Inter adia expectativa de início do ciclo de cortes na Selic para março

Inter adia expectativa de início do ciclo de cortes na Selic para março

by Ricardo Almeida
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Expectativa de Cortes na Selic

O banco Inter adiou a expectativa para o início do ciclo de cortes na taxa Selic de janeiro para março. Além disso, a instituição prevê que a magnitude da redução da taxa básica de juros ao longo deste ano será menor do que o esperado anteriormente. A nova projeção indica que a Selic deve encerrar 2026 em 12,5% ao ano, em comparação à previsão anterior de 12% ao ano.

Revisão e Justificativas

A revisita nas expectativas foi elucidada pela economista-chefe do Inter, Rafaela Vitória, que indicou que a mudança leva em consideração a desaceleração mais lenta da inflação e riscos fiscais que continuam no radar. Rafaela afirmou que, apesar de havermos considerado uma possibilidade de redução da Selic a partir de janeiro, os comunicados mais conservadores do Comitê de Política Monetária (Copom) e os dados mais recentes não sinalizam uma melhora significativa no cenário, resultando em um adiamento para março.

Ela ressaltou que, no momento, a Selic se encontra em um patamar bastante restritivo, e a inflação está em um processo de convergência gradual para a meta de 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. A inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou 2025 em 4,26%, com o dado de dezembro ficando levemente abaixo das expectativas.

Expectativas do IPCA

No Relatório Focus mais recente, os economistas consultados pelo Banco Central projetam o IPCA para 4,02% até o fim deste ano e para 3,80% em 2027, ainda acima da meta estipulada, mesmo em um cenário onde a Selic permanece em números na casa dos dois dígitos. Rafaela Vitória mencionou que, na ata da última reunião do Copom, a trajetória até agora foi claramente explanada. Na ausência de uma nova queda surpreendente da inflação e das expectativas inflacionárias, o próximo passo do Copom será indicar a possibilidade de flexibilização antes de iniciar os cortes.

A primeira reunião do Copom está agendada para a próxima semana, com a decisão a ser divulgada na quarta-feira (28).

Ano Eleitoral e Volatilidade

Em um relatório, Rafaela também destacou que a pressão por um aumento nas despesas em um ano eleitoral eleva o risco fiscal, mantendo a demanda aquecida e trazendo volatilidade ao câmbio. Ela observou que este cenário de incertezas deve dificultar uma reancoragem rápida das expectativas de inflação. Com o tom cauteloso adotado pelo Copom, a perspectiva de cortes na Selic se encontra reduzida.

Por outro lado, a economista-chefe indicou que, caso o dólar permaneça em um patamar mais fraco juntamente com um anúncio de ajustes fiscais mais robustos para 2027, poderemos observar uma convergência mais rápida das expectativas em direção ao centro da meta, o que poderia possibilitar a extensão dos cortes, com a Selic indo abaixo de 12% até o fim de 2026.

Projeções Futuras

Apesar da previsão de cortes menos agressivos na Selic, o Inter manteve a expectativa de que o IPCA alcance 3,9% em 2026 e 3,4% em 2027. Entretanto, o banco considera que o contexto atual é de “maior incerteza do que o usual”. Rafaela Vitória observou que os dados mais recentes confirmam uma tendência de desinflação, mesmo que lenta, e enfatizou que a política monetária restritiva e a diminuição na oferta de crédito também devem resultar em um crescimento moderado do consumo, contrapondo-se a um cenário de emprego e renda que ainda se mantém robusto.

Ela também considera que os dados de atividade econômica do quarto trimestre indicam uma moderação na atividade. Embora tenha havido uma recuperação marginal em novembro, as expectativas se mantêm de um PIB estável no quarto trimestre, com desaceleração nas comparações anuais para 1,5%, o que sugere um crescimento projetado de 2,2% para o ano de 2025. Para o banco, o PIB deverá continuar apresentando um ritmo de desaceleração em 2026, encerrando o ano com crescimento de 1,8%.

Em relação às receitas fiscais, novos impulsos devem elevar a demanda de um lado, porém, uma taxa de juros mais restritiva deve desacelerar o crédito e o consumo das famílias. O banco também mantém suas projeções para um déficit primário, considerando o pagamento de precatórios e outros gastos fora da meta em 0,7% para o ano de 2026.

Rafaela Vitória avaliou que essa tendência de déficits pode persistir na falta de medidas efetivas de controle sobre o crescimento das despesas obrigatórias, o que inclui revisões nas políticas relacionadas ao aumento real do salário mínimo e à vinculação de gastos a partir do ano de 2027.

Juros nos EUA

No mesmo relatório, Rafaela Vitória analisou que, do ponto de vista macroeconômico, não há justificativas claras para uma redução das taxas de juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos) na decisão referente ao mês de janeiro.

Ela mencionou que, diante da prioridade dada ao mercado de trabalho e aos dados conflitantes que surgem, a melhor abordagem para o Fed seria adotar uma postura de espera e observação em relação à evolução dos indicadores.

A economista também comentou que o recente "ataque" do governo Trump, ao abrir um processo criminal contra o presidente atual do Fed, Jerome Powell, pode fazer com que o Comitê Federal do Mercado Aberto (FOMC) se mostre ainda mais reticente em cortar juros durante a reunião de janeiro. Essa situação poderia ser vista como uma capitulação do Fed, comprometendo sua independência.

Portanto, o Inter projeta que um novo corte nos juros nos EUA deverá ocorrer apenas em março. Para a perspectiva de todo o ano de 2026, a análise do banco dependerá de quem será o novo presidente do Fed, visto que o mandato de Powell termina em 15 de maio. Diante do atual cenário macroeconômico e da pressão do governo Trump, não seria surpreendente observar um Fed mais "dovish" do que o esperado.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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