Indústria de cimento altera previsões de vendas para 2025

A comercialização de cimento no Brasil em 2023

A comercialização de cimento no Brasil neste ano está prevista para crescer 2% em comparação ao desempenho forte de 2024. Esse aumento é impulsionado, em parte, pela expansão observada no Nordeste, que até setembro acumulou um crescimento superior a 6%, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (9) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Cimento (Snic).

A expectativa para o crescimento é ligeiramente superior à estimativa inicial da entidade, que previa um crescimento de cerca de 1% para este ano.

Demanda habitacional e investimentos em saneamento

Paulo Camillo Penna, presidente do Snic, comentou sobre a situação do setor. Ele destacou que o programa “Minha Casa Minha Vida” (MCMV) no Nordeste está forte, com uma alta demanda por construções habitacionais populares e por obras de saneamento, as quais finalmente estão começando a sair dos projetos e serem executadas.

Crescimento das vendas em setembro e no terceiro trimestre

As vendas de cimento no Brasil em setembro deste ano cresceram 4,6% em comparação ao mesmo mês do ano anterior, totalizando 6,07 milhões de toneladas. No terceiro trimestre, o crescimento foi de 1,7% em relação ao mesmo período de 2024, alcançando 18,2 milhões de toneladas, conforme a entidade.

No acumulado do ano, as vendas apresentaram um crescimento de 3%, somando 50,2 milhões de toneladas. No entanto, a expectativa da entidade é de uma desaceleração nas vendas para o restante deste ano.

Perspectivas de desaceleração e crescimento futuro

Penna observou que, normalmente, o segundo semestre apresenta uma sazonalidade positiva nas vendas de cimento. Contudo, ele mencionou que está sendo verificada uma desaceleração, com uma tendência de redução no crescimento. Essa diminuição pode ser atribuída a fatores como a queda nos lançamentos do programa MCMV e as taxas de juros elevadas que afetam a economia.

Quando questionado sobre as expectativas para 2026, um ano marcado por eleições, Penna expressou cautela, apesar das previsões de queda na taxa Selic a partir do início do próximo ano. Ele observou que, tradicionalmente, anos eleitorais tendem a fomentar uma movimentação maior na economia, mas não há previsão de um cenário que justifique um otimismo significativo para o próximo ano.

O presidente do Snic também destacou que o setor já se encontra em uma base robusta, com dois anos consecutivos de crescimento nas vendas. Ele afirmou que qualquer crescimento no próximo ano deverá ser considerado um esforço considerável.

Contratação de novas moradias eumento nas vendas

Pena afirmou que o programa MCMV pode resultar na contratação de 2,5 milhões de moradias entre 2023 e o final de 2026, o que poderia adicionar entre 12 milhões e 13 milhões de toneladas às vendas de cimento no Brasil. Anteriormente, a expectativa era de que o programa habitacional resultasse em 10 milhões de toneladas, com uma contratação de 2 milhões de moradias até o final de 2026.

“Vamos superar a marca dos 2 milhões com folga”, declarou o presidente do Snic, referindo-se às projeções de contratação de moradias.

Desenvolvimentos em pavimentação e sustentabilidade

Além do setor habitacional, há uma movimentação no mercado para acelerar a substituição do asfalto pelo concreto como material de pavimentação em ruas, avenidas e rodovias do país. Penna destacou o estado do Paraná, que possui projetos para a construção de 800 quilômetros de rodovias utilizando concreto.

A durabilidade do concreto é uma das suas principais vantagens em relação ao asfalto. Além disso, o concreto reduz a temperatura ambiente e necessita de menos infraestrutura de iluminação, pois é mais claro do que o material derivado de petróleo, conforme informações do Snic.

Outros estados, como São Paulo, Santa Catarina, Goiás e o Distrito Federal, além de algumas cidades do Nordeste, também estão desenvolvendo projetos de pavimentação rodoviária com concreto, segundo Penna. “É um mercado que estamos com muita expectativa de ocupar”, afirmou o presidente do Snic, referindo-se à área de pavimentação rodoviária.

Participação na cúpula climática COP30

Quanto à realização da cúpula climática COP30, que ocorrerá em Belém em novembro, Penna mencionou que a entidade pretende apresentar um plano para que o setor neutralize suas emissões de carbono até 2050. Vale ressaltar que a indústria de cimento é uma das que mais emitem gases causadores do efeito estufa.

Vendas regionais e crescimento por áreas

Em um panorama regional, as vendas de cimento no Nordeste, em setembro, cresceram 10% em comparação ao ano anterior, totalizando 1,3 milhão de toneladas. A segunda maior expansão foi registrada na região Sul, com um aumento de 5,8%, somando 991 mil toneladas.

No maior mercado do país, a região Sudeste, as vendas em setembro totalizaram 2,75 milhões de toneladas, com uma alta de 2,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. O Centro-Oeste apresentou crescimento de 3,5%, enquanto o Norte registrou uma expansão de 2,2% no mesmo período.

No acumulado do ano, o Nordeste apresenta um crescimento nas vendas de 6,4%, enquanto o Sul sobe 3,8%. O Sudeste mostra uma expansão de 1,5%, o Norte cresce 2,4% e o Centro-Oeste vê um aumento de 2%, conforme reportado pelo Snic.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

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