Uso de Medicamentos GLP-1 e Seus Efeitos no Coração
Aumento na Prescrição de GLP-1s
Os medicamentos GLP-1, amplamente utilizados para o tratamento de diabetes tipo 2 e controle de peso, estão em alta entre a população dos Estados Unidos, com cerca de 1 em cada 8 adultos norte-americanos fazendo uso dessas drogas. Entretanto, a interrupção do tratamento pode acarretar consequências graves para a saúde. Essa afirmativa é sustentada por um novo estudo da Washington University School of Medicine, publicado na quarta-feira na revista BMJ Medicine.
Impactos da Interrupção do Tratamento
O estudo revelou que mesmo pequenas interrupções no uso de GLP-1s podem elevar significativamente o risco de complicações como ataques cardíacos, acidentes vasculares cerebrais e até morte entre pacientes que sofrem de diabetes tipo 2. Os pesquisadores, utilizando dados de prontuários eletrônicos, acompanharam mais de 333.000 adultos diagnosticados com diabetes ao longo de três anos, a maioria deles utilizando a injeção Ozempic, produzida pela empresa Novo Nordisk.
Dados Relevantes da Pesquisa
Os principais resultados do estudo incluem:
- Pacientes que mantiveram o tratamento com GLP-1s durante três anos apresentaram uma redução de 18% no risco cardiovascular.
- A interrupção do uso de GLP-1s por apenas seis meses reverteu grande parte dessa proteção, aumentando o risco cardiovascular em 4% em comparação àqueles que continuaram o tratamento.
- Um intervalo de tratamento de dois anos elevou esse risco para 22% em relação ao uso contínuo.
Benefícios dos GLP-1s Além da Perda de Peso
De acordo com o autor do estudo, Dr. Ziyad Al-Aly, epidemiologista da WashU Medicine, os GLP-1s oferecem benefícios que vão muito além da simples perda de peso. Eles atuam também na redução de problemas nas costas, controle do colesterol, pressão arterial e resistência à insulina, além de diminuírem a inflamação, proporcionando uma proteção cardiovascular significativa. O especialista destacou que a interrupção do tratamento resulta na perda imediata dessa proteção, e que a recuperação leva anos, enquanto o efeito reverso ocorre de forma muito mais rápida.
Conhecimento Prévio e Oportunidade de Pesquisa
As descobertas dessa pesquisa não são totalmente inesperadas, uma vez que os benefícios cardiovasculares dos GLP-1s são reconhecidos. Em 2024, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou o semaglutide, ingrediente ativo dos medicamentos Wegovy e Ozempic, para a redução do risco de eventos cardiovasculares graves em adultos com doenças cardíacas e obesidade.
Porém, este estudo fornece evidências em larga escala sobre as consequências do uso desses medicamentos para a saúde do coração dos pacientes que interrompem o tratamento, especialmente aqueles com diabetes.
Desafios no Acesso e Adesão ao Tratamento
Os resultados da pesquisa também ressaltam um problema persistente: as altas taxas de interrupção dos medicamentos, que variam de 36% a 81%, em virtude de dificuldades no acesso aos tratamentos e efeitos colaterais, como náuseas e vômitos. Dr. Al-Aly alertou que tanto profissionais de saúde quanto pacientes devem compreender que o tratamento com GLP-1 é algo para o longo prazo, e não apenas por alguns meses ou anos.
Abordagens para Reduzir a Descontinuação do Tratamento
O especialista também enfatizou a necessidade de abordagens para mitigar os efeitos colaterais de forma proativa, a fim de favorecer a adesão ao tratamento. Ele mencionou que a questão do acesso aos medicamentos provavelmente será amenizada nos Estados Unidos, especialmente com iniciativas de grandes empresas, como a Eli Lilly, que busca aumentar a cobertura de medicamentos para obesidade entre os empregadores. Além disso, o programa federal Medicare começa a cobrir tratamentos de emagrecimento pela primeira vez.
Ele reforçou que a manutenção da adesão ao tratamento não deve ser negligenciada. "As pessoas precisam entender que existe um custo associado à interrupção", afirmou.
Iniciativas das Indústrias Farmacêuticas
Os fabricantes de medicamentos também estão trabalhando para resolver a questão da descontinuação do tratamento, com a expectativa de desenvolver novas opções terapêuticas para diabetes e obesidade, que entreguem eficácia equivalente, mas com menos efeitos colaterais indesejados.
Contribuições e Sugestões
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Fonte: www.cnbc.com


