Inter (INTR) muda direção: 6 analistas revelam as melhores estratégias para suas ações.

Queda das Ações do Inter

O investidor do Inter (INTR) não está acostumado a enfrentar quedas acentuadas nas ações da instituição. A última vez em que as ações sofreram uma queda superior a 15% foi em janeiro de 2023, de acordo com dados da Investing.

Desde então, o banco apresentou um desempenho positivo, com uma valorização acumulada que ultrapassa 300%. Contudo, em apenas três sessões, as ações sofreram uma desvalorização de 20%.

Embora a má performance tenha coincidido com um cenário de mercado desfavorável, resultados abaixo das expectativas e um novo plano estratégico não foram bem recebidos pelos investidores.

No dia anterior, as ações do banco apresentaram uma nova queda significativa, cerca de 7%, exatamente no dia em que o banco promoveu um encontro com investidores em Nova York, com o objetivo de melhorar sua imagem no mercado. Apesar disso, por volta das 11h40, as ações mostraram uma leve recuperação, subindo 4,82%, cotadas a US$ 6,29.

Ainda que alguns analistas tenham reduzido suas projeções de preço, as recomendações de compra foram mantidas.

O Novo Plano Estratégico do Inter

Anteriormente, o Inter tinha estabelecido uma ambiciosa meta estratégica denominada “60-30-30” para o ano de 2027, que incluía:

  • 60 milhões de clientes;
  • 30% de índice de eficiência; e
  • ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) de 30%.

A estratégia tinha como foco principal a rentabilidade da carteira de crédito e o controle de custos, visando acelerar a lucratividade.

Considerando que o banco encerrou o primeiro trimestre com um ROE de 16%, isso implicaria em quase dobrar esse indicador em menos de dois anos, algo considerado improvável pelo mercado.

No evento realizado na última terça-feira (11), o Inter decidiu adiar essa meta em dois anos, para 2029. Além disso, a entidade estabeleceu uma nova faixa para o ROE, que varia entre 26% e 30%.

O Inter também lançou um novo desafio denominado “Rule of 50”, com previsão para começar em 2026. O objetivo é combinar o crescimento das receitas com a rentabilidade, de modo que a soma de ambos os indicadores atinja 50%.

Para sustentar essa expansão, a administração do Inter pretende se concentrar em três pilares principais:

  • O Single Smart Super App, que integrará toda a jornada do cliente;
  • Uma base robusta de dados, que será alimentada diariamente por milhões de transações; e
  • A Seven, nova assistente de inteligência artificial do Inter.

Além disso, o motor de crédito continuará sendo fundamental para a proposta, sustentado por uma governança centralizada de preços e processos mais sofisticados de concessão.

O uso de inteligência artificial será um elemento crucial para a análise de crédito e para o controle da inadimplência. Atualmente, a IA é responsável por cerca de 90% dos volumes analisados, apresentando um impacto positivo sobre os índices de calote.

Para 2026, a administração do banco sinalizou algumas metas:

  • Expansão da margem financeira em cerca de 35%;
  • Crescimento do crédito com melhoria no mix de produtos;
  • Marga líquida próxima de 10%; e
  • Custo de risco em torno de 6%.

E o ROE?

Agora, o Inter terá que trabalhar arduamente para aumentar seu ROE dos atuais 15% para uma faixa entre 26% e 30% até 2029, representando um aumento de pelo menos 10 pontos percentuais.

A administração acredita que esse avanço pode vir de várias frentes:

  • 1 a 2 pontos percentuais de eficiência de capital, com um aumento na alavancagem de 9,6x para 11x;
  • 2 a 3 pontos percentuais de otimização de tesouraria, especialmente com uma maior alocação em FIDCs; e
  • 2 a 4 pontos percentuais de eficiência operacional e diluição de custos.

Do total de ganhos esperado, a gestão espera entregar entre 2 e 3 pontos percentuais no curto prazo, enquanto os demais 8 a 12 pontos percentuais seriam gradualmente capturados nos próximos anos, conforme o ambiente macroeconômico melhorar.

Entretanto, o foco em manter elevadas taxas de crescimento poderá pressionar os índices de eficiência a longo prazo.

Apesar do discurso otimista, o mercado parece relutante em aceitar que esse crescimento se concretizará. Segundo o UBS BB, o mercado nunca incorporou um ROE estrutural de 30% nas ações e provavelmente continuará sem fazê-lo, pelo menos até que o banco apresente avanços concretos.

“Mantemos nossa visão de que isso provavelmente será um desafio”, afirmaram os analistas.

Hora de Recalcular a Rota

A avaliação geral indica que o Inter fez uma escolha acertada ao optar por aumentar a transparência em relação ao mercado. Manter os investidores bem informados costuma ser bem recebido.

Por outro lado, ficou evidente que o ritmo de crescimento deve ser mais lento nos próximos anos, o que levou várias instituições a revisarem suas projeções.

O Bradesco BBI, por exemplo, reduziu suas estimativas de lucro líquido para:

  • R$ 1,7 bilhão em 2026 (uma queda de 8,4%);
  • R$ 2,3 bilhões em 2027 (uma queda de 11,8%).

Com isso, esses números ficam 8,8% e 7,7% abaixo do consenso do mercado, respectivamente.

As novas estimativas implicam:

  • ROE de 15,8% em 2026; e
  • ROE de 18,8% em 2027.

O UBS BB também revisou suas previsões, reduzindo as estimativas em cerca de 4% para 2026 e 5% em média para 2027 e 2028.

O corte se deve, principalmente, a provisões mais altas do que o esperado.

A administração indicou ainda que o custo de risco deve permanecer elevado, em torno de 6%, sendo parcialmente compensado por uma maior receita líquida de juros (NII), impulsionada pela mudança no mix da carteira.

No total, o UBS estima:

  • Lucro de R$ 1,8 bilhão em 2026;
  • Lucro de R$ 2,2 bilhões em 2027;
  • ROAE de 16,2% em 2026; e
  • ROAE de 18% em 2027.

Os analistas também projetam um ROE de 20% em 2029, que se encontra abaixo da meta apresentada pela instituição.

Inter: Oportunidade ou Risco?

Entre os analistas consultados pelo Money Times, persiste um sentimento divisionário. De seis instituições, duas mantiveram uma recomendação neutra e três reiteraram a recomendação de compra.

O Bradesco BBI recomenda compra, com um preço-alvo de R$ 41, o que representa um potencial de 37%.

O BTG também sugere compra, com um preço-alvo ajustado para R$ 51, representando um potencial de 70%.

O UBS BB sugere compra com um preço-alvo de US$ 10,4, o que traduz um potencial de 71%.

O JPMorgan recomenda compra, com um preço-alvo de R$ 48, representando um potencial de 60%.

O Safra mantém uma visão neutra, assim como a XP, que possui um preço-alvo de R$ 45, representando um potencial de 50%.

Apesar da redução nas projeções, o Bradesco BBI afirma que as ações continuam a ser um bom negócio, negociando a aproximadamente:

  • 7,8x preço/lucro; e
  • 1,2x preço/valor patrimonial.

“Mantemos recomendação de compra, acreditando que a correção recente oferece um ponto de entrada atrativo diante do potencial de execução e da assimetria positiva no horizonte de médio e longo prazo”, concluíram.

O BTG também revisou seu preço-alvo, de R$ 60 para R$ 51, projetando um crescimento da receita bruta em torno de 20% entre 2026 e 2028, ficando, portanto, abaixo das metas da “Rule of 50” e das metas de ROE estabelecidas pela administração.

Ainda assim, a análise manteve a recomendação de compra. “Investidores que se dispuseram a adquirir ações em períodos de ceticismo historicamente tiveram boas recompensas”, observaram.

Em relação ao JPMorgan, a maioria dos investidores espera maiores esclarecimentos sobre a margem de intermediação financeira (NIM), o custo de receita (CoR) e a dinâmica da folha de pagamento privada no segundo trimestre de 2026, limitando a performance das ações no curto prazo. “A queda de 23,5% em relação à queda de 3% do EWZ desde 6 de maio foi considerada excessiva”, afirmaram.

Ceticismo Continua

Por outro lado, a equipe do Safra reiterou uma visão mais cautelosa em relação às ações do banco.

Os analistas indicaram que não há sentido em adotar narrativas típicas de empresas de tecnologia em um momento em que o ROE está desacelerando e há questionamentos sobre a qualidade dos ativos e o custo de risco.

“De fato, o evento apenas reforçou nossa visão mais conservadora sobre a trajetória de rentabilidade do banco”, comentam.

Ainda assim, os analistas do Safra reconheceram alguns aspectos positivos:

  • Crescimento de 30% na base de clientes principais;
  • Rentabilidade da carteira de cartões; e
  • Confiança da gestão em alcançar as novas metas de longo prazo.

Ainda assim, eles mantêm uma opinião neutra sobre o papel.

“Considerando um lucro líquido estimado de R$ 1,7 bilhão para 2026, as ações estão negociando a aproximadamente 8x lucro”, afirmaram.

Na visão da XP, o debate sobre o Inter agora se concentra na eficácia do modelo, questionando “quanto de rentabilidade adicional ainda é realisticamente possível extrair daqui para frente”.

“Diante da reação do mercado e da recalibração das expectativas de médio prazo sugerida no evento, preferimos manter uma postura mais cautelosa em relação ao nome neste momento”, complementaram.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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