Inflação nos EUA: A Guerra Aumenta a Pressão sobre as Decisões do Fed

Inflação nos EUA: A Guerra Aumenta a Pressão sobre as Decisões do Fed

by Fernanda Lima
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O aumento da inflação nos Estados Unidos

Quando a inflação nos Estados Unidos atingiu um pico em junho de 2022, influenciada pelo aumento nos preços da energia, alimentos, moradia e veículos, as autoridades do Federal Reserve (Fed) asseguraram ao público, em um tom categórico, que estavam sob controle da situação. Foi anunciado que implementariam aumentos significativos nas taxas de juros para conter a economia.

No entanto, essa abordagem enfrentará um desafio após a divulgação, nesta sexta-feira (10), dos dados do CPI (Índice de Preços ao Consumidor), que revelaram a maior alta da inflação mensal desde aquele período explosivo há quase quatro anos.

As autoridades agora precisam explicar a um público que está se sentindo exausto com a inflação por que essa nova fase de aumentos de preços é diferente, tendo sua origem em custos de energia associados à guerra no Irã. Isso pode não exigir juros mais altos, principalmente se o atual cessar-fogo entre Washington e Teerã permanecer, resultando em uma diminuição nos preços do petróleo.

Explicar essa nova dinâmica pode ser complicado, pois nos últimos cinco anos, os aumentos anuais de preços superaram constantemente a meta de 2% estabelecida pelo Fed. Ao mesmo tempo, os consumidores estão reagindo ao aumento significativo nos preços da gasolina e do diesel, com o preço médio do galão de gás subindo de aproximadamente US$ 3 em fevereiro para US$ 4,15. Pesquisas também indicam uma crescente expectativa de inflação entre os consumidores.

Expectativas em relação ao CPI

“Um número mais alto do CPI não será uma surpresa para ninguém”, afirmou Mary Daly, presidente do Fed de San Francisco, à agência de notícias Reuters, um dia antes da divulgação dos últimos dados do índice. Contudo, isso não necessariamente demandaria uma alteração nos planos atuais do banco central dos Estados Unidos de manter as taxas em espera ou considerar uma redução.

Se o cessar-fogo se mantiver e os preços do petróleo diminuírem, a inflação poderia eventualmente recuar, permitindo ao Fed baixar os custos dos empréstimos. Por outro lado, se os preços do petróleo e da inflação permanecerem altos, o Fed pode optar por continuar sua cautela. Daly mencionou que é menos provável que a inflação aumente a ponto de o Fed ter que reagir com taxas mais altas.

Atualmente, os investidores antecipam que o banco central manterá sua taxa de política monetária inalterada até 2027.

“Ainda tínhamos tarefas a realizar antes do choque no preço do petróleo; com o impacto desse choque, o trabalho só será mais demorado”, declarou Daly. “Ninguém sabe ao certo quanto tempo isso vai durar. Podemos simplesmente estar aguardando até termos certeza de que estamos cumprindo nossas responsabilidades.”

Esse posicionamento é distinto daquele adotado pela instituição em 2022, uma vez que a inflação atual possui características distintas.

A análise da inflação subjacente

Apesar do aumento marcante de 0,9% na inflação mensal em março, a inflação subjacente ficou abaixo do esperado, com uma alta de apenas 0,2% e um aumento de 2,6% em bases anuais.

A inflação subjacente exclui os preços de energia e alimentos, que são altamente influenciados pelos mercados voláteis de commodities e não refletem as condições mais amplas de oferta e demanda que determinam as tendências mais permanentes da inflação.

Entretanto, os preços de alimentos e energia são elementos importantes nos gastos diários das famílias e são frequentemente observados pelos consumidores quando ocorrem elevações. Esses preços impactam as respostas em pesquisas que o Fed leva em consideração para avaliar se o público ainda confia na capacidade do banco central de controlar a inflação. Essa percepção é especialmente sensível para o ex-presidente Donald Trump e seus colegas republicanos, especialmente com as eleições de meio de mandato se aproximando, em um contexto em que se prometeu tornar a vida dos cidadãos mais acessível.

Mudanças nas expectativas de inflação

Um risco significativo para o Fed é que cinco anos de inflação acima da meta possam ter condicionado a população a esperar um cenário mais complicado, podendo o choque de energia modificar a psicologia pública de maneira que a inflação torne-se mais difícil de controlar.

A pesquisa realizada pela Universidade de Michigan mostrou que a perspectiva de inflação para o próximo ano aumentou de 3,8% em março para 4,8% em abril. Além disso, a expectativa de inflação para os próximos cinco anos também registrou uma elevação, passando de 3,2% para 3,4%.

O Fed tem motivos para crer que esse aumento na inflação será “transitório”, um termo que a instituição utilizou inicialmente durante o aumento da inflação observado durante a pandemia da Covid-19, mas que foi posteriormente descartado diante da persistência de pressões sobre os preços.

Atualmente, a instituição precisa convencer o público em um cenário onde sua medida preferida de inflação subjacente parece estar estagnada, cerca de um ponto percentual acima da meta estabelecida.

“Não podem reduzir a taxa de política econômica nesta circunstância. Se o fizerem, perderão a sua credibilidade”, afirmou James Bullard, ex-presidente do Federal Reserve de St. Louis e atual reitor da Mitch Daniels School of Business da Purdue University.

“Se decidirem manter a taxa onde está e a inflação começar a cair novamente, isso será uma boa notícia. Caso contrário, provavelmente terão que tomar medidas concretas para demonstrar que estão levando essa questão a sério.”

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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