Ações da C&A e Desempenho no Ibovespa
As ações da C&A (CEAB3) se destacaram positivamente no Ibovespa (IBOV) durante o pregão desta quarta-feira, dia 24, mesmo em um dia que se mostrou negativo para o principal índice da Bolsa brasileira. Esse movimento tem suporte em um relatório do Itaú BBA, que reafirma a classificação outperform (equivalente a compra) e estabelece um preço-alvo de R$ 20 para a ação.
Potencial de Alta
O preço-alvo sugere um potencial de valorização de 103,9% em relação ao valor atual das ações. De acordo com a equipe de analistas liderada por Rodrigo Gastim, a ação está sendo negociada a um preço que consideram “irracionalmente” baixo.
Por volta das 13h05, no horário de Brasília, as ações CEAB3 estavam no topo da lista positiva do Ibovespa, registrando um aumento de 6,22%, com a cotação em R$ 10,42.
Mercado e Comportamento das Ações
No olhar do Itaú BBA, as ações brasileiras têm se tornado cada vez mais “disfuncionais” nos últimos tempos. Isso se deve ao fato de que os debates sobre valuation estão sendo colocados em segundo plano, enquanto os preços são influenciados por fatores de momentum de curto prazo, além de questões técnicas que podem desencadear aumentos ou movimentos de recompra forçada, conhecidos como short squeezes.
Os analistas afirmam que o cenário macroeconômico atual, marcado por incertezas e um pessimismo crescente em relação à curva de juros, intensifica essa percepção. Isso tem levado os investidores a adotar uma postura mais avessa ao risco, impactando de maneira desproporcional as ações do setor varejista.
Apesar desses desafios, a avaliação da equipe é que a movimentação dos preços das ações da C&A aparenta ser altamente irracional.
Pressões no Setor e Perspectivas
Os analistas também reconhecem uma pressão vendedora, conhecida como overhang, que pode ser decorrente da possibilidade de novas vendas de participação pelo acionista controlador, que ainda possui aproximadamente 30% da empresa. Entretanto, uma combinação de fatores respaldam a visão de que a varejista de vestuário é uma das poucas ações que podem oferecer retornos, mesmo em um contexto econômico mais adverso para o consumo e a atividade econômica.
Essa análise é sustentada pelo fato de que as ações CEAB3 estão sendo negociadas a 5,6 vezes e 5,1 vezes o P/L (preço sobre lucro) estimado para os anos de 2026 e 2027, respectivamente, além de apresentar um rendimento de fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) de 14%.
Além disso, os analistas do Itaú BBA estimam que cerca de 50% do programa de recompra de ações da companhia já foi executado. A varejista também desfruta de um momento operacional robusto, o que provavelmente levará a revisões positivas nos números a partir do segundo trimestre de 2026.
Principais Escolhas e Comparativos
O BBA considera a C&A como sua principal escolha (Top Pick), destacando que a empresa está sendo negociada com um desconto de 35% em comparação com as ações da Lojas Renner (LREN3), uma diferença que, segundo os analistas, não faz sentido.
Otimismo para o Segundo Trimestre do Ano
A C&A registrou um desempenho insatisfatório no quarto trimestre anterior, resultado de uma coleção de verão que não obteve o desempenho esperado e problemas na execução do fechamento do ano. Essa situação gerou preocupações em relação à tese estrutural da empresa e consequentemente levou a uma forte desvalorização das ações.
Entretanto, já no primeiro trimestre de 2026, os resultados mostraram um desempenho mais positivo, e a expectativa do Itaú BBA é que o segundo trimestre deste ano apresente resultados ainda melhores, reforçando a ideia de que a fraqueza observada no final de 2025 foi um fenômeno pontual.
Expectativas de Vendas
Apesar de uma base de comparação desafiadora, com uma taxa de 17% no segundo trimestre de 2025, os analistas acreditam que as vendas em mesmas lojas (SSS) do setor de vestuário devem se manter estáveis em relação aos 4,8% do primeiro trimestre. Isso implica um crescimento acumulado de 23% nos últimos dois anos.
A expectativa é que o resultado do segundo trimestre de 2026 traga revisões significativas para cima nas projeções de receita para o segundo semestre do ano. O BBA acredita que o consenso atual ainda considera um crescimento acumulado de aproximadamente 10% nos últimos dois anos.
Fonte: www.moneytimes.com.br