Comentários de Takaichi e Reação do Japão
Sanae Takaichi, primeira-ministra do Japão, participou de um debate entre líderes de partidos na câmara alta do parlamento em Tóquio, Japão, na quarta-feira, 26 de novembro de 2025. Durante suas declarações, Takaichi afirmou que não tinha a intenção de aprofundar detalhes sobre uma contingência em Taiwan, em comentários que foram severamente criticados por Pequim.
No dia seguinte, o Japão rejeitou uma avaliação de inteligência dos Estados Unidos, a qual afirmava que os comentários da primeira-ministra Sanae Takaichi sobre Taiwan representavam uma “mudança significativa” para um primeiro-ministro japonês em exercício.
O Secretário-Chefe do Gabinete, Minoru Kihara, informou aos repórteres durante uma coletiva de imprensa que a abordagem de Tóquio permanece “bastante consistente”.
“Uma mudança política significativa não é algo que está ocorrendo neste momento,” disse Kihara, conforme tradução fornecida pelo Escritório do Primeiro-Ministro.
Essa resposta ocorreu enquanto Takaichi chegava aos Estados Unidos para uma cúpula com o presidente Donald Trump, com expectativa de que o conflito com o Irã dominasse a reunião.
Reações da China
Takaichi gerou uma reação furiosa de Pequim em novembro, quando declarou ao parlamento que uma tentativa da China de tomar Taiwan à força poderia provocar a intervenção das Forças de Autodefesa do Japão.
Em resposta, a China suspendeu as importações de frutos do mar e emitiu avisos de viagem, recomendando que seus cidadãos não viajassem ao Japão, resultando em uma acentuada queda no número de turistas chineses no país.
O relatório de inteligência, emitido em 18 de março, afirmava que a caracterização de Takaichi sobre uma possível invasão chinesa a Taiwan — como uma “situação que ameaça a sobrevivência” do Japão — tinha peso significativo.
Esse termo poderia abrir a porta para que o Japão interviesse sob a reinterpretacão de sua Constituição de 2015, que permite que as forças armadas do Japão se envolvam em “autodefesa coletiva” para proteger forças aliadas em certas circunstâncias.
O relatório dos EUA também afirmou que “a China está empregando pressão coercitiva multidimensional, que provavelmente se intensificará até 2026, visando tanto punir o Japão quanto desencorajar outros países de fazer declarações semelhantes sobre a sua possível participação em uma crise em Taiwan.”
No entanto, a comunidade de inteligência também avaliou que, atualmente, os líderes chineses não planejam executar uma invasão de Taiwan em 2027.
Pequim considera Taiwan, governada democraticamente, parte de seu território e não descartou a possibilidade de uso da força contra a ilha. Em contrapartida, Taiwan rejeita essas alegações, afirmando que apenas ela pode decidir seu futuro.
Política de Energia e Relações com Taiwan
No início da quarta-feira, o Escritório de Assuntos de Taiwan da China declarou que a reunificação pacífica com Taiwan seria benéfica para a ilha, incluindo a melhoria da segurança dos recursos energéticos de Taiwan, “apoiada por uma forte pátria.”
Essas declarações surgem enquanto o presidente de Taiwan, Lai Ching-te, buscava aliviar as preocupações sobre seu estoque de energia, afirmando que os suprimentos para Taiwan estão “100% garantidos” para os próximos dois meses. Ele acrescentou que Taiwan pretende aumentar suas importações de gás dos Estados Unidos para atender à demanda energética interna.
De acordo com a Administração de Energia de Taiwan, 95,8% de sua energia foi importada em 2024. Arábia Saudita e Estados Unidos que juntos representaram cerca de 30% das importações de petróleo bruto.
Taiwan obteve 38% de suas importações de gás natural liquefeito (GNL) da Austrália, com cerca de um quarto vindo do Qatar.
O carvão importado representou 29,1% do suprimento energético de Taiwan, com quase metade proveniente da Austrália e apenas 0,03% da China. No outro lado, Taiwan não importou petróleo bruto ou GNL da China naquele ano.
Fonte: www.cnbc.com