Crédito no Brasil em Fevereiro
A fotografia do crédito no Brasil em fevereiro revela um cenário mais desafiador tanto para consumidores quanto para empresas. A inadimplência no segmento de recursos livres alcançou a taxa de 5,5%, superior aos 5,3% registrados em janeiro, atingindo o maior nível desde agosto de 2017. No acumulado dos últimos 12 meses, o indicador aumentou em 1,0 ponto percentual, ressaltando a deterioração gradual das condições financeiras no país.
Impactos e Mudanças Regulatórias
O Banco Central destacou que esse movimento não é resultado apenas de uma piora real na capacidade de pagamento, mas também das mudanças regulatórias mais recentes. O BC enfatizou que “o aumento reflete tanto um crescimento real na inadimplência quanto o impacto de novas regras contábeis implementadas em janeiro do ano passado, que correspondem a cerca de metade do aumento observado.” Esse ajuste metodológico ajuda a explicar parte da elevação da inadimplência, mas não elimina o alerta sobre o crédito.
Concessões de Empréstimos e Estoque de Crédito
Na dimensão da oferta, o ritmo de concessão de empréstimos apresentou uma desaceleração. Em fevereiro, as concessões de empréstimos caíram 6,5% em comparação ao mês anterior. Apesar disso, o estoque total de crédito conseguiu avançar 0,4%, atingindo R$ 7,146 trilhões. Dentro desse contexto, as operações com recursos livres tiveram uma queda de 6,8%, enquanto as linhas direcionadas apresentaram uma diminuição de 2,7%, indicando uma retração generalizada na demanda e/ou uma maior seletividade por parte das instituições financeiras.
Custo do Crédito
O custo do crédito se mantém elevado. As taxas médias cobradas nas operações com recursos livres subiram para 48,6% ao ano, refletindo um aumento de 0,8 ponto percentual em relação ao mês anterior. Por outro lado, nas operações com recursos direcionados, houve uma leve redução de 0,1 ponto, registrando 11,4%. O spread bancário também apresentou uma ampliação, passando de 34,3 para 35,3 pontos percentuais, o que evidencia uma maior percepção de risco por parte das instituições financeiras.
Perspectivas da Política Monetária
Apesar deste cenário restritivo, a política monetária começa a indicar um possível ponto de inflexão. Em março, o Banco Central deu início a um ciclo de afrouxamento, realizando um corte de 25 pontos-base na taxa Selic, que agora é de 14,75%. Todavia, é esperado que o impacto desse movimento seja gradual, principalmente em um ambiente marcado pelo crescimento da inadimplência e pelo crédito com custos mais elevados.
Impactos no Setor Bancário e Mercado
Do ponto de vista de mercado, o aumento da inadimplência, combinado com a retração nas concessões, tende a colocar pressão sobre o setor bancário no curto prazo, especialmente em relação à qualidade dos ativos e às provisões. Em contrapartida, spreads mais altos podem sustentar margens financeiras. No mercado cambial, um cenário de crédito mais fraco pode reduzir a atividade econômica e influenciar as expectativas sobre as taxas de juros futuras. No mercado de títulos públicos, há um potencial para reprecificação à medida que o ciclo de cortes na Selic avança.
(bc)
Fonte: br.-.com