Expectativa de cortes nos juros dos Estados Unidos
Após a primeira redução na taxa de juros nos Estados Unidos, que foi acompanhada de pelo menos mais dois cortes previstos para as próximas reuniões, os investidores começaram a direcionar sua atenção para as decisões do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.
A expectativa é de que esses cortes nos juros ocorram entre o final deste ano e o início do próximo. Segundo André Jakurski, gestor da JGP, é necessário que essas reduções aconteçam de forma substancial.
Evento MacroDay do BTG
Durante o evento MacroDay, promovido pelo BTG (BPAC11), Jakurski esteve presente ao lado de Rogério Xavier, da SPX, e Luis Stuhlberger, da Verde. Nesse encontro, Jakurski descreveu as taxas de juros no Brasil como “extremas”, enfatizando que, no ano seguinte, as taxas necessitam ser reduzidas. Ele apontou que a expectativa é que haja uma redução mínima de 2 a 3 pontos percentuais.
Conforme o último boletim Focus, as projeções para os anos de 2025, 2027 e 2028 indicam que a taxa básica de juros deve se situar em, aproximadamente, 15%, 10,50% e 10%, respectivamente.
Aumento dos gastos fiscais em ano eleitoral
Por outro lado, Jakurski também mencionou a possibilidade de um aumento dos gastos fiscais no próximo ano em virtude do contexto eleitoral. Ele afirmou que isso é uma tradição no Brasil, observando que, em anos eleitorais, costuma haver um incremento nos gastos públicos, como já ocorreu durante o governo Bolsonaro e em outras administrações. Ele acredita que, de alguma forma, esses gastos terão impacto em vários setores da economia.
André Esteves, chairman e sócio sênior do BTG Pactual, foi o mediador do painel onde essas ideias foram discutidas.
Desaceleração da economia brasileira
No que se refere à economia brasileira, Rogério Xavier constatou que ela já está em um processo de desaceleração. Segundo suas observações, ao analisar os dados mais recentes, percebe-se que a taxa de desemprego, que até então apresentava resistência à desaceleração, começa agora a dar sinais de que pode voltar a aumentar.
Xavier destacou que, ao examinar os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), está claro que os indicadores refletem que o mercado de trabalho está se ajustando a um cenário em que o desemprego tende a subir.
Além disso, Xavier mencionou que, na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), houve um excesso de precisão na análise do hiato do produto. Ele acredita que essa rigidez na avaliação não levou em conta as perspectivas futuras da inflação. Para Xavier, essa situação será corrigida no Relatório Trimestral que será divulgado em dezembro.
Na próxima terça-feira, o Banco Central divulgará a ata da última reunião do Copom, documento que fornecerá mais detalhes sobre a decisão de manter os juros em 15%.
Desempenho do mercado brasileiro
Outro tema abordado durante o evento foi o desempenho do mercado no Brasil. Contra expectativas negativas, o índice Ibovespa alcançou novas máximas, enquanto o valor do dólar caiu para os menores patamares em anos.
André Esteves levantou a questão sobre o que poderia explicar essa melhora no mercado: o rali eleitoral, méritos próprios da economia brasileira ou a influência de investidores estrangeiros?
Na visão de Xavier, a mudança na percepção do mercado começou com o novo favoritismo em relação à candidatura do presidente Lula nas eleições. Pesquisas recentes indicam que a disputa está apertada, e a popularidade de Lula caiu a níveis recordes, embora levantamentos recentes indiquem algumas melhorias nesse aspecto.
Xavier também comentou sobre o surgimento de uma possibilidade de alternância na política econômica, independentemente de quem for eleito, seja Lula ou um candidato de centro-direita. Essa alternância exigirá esforços de ambos os lados para lidar com a atual situação econômica.
Ele ainda observou que os mercados estão atentos ao cenário externo, que se apresenta favorável, mesmo diante de um quadro fiscal frouxo no Brasil, combinado com uma política monetária extremamente restritiva. Isso contribui para que, mesmo que lentamente, ocorra uma importante desinflação.
Cenário externo e sua influência
Por sua vez, André Esteves destacou que o cenário global é mais favorável para os países emergentes e que até o momento isso está pouco relacionado ao processo eleitoral brasileiro. Ele fez comparações entre o desempenho do real em relação a outras moedas emergentes e avaliou que, de maneira geral, movimentos nos mercados estão sendo mais influenciados por fatores globais do que locais.
Esteves também afirmou que a dinâmica eleitoral tem se manifestado de forma mais visível apenas nas operações de mercado, onde, ao receber novidades sobre pesquisas eleitorais, as reações dos traders são rápidas, fazendo com que os preços das ações possam subir ou descer em poucos pontos.
Jakurski concluiu reiterando que a momentum atual dos mercados emergentes é, de fato, um fator estrutural e que, de acordo com dados recentes, a variação em dólar das bolsas no Brasil, Peru, México e Chile tem sido bastante similar, reforçando a ideia de que o movimento observado é global.
Fonte: www.moneytimes.com.br


