores de TV paga, argumentando que a popularidade do Monday Night Football, programa mais assistido da TV a cabo, agrega valor tanto para ESPN quanto para ABC.
Nenhum outro conglomerado de mídia que possua uma rede de transmissão utiliza esta estratégia de transmissão simultânea. Embora não esteja claro se essa questão irrita especificamente o YouTube TV, foi mencionada como um ponto de dificultação, e a lógica sugere que possa ser um fator.
Ainda assim, essa questão não impediu a Disney de estabelecer acordos de distribuição com outros grandes provedores, incluindo a Comcast há poucas semanas, por isso não parece ser um obstáculo intransponível.
Questão 2: Vendas de Serviços de Streaming
Conforme mencionado anteriormente, um ponto de contenda entre a Disney e o YouTube TV é se os serviços de streaming da Disney deveriam ser vendidos nos Primetime Channels do YouTube. Apesar de eu acreditar que isso é um problema menor em relação à pura economia, é uma questão interessante que merece análise.
Os "Channels" permitem que os usuários do YouTube TV acessem redes premium e alguns serviços de streaming na plataforma. A Amazon Prime Video também possui uma loja de Channels. Para a maioria das empresas de mídia, a inclusão dos Channels não representa um obstáculo no acordo de distribuição. A Warner Bros. Discovery sempre vendeu HBO como um canal adicional e não se opõe a vender HBO Max da mesma maneira. O mesmo pode ser dito em relação à Paramount, que transformou o que antes era chamado de Showtime em um canal de cabo premium para conteúdo do Paramount+.
Entretanto, a Disney não está disponível nos Amazon Channels e informou ao YouTube TV que não tem intenção de se juntar aos YouTube Channels, preferindo que seus assinantes permaneçam em seu próprio ecossistema. investimentos consideráveis foram feitos para integrar ESPN e Hulu ao Disney+. A Disney busca uma relação direta com seus consumidores e os dados resultantes.
Por que o YouTube TV se importa? A razão está no valor dos conteúdos exclusivos que pertencem aos serviços de streaming da Disney. Há bilhões de dólares em programação valiosa, nova e antiga, no Disney+ e Hulu que não pode ser acessada com uma assinatura de TV a cabo típica. Essa distinção torna a Disney diferente da Fox e da NBCUniversal, que recentemente fecharam acordos com o YouTube TV.
Embora o Peacock tenha algum conteúdo original que não pode ser acessado por meio do canal de cabo da NBCU, isso é insignificante em comparação ao que está disponível no Disney+ (incluindo Hulu e ESPN). O YouTube TV desistiu da ideia de incluir Disney+ nos Channels, mas ainda busca garantir que o serviço direto ao consumidor da ESPN esteja disponível no YouTube TV, embora não nos Channels.
Questão 3: Influência da Liderança
Um dos executivos mais importantes da Disney em todos os acordos de distribuição nos últimos cinco anos foi Justin Connolly, que ocupou o cargo de presidente de distribuição de plataforma. Connolly deixou a Disney para se juntar ao YouTube TV no início deste ano. Sua saída foi tão significativa que a Disney processou o YouTube por essa movimentação. Este processo foi resolvido pouco antes do início do blackout.
Connolly se afastou dessas negociações, e várias fontes próximas ao seu trabalho na Disney questionam se o blackout já teria sido resolvido se ele ainda estivesse na empresa. A ausência dele pode ter deixado Bob Iger, o presidente da ESPN Jimmy Pitaro e a chefe de TV da Disney, Dana Walden, sem um fechador confiável em negociações tensas.
Essas negociações frequentemente incluem cláusulas conhecidas como "nações mais favorecidas", que garantem que mudanças tarifárias sejam ajustadas entre os concorrentes, dificultando negociações futuras. YouTube TV pode desejar tarifas significativamente melhores nos próximos anos, com base no crescimento projetado, mas essas cláusulas de escalonamento costumam ser problemáticas para os provedores de conteúdo, que precisariam reescrever contratos existentes.
A situação atual pode estar ligada à falta de Connolly à mesa de negociações e ao fato de ele estar trabalhando para a contraparte, mesmo que não esteja diretamente envolvido nas discussões.
Intervenção da FCC
O presidente da FCC, Brendan Carr, também se manifestou, afirmando que tanto Google quanto Disney precisam chegar a um acordo e encerrar o blackout, ressaltando que os espectadores têm o direito de assistir à programação pela qual pagaram.
Atualizações indicam que um acordo está mais próximo do que esteve nas últimas duas semanas. Contudo, a espera continua.
Outros Assuntos Esportivos Relevantes
Uma nota rápida sobre a contínua saga da Warner Bros. Discovery e suas conversões. Recentemente, o co-CEO da Comcast, Mike Cavanagh, mencionou durante a teleconferência de resultados que a Comcast estaria interessada em adquirir ativos de streaming e estúdios. A intenção é focar na compra de ativos de streaming, excluindo redes de cabo.
A NBCU, por outro lado, estaria interessada na TNT Sports, que possui direitos importantes para vários eventos esportivos. O problema é que a TNT Sports é provavelmente o ativo mais valioso da Discovery Global, parte da Warner Bros. Discovery que a Comcast não deseja adquirir.
Destaques da CNBC Sport
- A Snow League, startup de esportes de neve de Shaun White, levantou 15 milhões de dólares em novo financiamento.
- A PrizePicks, empresa emergente de apostas esportivas, se expandiu para mercados de previsão, permitindo a entrada em novos estados.
- A CNBC relatou que a NBA deve atingir 14,3 bilhões de dólares em receita este ano, representando um aumento de 12% em relação aos 12,75 bilhões do ano anterior.
Comentário de Patrick Dumont
O proprietário do Dallas Mavericks, Patrick Dumont, se desculpou pelo trade de Luka Dončić, afirmando que “se sente horrível pelo trade e quer reparar isso”. Essa declaração foi feita a um fã que usava a camiseta de Dončić durante um jogo da equipe.
Expansão da NWSL
A NWSL anunciou uma nova equipe de expansão para Atlanta, que começará a jogar na primavera de 2028. A equipe será de propriedade de Arthur Blank, que também é proprietário do Atlanta Falcons e do Atlanta United FC.
Fonte: www.cnbc.com


