A Receita Federal divulgou, na última segunda-feira (16), as novas diretrizes para a declaração do Imposto de Renda de 2026. Uma das principais novidades é a adoção de uma modalidade de “cashback” na restituição deste ano.
Essa opção se aplica a contribuintes que, embora não sejam obrigados a declarar, têm direito à restituição de valores devido a retenções de tributo na fonte durante o ano.
Temas como este serão discutidos no programa e na News da Resenha, uma newsletter destinada a manter investidores informados e a auxiliar na tomada de decisões no mercado.
Robinson Barreirinhas, secretário da Receita, ressaltou que essa modalidade anteriormente não beneficiava aqueles que não faziam a declaração e, muitas vezes, desconheciam que tinham valores a receber.
“Muitas pessoas têm direito à restituição e nem mesmo têm ciência disso. Um brasileiro com renda mais baixa, que por alguma razão teve uma retenção em determinado mês, recebeu um pouco a mais da fonte pagadora, mas não é obrigado a declarar e, por isso, não recebe a restituição”, afirmou Barreirinhas.
O cashback será liberado em um lote especial no dia 15 de julho. Estima-se que cerca de quatro milhões de contribuintes sejam beneficiados por essa novidade.
Durante o período de declaração do IR, a restituição pode ser percebida como uma renda extra inesperada pelas famílias. Porém, surge um questionamento: o que fazer com o valor recebido?
Restituição não é um presente
Thiago Godoy, educador financeiro e apresentador da Resenha do Dinheiro, também conhecido como “Papai Financeiro”, aconselha cautela quanto ao uso do montante recebido.
“A restituição não é um presente, não é um bônus; é um retorno do seu próprio dinheiro. A forma como você utilizar esse valor é de extrema relevância”, pondera. Ele menciona que a nova opção de cashback pode ter um grande impacto e “beneficiar as pessoas, principalmente aquelas com renda mais baixa”.
Tiago Slavov, professor de Contabilidade da FECAP (Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado), também salienta a importância da restituição.
“Em síntese, a restituição representa uma excelente oportunidade para reorganizar as finanças, minimizar vulnerabilidades e aperfeiçoar o planejamento patrimonial”, observa.
Kaike Ribeiro, CEO da Finanto, enfatiza a importância de verificar os dados no sistema da Receita.
“É um benefício real que chega ao bolso, porém é essencial que o trabalhador confirme com o empregador se os dados estão corretos no sistema, uma vez que o repasse depende dessa correção”, conclui.
Godoy também oferece orientações aos beneficiários sobre como proceder com o dinheiro recebido.
Orientações do Papai Financeiro
- Se houver dívidas: utilize o valor para quitá-las, especialmente aquelas com juros elevados;
- Caso tenha margem: constitua ou amplie sua reserva financeira;
- Invista com foco em objetivos financeiros específicos.
A Receita Federal estima que os contribuintes receberão um valor médio de R$ 125, com um teto de R$ 1 mil, quantia que será depositada diretamente na chave Pix associada ao CPF de cada cidadão.
Preparação para a declaração
Realizar a declaração do Imposto de Renda pode ser um processo intimidante para muitos brasileiros.
Deypson Carvalho, professor de Ciências Contábeis do UDF (Centro Universitário do Distrito Federal), aconselha a organização prévia da documentação necessária.
“Essa documentação é fundamental para sustentar as informações que serão apresentadas na Declaração do Imposto de Renda IRPF 2026, referente ao ano-calendário de 2025, à Receita Federal. Portanto, é crucial que os documentos sejam organizados antes do preenchimento e da conferência das informações”, garante Carvalho.
Thiago Godoy também alerta sobre a importância de assegurar que as informações repassadas à Receita estejam corretas.
“Um ponto muito importante é não omitir rendimentos, pois a Receita Federal dispõe de informações suficientes. Hoje em dia, ela realiza o cruzamento automático de dados, o que facilita a detecção de discrepâncias. A omissão de rendimentos, como alguns acreditam, pode acarretar problemas sérios”, explica.
Godoy ressalta que as despesas dedutíveis precisam de comprovação e que gastos com saúde, educação e outros devem ser solicitados na hora da declaração.
Slavov ainda adverte que os beneficiários devem se atentar à nova isenção do Imposto de Renda, que contempla aqueles que recebem até R$ 5 mil, que valerá a partir da declaração de 2027.
“Essa nova regra já está em vigor para salários recebidos desde janeiro deste ano, mas só terá efeito na declaração de 2027. A declaração que começará no dia 23 referir-se-á exclusivamente aos rendimentos obtidos em 2025. Outro detalhe a ser destacado é que o novo limite de obrigatoriedade obriga a declaração de quem recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584 no ano anterior”, agrega.
Ribeiro recomenda atenção em relação a prazos para entrega do imposto.
“Não deixe para a última hora. O prazo termina em maio e a penalidade por atraso começa em R$ 165,74”, alerta o CEO da Finanto.
Carvalho sublinha a importância do acompanhamento do Imposto de Renda mesmo após a entrega da declaração anual, utilizando o portal e-CAC ou o aplicativo Meu Imposto de Renda.
“Se a declaração for retida na malha fiscal, o contribuinte deve avaliar as inconsistências e regularizá-las o quanto antes para evitar autuações e multas desnecessárias”, aconselha.
Resenha do Dinheiro
O programa, que é realizado em parceria com a B3 e a gestora de investimentos BlackRock, é conduzido por Thiago Godoy, o “Papai Financeiro”; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos. A proposta é oferecer uma perspectiva leve, direta e descomplicada sobre tópicos relacionados à educação financeira e investimentos.
O programa analisará semanalmente as principais notícias e movimentações da economia, utilizando uma abordagem leve, semelhante a uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, em um bar ou após uma partida de futebol — mas sem abrir mão da análise e do conteúdo relevantes.
A Resenha do Dinheiro é exibida todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br

