Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) apresentou uma variação positiva de 0,41% no mês de junho, um resultado que ficou abaixo da mediana esperada pelo mercado, que era de 0,44%. Conforme informações fornecidas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o indicador, ao longo dos últimos 12 meses, acumulou um aumento de 4,80%. Esta cifra também se mostrou inferior à mediana projetada pelo mercado, que era de 4,83%, com expectativas oscilando entre 4,64% e 4,96%.
Chances de estouro de teto aumentam
Não obstante a leve melhora registrada recentemente, as projeções de curto prazo elaboradas pelo Banco Central sugerem que a inflação acumulada nos 12 meses continuará acima do limite superior de tolerância. A autoridade monetária estima que a taxa anual atinja 4,81% em junho e julho, suba para 5,17% em agosto e diminua para 4,83% em setembro. Para os meses isolados, as expectativas do Banco Central são de taxas de 0,32% para junho, 0,26% para julho, 0,23% para agosto e 0,16% para setembro, de acordo com os dados apresentados no Relatório de Política Monetária (RPM) referente ao segundo trimestre. A meta de inflação estabelecida pela entidade varia entre 1,5% e 4,5% anualmente.
A pressão inflacionária contínua levou o Banco Central a rever significativamente a probabilidade de que a inflação supere o teto da meta de 4,50% até 2026; essa probabilidade saltou de 30% para 79%. Por outro lado, a chance de que o IPCA fique abaixo do piso de 1,50% foi considerada nula, ante os 2% estimados no relatório de março. O cenário pessimista se estendeu também para 2027, com a probabilidade de que a inflação ultrapasse o teto da meta revisada de 19% para 28%, enquanto a chance de que fique abaixo do piso diminuiu de 10% para 6%. Para o ano de 2028, a situação apresenta-se mais estável: a probabilidade de estourar o teto caiu de 17% para 16%, e a chance de ficar abaixo aumentou de 11% para 12%.
Impacto do novo modelo de metas
A preocupação do Banco Central destaca-se em virtude do novo modelo de meta contínua, que foi adotado em 2025. De acordo com este novo critério, se a inflação acumulada em 12 meses não respeitar o intervalo de tolerância por seis meses consecutivos, considera-se que a autoridade monetária não atendeu às suas metas. O centro dessa meta permanece em 3%, com uma margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Este teto de 4,50% foi descumprido pela primeira vez sob o novo critério no mês de julho do ano passado, quando o IBGE anunciou que o IPCA registrou uma alta de 5,35% em 12 meses, encerrando junho. Naquela ocasião, o Banco Central enviou uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizando que esperava conseguir trazer a inflação de volta aos níveis da meta apenas no final do primeiro trimestre de 2026 — um objetivo que, à luz do novo relatório, parece cada vez mais distante.
Fonte: timesbrasil.com.br

