Incertezas sobre eleições e contas públicas superam alívio externo, aponta Austin Rating – Times Brasil

Análise do Desempenho do Ibovespa

A queda recente do preço do petróleo, junto a preocupações relacionadas ao cenário fiscal e político no Brasil, foram fatores que contribuíram para o fechamento em baixa do Ibovespa, mesmo em uma jornada de recuperação nos mercados internacionais. Essa análise é apresentada por Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating.

Impactos da Petrobras no Ibovespa

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Agostini destacou que a desvalorização das ações da Petrobras foi fundamental para o desempenho negativo do índice. A estatal é responsável por aproximadamente 12% da composição do Ibovespa. Ele ressaltou, no entanto, que os aspectos nacionais abordam um problema mais abrangente que vai além das flutuações no setor de energia.

“O ambiente externo parece que começa a ficar um pouco mais positivo com essa suspensão do conflito, mas, tirando isso, começa-se a avaliar os fundamentos da economia, que não são tão positivos assim”, apontou Agostini.

Contexto Econômico

O economista observou que as revisões para cima das expectativas de crescimento, inflação e juros no Boletim Focus são reflexos da expansão fiscal e suas consequências na economia. O aumento dos gastos públicos, embora contribua para a sustentação do crescimento, também gera pressões inflacionárias e levanta incertezas sobre o futuro das contas públicas.

De acordo com Agostini, a cautela dos investidores está intimamente ligada às incertezas em torno das eleições presidenciais, assim como à falta de propostas concretas relativas à política fiscal para o período a partir de 2027. “Começa a pesar mais o ambiente eleitoral, ou seja, a dúvida de qual será o próximo ciclo econômico do próximo governo”, afirmou.

Perspectivas para a Petrobras

Ainda em relação à Petrobras, Agostini indicou que ainda é complicado estimar o impacto de uma possível queda adicional no preço do petróleo sobre as ações da empresa. Além do preço da commodity, os investidores estrangeiros têm se mostrado atentos a fatores como as relações comerciais entre o Brasil e os Estados Unidos, assim como ao contexto político interno, antes de decidir aumentar suas posições no mercado brasileiro.

Política Monetária

A respeito da política monetária, Agostini prevê a manutenção das taxas de juros nos Estados Unidos, além de um corte de 0,25 ponto percentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária. Apesar do alívio proporcionado pela diminuição das tensões no Oriente Médio, ele avalia que o aumento dos preços de serviços permanece elevado e deverá ser uma preocupação contínua para o Banco Central.

“O mercado de trabalho no Brasil segue aquecido e, para que a política monetária tenha efeito, é necessário desacelerar a atividade econômica. Isso ainda não ocorreu”, declarou.

Fluxo de Investimentos Externos

Quanto ao fluxo internacional de recursos, Agostini acredita que o Brasil continua bem posicionado para atrair investimentos associados à transição energética, inteligência artificial, data centers e minerais críticos. Contudo, ele observou que as incertezas fiscais e eleitorais ainda limitam o potencial de valorização dos ativos brasileiros no curto prazo.

“Se a gente não tivesse esses dois pontos tão preocupantes em relação ao futuro, não há dúvida de que o Brasil seria um expoente entre os emergentes para investimentos”, concluiu Agostini.

Fonte: timesbrasil.com.br

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