Encerramento do Acordo entre Construtoras
As construtoras e incorporadoras BRZ Empreendimentos e Fica Empreendimentos anunciaram por meio de fatos relevantes que a tentativa de combinação de negócios foi oficialmente encerrada.
As duas companhias comunicaram que expirou o prazo do memorando de entendimentos (MOU) firmado entre elas em agosto de 2025, sem que houvesse consenso em relação aos termos finais da operação.
Assim, o acordo foi rescindido automaticamente, juntamente com a proposta vinculante estabelecida pela BRZ junto aos acionistas controladores da Fica, que são Total Log Planejamento e Promult Empreendimentos.
Operação e Impactos Potenciais
O memorando de entendimentos previa a unificação das bases acionárias e a criação de uma nova companhia, onde a BRZ deteria 85% de participação e a Fica, 15%.
A transação poderia operar de maneira semelhante a um IPO reverso. Isso se deve ao fato de que a BRZ não é negociada na bolsa de valores, enquanto a Fica já é uma companhia aberta desde 2007.
Na prática, ao se fundir com uma empresa já listada, a BRZ herdaria essa condição e tornaria-se capaz de negociar ações na B3, evitando assim a necessidade de realizar um oferta pública tradicional , ou seja, um IPO.
“O MOU foi rescindido de pleno direito, bem como a proposta vinculante celebrada entre a BRZ e os acionistas da FICA”, informaram as duas companhias em seus comunicados.
Identificação das Empresas
A BRZ foi fundada em 2010 na cidade de Belo Horizonte, em Minas Gerais, e atua principalmente no segmento de habitação de baixa renda, com projetos voltados para o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
No ano de 2025, a incorporadora lançou 12 empreendimentos, totalizando mais de 4,4 mil unidades e um Valor Geral de Vendas (VGV) equivalente a R$ 1,25 bilhão.
Por outro lado, a Fica, anteriormente conhecida como CRZ Empreendimentos, foi criada em janeiro de 2006 e ao longo de sua trajetória já entregou mais de 8,3 mil unidades habitacionais.
A companhia abriu capital em 2007 e, inicialmente, suas ações eram negociadas sob o código CRDE3 no Novo Mercado da B3. Após passar por um processo de reestruturação, a empresa adotou a marca FICA (FIEI3) em 2023.
Características do IPO Reverso
Diante da escassez de novas ofertas públicas iniciais no Brasil, o chamado IPO reverso tem se apresentado como uma alternativa para o acesso ao mercado de capitais.
Nesse modelo, uma empresa fechada assume o controle de uma companhia que já está listada, permitindo assim que a empresa adquirente acesse a bolsa sem a necessidade de seguir o processo tradicional de um IPO, o qual inclui auditorias, aprovação regulatória e esforços de distribuição junto a investidores.
Entretanto, em uma operação desse tipo, para a empresa compradora, existe o risco de não ter total controle sobre o histórico da companhia anterior, tornando-se suscetível ao passivo que está sendo adquirido.
Para os investidores, a maior preocupação recai sobre a previsibilidade reduzida em relação à nova organização resultante da fusão, visto que a falta do processo típico de um IPO tradicional, que envolve uma ampla divulgação de informações e um roadshow, pode fazer com que o mercado tenha menos tempo para avaliar adequadamente o novo negócio a ser apresentado.
Fonte: www.moneytimes.com.br

