Itaú BBA prevê transformação no cenário do crédito privado em 2026

Mercado de Crédito Privado no Brasil

O mercado de crédito privado no Brasil superou os riscos que indicavam uma deterioração generalizada e ingressou em uma fase caracterizada por maior seletividade entre empresas e setores. Essa conclusão é apresentada em um relatório elaborado pelo Itaú BBA.

Após a divulgação dos resultados do quarto trimestre de 2025, o banco observou que o cenário atual é menos homogêneo e passa a depender mais da qualidade individual dos emissores. Como resultado, o desempenho das empresas está atrelado a fatores como a previsibilidade de receita, a disciplina de capital e a capacidade de atravessar ciclos intensos de investimento sem comprometer a liquidez financeira.

Setores Defensivos seguem Resilientes

Entre os segmentos que se mantêm mais estáveis, o relatório destaca os setores regulados e contratuais, sendo os principais energia elétrica e concessões rodoviárias. No setor elétrico, a situação foi considerada “estruturalmente mais estável” em 2025, com ênfase em empresas com receitas previsíveis. Entretanto, foi observado um aumento significativo de curtailment, que se refere aos cortes na geração de energia, com níveis médios de 23,1% na geração eólica e 23,8% na solar durante o quarto trimestre de 2025, conforme dados citados pelo banco.

No que diz respeito às concessões rodoviárias, o desempenho operacional se manteve positivo, destacando-se pelo crescimento no tráfego. O Índice ABCR, que mede o tráfego em rodovias com pedágio, registrou uma alta de 2,5% em 2025, impulsionada por uma alta de 2,6% em veículos leves e 2,3% em veículos pesados. Apesar desses resultados, o Itaú BBA ressalta que o setor continua a depender de investimentos substanciais e apresenta sensibilidade em relação ao custo de capital.

O mercado imobiliário também apresenta uma clara divisão: o segmento econômico é o mais beneficiado pelo programa habitacional vigente, enquanto os segmentos de média e alta renda enfrentam um ambiente mais desafiador, caracterizado por pressão sobre estoques e margens de lucro.

Cíclicos Mostram Maior Dispersão

Nos setores que estão mais ligados ao ciclo econômico, o ano de 2025 foi marcado por uma maior heterogeneidade nos resultados obtidos.

No setor de açúcar e etanol, a produção na região Centro-Sul apresentou queda. A moagem totalizou 603,67 milhões de toneladas na safra 2025/26, o que representa uma redução de 2,21% em comparação anual. Simultaneamente, o ATR, que é a medida de quanto açúcar pode ser extraído da cana-de-açúcar, caiu para 138,25 kg/t, indicando uma perda de produtividade. Mesmo assim, o mix de produtos, mais voltado para o açúcar, ajudou a manter as receitas, com a produção de açúcar somando 40,25 milhões de toneladas, um aumento de 0,71%, enquanto a produção de etanol caiu 4,21%, alcançando 32,96 bilhões de litros.

No setor de mineração, o desempenho do minério de ferro continuou a permitir uma geração de caixa significativa, enquanto o aço seguiu sob pressão em função das importações. No setor de óleo e gás, o desempenho foi mais influenciado pela eficiência operacional do que apenas pelos preços internacionais. O setor de papel e celulose registrou volumes robustos, no entanto, os preços se mostraram desafiadores. As proteínas, por sua vez, começaram a apresentar melhorias, apoiadas por exportações consistentes e custos mais baixos na ração animal.

Liquidez e Execução Entram no Centro da Análise

De modo geral, o Itaú BBA enfatiza que o mercado passou a dar maior importância à qualidade financeira das empresas.

“Liquidez, execução e alocação de capital ganham um peso crescente na diferenciação entre emissores”, afirma a equipe no relatório. Empresas que apresentam receitas mais estáveis, uma boa escala e dívidas alongadas tendem a se destacar. Em contrapartida, companhias que dependem de processos de desalavancagem, venda de ativos ou recuperação de margens enfrentam uma análise mais rigorosa.

Tendências para 2026

Para o ano de 2026, o banco antecipa um cenário ainda seletivo, com alguns vetores principais que merecem atenção por parte dos investidores.

No setor sucroenergético, a expectativa é mais otimista para a produção de etanol, impulsionada pela mistura obrigatória de 30% na gasolina (E30). A produção pode alcançar cerca de 40 bilhões de litros na safra de 2026/27, conforme estimativas mencionadas no relatório.

Por outro lado, o avanço do etanol de milho, que já representa mais de 22% da produção nacional e deve crescer cerca de 20%, tende a aumentar a oferta e limitar os aumentos de preços.

No segmento de concessões e infraestrutura, a perspectiva é construtiva, embora com uma seleção mais criteriosa. “Embora o cenário setorial continue positivo, a diferenciação entre concessionárias deverá permanecer elevada”, observa o banco.

No setor elétrico, as agendas regulatórias avançaram com a renovação de concessões, contribuindo para a redução de riscos institucionais. Contudo, a atenção do mercado deve continuar voltada para a execução de investimentos e a gestão eficiente do balanço patrimonial das empresas.

Um Mercado Mais Exigente

A análise central do Itaú BBA revela que o crédito privado está passando por uma nova etapa, na qual não é suficiente apenas pertencer ao setor correto; é necessário demonstrar habilidade na execução e disciplina financeira.

“Nos casos em que a tese de investimento depende de desalavancagem, monetização de ativos ou normalização de margens, o foco do mercado tende a continuar focado na conversão de resultados operacionais em caixa”, enfatiza o banco no relatório.

Com taxas de juros ainda elevadas e ciclos de investimento rigorosos, espera-se que 2026 consolide um ambiente mais exigente para as empresas e mais seletivo para os investidores.

Fonte: www.moneytimes.com.br

Related posts

Petrobras (PETR4) perde um quarto do valor de mercado acumulado desde o início do conflito no Irã

Dow Jones sobe mais de 800 pontos e alcança maior pontuação em dois meses após reabertura de Ormuz e queda nos preços do petróleo.

Açúcar bruto apresenta menor valor em 5 anos devido à alta oferta e desvalorização do petróleo.

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais