Japão Planeja Liberação de Estoques de Petróleo
O Japão anunciou a intenção de liberar petróleo de suas reservas na próxima segunda-feira, dia 16, como uma medida para mitigar os efeitos da guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã. Este fato remete à crise do petróleo ocorrida há cerca de cinquenta anos, que levou o país a estabelecer reservas estratégicas.
Aumento dos Preços da Gasolina
O aumento dos preços da gasolina em todo o Japão é uma consequência direta da interrupção do fornecimento no Estreito de Ormuz, localizado no Golfo Pérsico, provocada pelo conflito. Em resposta a essa situação, Tóquio prometeu liberar um total recorde de 80 milhões de barris de petróleo, quantidade suficiente para suprir cerca de 45 dias de consumo nacional, considerando que o Japão possui escassos recursos naturais.
Solicitações ao Setor de Refino
O governo japonês fez um apelo às refinarias do país para que utilizem o petróleo bruto a ser liberado. Essa ação provocará uma diminuição de 17% nas reservas nacionais, mas é fundamental para assegurar o abastecimento interno. Contudo, ainda não está claro quanto do petróleo que será liberado estará incluído na iniciativa global de 400 milhões de barris, coordenada pela Agência Internacional de Energia, com o objetivo de combater a interrupção da oferta e a volatilidade dos preços decorrentes da guerra.
Análise da Situação
Embora a liberação de reservas possa ajudar a estabilizar o fornecimento, seu papel é em grande parte como uma estratégia temporária. A declaração do governo do Japão ressalta a gravidade com que Tóquio encarava as dificuldades no fornecimento. Segundo Yuriy Humber, CEO da consultoria Yuri Group, com sede em Tóquio, "as reservas podem contribuir para a estabilização do abastecimento e dos preços no curto prazo, mas principalmente servem para ganhar tempo. Elas não conseguem compensar totalmente uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz".
Possíveis Liberações Adicionais
Qualquer liberação de 12 milhões de barris que estão mantidos em conjunto no Japão pela Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kuwait seria considerada um adicional aos 80 milhões de barris já anunciados pelo governo japonês, conforme informações do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão.
Histórico do Sistema de Reservas
O Japão implementou seu sistema nacional de reservas de petróleo em 1978, anos após o embargo de petróleo árabe. Atualmente, a nação do G7, que depende do Oriente Médio para aproximadamente 90% de suas importações de petróleo, possui estoques que equivalem a 254 dias de consumo.
Liberação Programada
De acordo com o Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI), a liberação do petróleo começará na próxima segunda-feira, com a quantidade correspondente ao setor privado sendo equivalente a 15 dias de produção. A partir do final do mês, também será liberada uma quantidade proveniente das reservas estatais, equivalente a um mês de produção.
Preparativos do Setor Privado
Enquanto as empresas privadas se preparam para acessar os estoques de petróleo do Japão, Ryosei Akazawa, ministro do METI, afirmou que também estão buscando suprimentos adicionais em locais como Estados Unidos, Ásia Central, América do Sul e países do Golfo, a fim de contornar a interrupção relacionada ao Estreito de Ormuz.
Dependência de Importações
Atualmente, o Japão obtém cerca de 4% de seu petróleo dos Estados Unidos. Isso ocorre após uma praticamente completa interrupção nas importações da Rússia, em resposta à invasão da Ucrânia em 2022, época em que o Japão utilizou suas reservas pela última vez.
Perspectivas do Conflito
Lee Zeldin, administrador da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, comentou sobre a situação ao afirmar: "Quando você observa o conflito no Oriente Médio, lembra-se de que todo o petróleo bruto que foi do Alasca ao Japão nunca foi alvo de um ataque terrorista bem-sucedido". Ele também destacou que este conflito serve como um lembrete de que, na região do Indo-Pacífico, muitas outras nações podem olhar para os Estados Unidos, que possuem os recursos necessários.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


