Investidores se afastam da dívida corporativa diante da farra do financiamento para IA

Investidores se afastam da dívida corporativa diante da farra do financiamento para IA

by Ricardo Almeida
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Tensão nos Mercados de Crédito

Uma onda significativa de empréstimos direcionados ao setor de tecnologia, juntamente com os sinais de tensão no crédito privado, estão gerando inquietação entre investidores do mercado de títulos corporativos. Isso inclui até mesmo as empresas mais bem avaliadas globalmente. Essa tendência pode levar a um aumento nos custos de financiamento, impactar os resultados das empresas e intensificar a instabilidade nos mercados globais.

Queda dos Mercados

Recentemente, houve uma queda generalizada nos mercados, provocado pelo nervosismo relacionado à percepção de excesso de investimento em inteligência artificial, bem como pelas implicações dos dados lagados dos Estados Unidos para a política monetária. Esse cenário resultou numa redução de aproximadamente 3% nas bolsas de valores mundiais neste mês. A aversão ao risco afetou diversos ativos, incluindo criptomoedas como o bitcoin e também o ouro. Entretanto, os títulos de investimento, reconhecidos por ainda oferecerem condições de financiamento historicamente baixas, foram relativamente preservados.

Os investidores que gerenciam conjuntos de ativos superiores a US$ 10 trilhões expressaram suas preocupações com relação ao preço da dívida. Muitos estão reduzindo a exposição a títulos com a melhor recomendação, enquanto alguns começaram a vender ativamente ou a apostar contra essa classe de ativos.

Empréstimos Pesados

Após um alerta do CEO do JPMorgan, Jamie Dimon, sobre o surgimento de “baratas” nos mercados de crédito, diversas gigantes da tecnologia iniciaram uma pesada contração de empréstimos, com a intenção de financiar seus esforços para construir centros de dados voltados para inteligência artificial. A gestora de ativos alternativos Blue Owl provocou um abalo no mercado de crédito privado, que movimenta cerca de US$ 3 trilhões, ao restringir as retiradas de fundos.

Índices de Empréstimos

O índice ICE-BofA, que monitora as taxas cobradas de empresas norte-americanas com melhor classificação em comparação às do governo, está sendo negociado apenas 10 pontos-base acima das mínimas de 27 anos, fixadas em 74 bps. Na Europa, o spread equivalente está em torno de 84 bps, ligeiramente acima dos 75 bps registrados no final de outubro.

O chefe global de macro e alocação estratégica de ativos da Fidelity International, Salman Ahmed, tem suas apostas contra a dívida das companhias grau de investimento, uma vez que considera os preços excessivamente altos. Ele aponta que uma desaceleração econômica poderia resultar em um colapso desse mercado.

Adicionalmente, Ahmed comentou que os preços ainda possuem espaço para queda e que o crédito das empresas grau de investimento oferece uma relação custo-benefício vantajosa em termos de estratégias de proteção que podem ser úteis em uma desaceleração econômica prolongada.

Ciclo de Feedback

Os spreads de crédito representam um indicador relevante do crescimento econômico, além de afetarem o desempenho do mercado de ações. Isso ocorre porque os custos de financiamento influenciam diretamente os lucros das empresas, o valor das ações e seus planos de expansão.

John Stopford, chefe de renda de múltiplos ativos na gestora Ninety One, observou que existe um ciclo de feedback, e sua equipe decidiu reduzir a zero a exposição de seus fundos ao crédito nas últimas semanas. Ele explicou que se a liquidez for drenada dos fundos de crédito privado, os juros dos títulos recém-emitidos se tornarão mais altos, especialmente considerando a avalanche de empréstimos voltados para inteligência artificial.

Stopford afirmou que se o custo do empréstimo aumentar no mercado de crédito privado, os tomadores de empréstimos terão que arcar com custos mais elevados. Consequentemente, se for mais oneroso para as empresas contrair dívidas, os lucros resultarão em cifras inferiores.

Emissão de Dívidas

Após a emissão de aproximadamente US$ 75 bilhões em dívidas com grau de investimento por empresas da Big Tech focadas no setor de IA durante os meses de setembro e outubro, o custo dos swaps de inadimplência de crédito de cinco anos, que garantem proteção contra a inadimplência da Oracle, subiu 44% em apenas um mês, atingindo 87 bps, segundo informações da Refinitiv.

Além disso, notou-se que os investidores começaram a se afastar dos fundos de dívida privada, à medida que os padrões de empréstimo dessa classe de ativos passaram a ser alvo de um escrutínio minucioso por parte dos órgãos reguladores.

Crescente Cautela dos Investidores

Os clientes da Russell Investments, consultoria que assessora instituições que gerenciam mais de US$ 900 bilhões coletivamente, também estão adotando uma postura mais cautelosa em relação ao crédito das empresas com classificações de investimento. Van Luu, chefe global de renda fixa e soluções de câmbio da Russell, ressaltou que não se trata apenas de uma preocupação com essa classe de ativos, mas sim que a mesma se tornou tão cara que já não apresenta mais a vantagem que antes tinha.

Essa realidade ressalta a necessidade de análise cuidadosa e estratégica por parte dos investidores, diante de um cenário incerto e de volatilidade nos mercados financeiros.

Fonte: www.moneytimes.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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