Inadimplência atinge 4,3% no Brasil e famílias destinam 29% da renda para quitações de dívidas, revela BC

Inadimplência no Sistema Financeiro Nacional

A inadimplência na carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) aumentou 0,2 ponto percentual no mês de fevereiro, alcançando 4,3%, conforme as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central nesta segunda-feira, 30.

Aumento da Inadimplência por Setor

De acordo com o relatório, mesmo diante do crescimento no crédito, a inadimplência referente a pessoas jurídicas subiu 0,2 ponto percentual, atingindo 2,6%. No mesmo mês, a inadimplência para pessoas físicas também subiu na mesma proporção, elevando-se para 5,2%.

Além disso, no crédito com recursos livres, a inadimplência também apresentou um aumento de 0,2 ponto percentual no mês, atingindo 5,5%. Esse crescimento foi observado tanto nas carteiras de empresas quanto nas de famílias.

Cálculo da Inadimplência

A taxa de inadimplência do SFN é calculada pelo Banco Central a partir da proporção de operações de crédito que possuem atraso superior a 90 dias, em relação ao estoque total de crédito do sistema. Este indicador agrega, ainda, uma média ponderada das carteiras de pessoas físicas e jurídicas em diversas modalidades de crédito, desde o livre até o direcionado. A taxa serve como um termômetro para a saúde financeira de famílias e empresas em relação às suas obrigações com o sistema bancário.

Juros Elevados e Impacto na Inadimplência

A taxa média de juros nas concessões de crédito aumentou 0,3 ponto percentual no mês de fevereiro e 2,6 pontos percentuais nos últimos doze meses, atingindo 33% ao ano. O spread bancário também se elevou, alcançando 22,1 pontos percentuais, com um acréscimo mensal de 0,5 ponto percentual e de 2,8 pontos percentuais em relação ao ano anterior.

No que diz respeito ao crédito livre às famílias, a taxa média subiu para 62,0% ao ano, com um aumento de 1,0 ponto percentual no mês e de 5,4 pontos percentuais no período de um ano. O cartão de crédito rotativo apresentou um destaque negativo, com uma alta significativa de 11,4 pontos percentuais na taxa média. Para as empresas, a taxa média de crédito livre permaneceu em 24,9% ao ano, apresentando um leve recuo de 0,1 ponto percentual no mês.

O Indicador de Custo do Crédito (ICC), que mede o custo médio de todo o crédito no SFN, atingiu 24,2% ao ano em fevereiro, com um aumento de 0,3 ponto percentual mensal e de 1,9 ponto percentual em doze meses.

Endividamento das Famílias

O endividamento das famílias brasileiras permaneceu em 49,7% em janeiro, refletindo estabilidade no mês e um aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao ano anterior. O comprometimento da renda das famílias também cresceu, subindo 0,1 ponto percentual no mês e 1,6 ponto percentual nos últimos doze meses, alcançando 29,3%.

O comprometimento de renda é um indicador que mede a proporção da renda mensal das famílias que é destinada ao pagamento de dívidas. Economistas consideram que, quando esse indicador se aproxima de 30%, o orçamento familiar enfrenta uma pressão significativa, resultando em menor espaço para consumo e maior risco de inadimplência futura.

Desaceleração no Crédito

O estoque das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional alcançou R$ 7,1 trilhões em fevereiro, apresentando um crescimento mensal de 0,4%. O crédito às famílias subiu 0,6%, totalizando R$ 4,5 trilhões, enquanto o crédito destinado às empresas manteve-se estável em R$ 2,7 trilhões.

No acumulado de doze meses, o crescimento do crédito desacelerou, apresentando um aumento de 9,6%, em comparação ao crescimento de 10,1% registrado até janeiro. O crédito para pessoas jurídicas cresceu 7,1% na base anual, mostrando uma desaceleração em relação aos 8,3% de janeiro. Já o crédito para pessoas físicas teve um crescimento de 11,2%, ligeiramente abaixo dos 11,3% do mês anterior.

Crescimento nos Créditos Consignado e Imobiliário

Dentre as modalidades de crédito com recursos livres disponíveis para pessoas físicas, o crédito consignado privado destacou-se pela expansão, alcançando uma alta de 5,9% em fevereiro. O financiamento para aquisição de veículos apresentou um crescimento de 1,3%, o crédito pessoal não consignado avançou 1,2% e o consignado destinado a beneficiários do INSS cresceu 1,5%. Por outro lado, o cartão de crédito à vista teve uma queda de 2,9%, motivada pela redução de três dias úteis no mês.

No segmento de crédito direcionado, o financiamento imobiliário, com taxas reguladas, avançou 0,8% no mês. Esse crescimento contribuiu para uma elevação de 0,9% na carteira direcionada às famílias, que totalizou R$ 2,0 trilhões.

As concessões nominais somaram R$ 602,3 bilhões em fevereiro. Ao se considerar o ajuste sazonal, as novas contratações apresentaram uma diminuição de 0,5% em relação ao mês anterior, sendo que houve uma recessão de 1,9% nas operações com pessoas jurídicas e um aumento de 0,3% nas operações com pessoas físicas.

Fonte: timesbrasil.com.br

Related posts

Agenda econômica: Principais indicadores que impactam as bolsas nesta quinta-feira (16/07/2026)

EUA anunciam tarifas de 25% sobre produtos brasileiros

Ibovespa em baixa: pressão política, aumento da taxa de juros e incertezas sobre tarifas dos EUA.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais