IPCA-15: Alta em Março
O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), considerado como a prévia da inflação no Brasil, registrou uma alta de 0,44% durante o mês de março, apresentando uma desaceleração em comparação ao avanço de 0,84% que foi observado em fevereiro. Os dados referentes a esse índice foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quinta-feira, dia 26.
Variação de Preços
O IPCA-15 estima a variação dos preços coletados entre meados do mês anterior até meados do mês atual. Os dados de março indicam que todos os nove grupos analisados pelo IBGE tiveram uma alta em março.
Esse resultado foi influenciado, principalmente, pelos grupos de Alimentação e bebidas, que teve um aumento de 0,88%, contribuindo com 0,19 ponto percentual no índice geral; e Despesas pessoais, que subiu 0,82%, representando um impacto de 0,09 ponto percentual.
Alimentação e Despesas Pessoais
A alta na alimentação no domicílio acelerou para 1,10% em março, com os seguintes avanços significativos: açaí (29,95%), feijão-carioca (19,69%), ovo de galinha (7,54%), leite longa vida (4,46%) e carnes (1,45%).
No setor de despesas pessoais, destacam-se os subitens de serviço bancário, que teve uma alta de 2,12%, e o custo do empregado doméstico, com aumento de 0,59%, que também exerceram influência nos resultados.
Habitação
O grupo Habitação também registrou uma aceleração nos preços, que subiram 0,24%. Esse aumento foi influenciado pela alta de 0,29% na energia elétrica residencial, que registrou reajustes médios de 15,10% e 14,66% aplicados nas concessionárias do Rio de Janeiro.
O acumulado dos dados nos últimos 12 meses ficou em 3,9%, enquanto o IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado trimestralmente, alcançou 1,49% para o período compreendido entre janeiro e março. Em março do ano anterior, 2025, o IPCA-15 havia registrado uma alta de 0,64%.
Combustíveis e Conflitos no Oriente Médio
O IPCA-15 de março também mostrou uma queda de 0,03% nos preços dos combustíveis. Observou-se uma redução nos preços do gás veicular (-2,27%), do etanol (-0,61%) e da gasolina (-0,08%). Em contrapartida, o óleo diesel apresentou um aumento de 3,77%. Apesar dessa diminuição, os custos dos Transportes avançaram 0,21%, impulsionados pela alta de 5,94% nas passagens aéreas.
O cenário da inflação global começou a ser alterado pelo aumento nos preços do petróleo, influenciado pelo conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã, que teve início no final de fevereiro.
Como consequência, a Petrobras decidiu aumentar o preço do diesel A (puro) em suas refinarias neste mês, com um reajuste de 11,6%. Apesar do aumento, a empresa avaliou que a mudança nos preços não deve impactar o consumidor final devido a ações implementadas a nível federal. Desde o início do conflito, os preços da gasolina não foram alterados pela empresa.
Entretanto, na manhã do dia anterior, a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis) informou que, mesmo com o aumento neste mês, o diesel brasileiro está sendo vendido com uma defasagem que chega a até R$ 2,68 em relação ao mercado internacional.
“Essa defasagem muito elevada, que resulta de uma prática de preço artificial adotada pelas refinarias da Petrobras, causa diversos transtornos”, declarou Sérgio Araújo, presidente da Abicom. Para ele, a solução seria que a Petrobras ajustasse seus preços em conformidade com os do mercado internacional.
“Ao não fazer isso, a empresa está deixando muito dinheiro sobre a mesa”, observou Sérgio Araújo.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br