Japão solicita à China a revisão do controle sobre recursos de terras raras.

Japão solicita à China a revisão do controle sobre recursos de terras raras.

by Fernanda Lima
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Japão e Proibição de Exportações da China: Uma Questão Castradora

O Japão classificou, na quarta-feira (7), a proibição imposta pela China às exportações de produtos de dupla utilização para o setor militar japonês como "absolutamente inaceitável". Esta ação ocorre em um cenário de tensões crescentes entre as duas maiores economias da Ásia, com uma ameaça iminente de restrições mais amplas relacionadas a terras raras, que são essenciais para diversas indústrias.

Entendendo os Bens de Dupla Utilização

Os itens de dupla utilização são definidos como bens, softwares ou tecnologias que possuem utilizações tanto civis quanto militares. Entre eles, estão incluídos certos minerais críticos, que são imprescindíveis na fabricação de drones e chips eletrônicos, mostrando a relevância deste tipo de produto no campo tecnológico e militar.

Contexto da Disputa

A disputa entre Japão e China intensificou-se no final do ano anterior, quando a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, declarou que um potencial ataque da China a Taiwan, uma ilha que se governa democraticamente, poderia ser visto como uma ameaça existencial ao Japão. É importante notar que a China considera Taiwan parte de seu território, uma alegação que não é reconhecida pela ilha.

Após as declarações de Takaichi, Pequim exigiu uma retratação, o que não ocorreu, gerando uma série de contramedidas. A proibição mais recente, anunciada na terça-feira, impede a exportação de produtos para usos militares ou quaisquer finalidades que possam fortalecer o poderio militar japonês.

Reações Japonesas à Proibição Chinesa

O secretário-chefe do Gabinete japonês, Minoru Kihara, destacou que a medida destinada especificamente ao Japão difere marcadamente das práticas internacionais, sendo classificada como "absolutamente inaceitável e profundamente lamentável". Em uma coletiva de imprensa realizada na quarta-feira, Kihara evitou comentar sobre os possíveis impactos na indústria japonesa, uma vez que os detalhes sobre quais produtos seriam afetados ainda não estavam claros.

Impactos no Mercado Financeiro

O índice Nikkei, que mede a bolsa de valores japonesa, registrou um declínio de cerca de 1% na quarta-feira, contrastando com a tendência de altas históricas observadas nos índices de referência da Europa e dos Estados Unidos. As ações de grandes empreiteiras militares, como Kawasaki Heavy e Mitsubishi Heavy, destacaram-se entre as que mais perderam valor, com uma queda aproximada de 2%.

Possíveis Restrições às Exportações de Terras Raras

Novas Medidas da China

Informações divulgadas pelo China Daily, veículo de comunicação vinculado ao Partido Comunista Chinês, apontam que Pequim está considerando impor restrições adicionais às exportações de terras raras para o Japão. Essa medida poderia ter consequências significativas para a indústria japonesa, especialmente para setores cruciais, como o automotivo.

Dependência do Japão em Relação à China

Desde 2010, quando a China restringiu pela última vez a exportação desses minerais, o Japão tem buscado diversificar suas fontes de fornecimento. Contudo, o país ainda depende da China para cerca de 60% de suas importações de terras raras. Para alguns elementos pesados essenciais, como aqueles usados na produção de ímãs para motores de veículos elétricos e híbridos, a dependência é praticamente total, segundo analistas do setor.

Reações da Indústria Automotiva

A fabricante de automóveis Subaru anunciou que está acompanhando atentamente a situação, enquanto outras grandes montadoras, como Toyota e Nissan, não ofereceram comentários imediatos sobre o impacto da proibição. Economistas do Instituto de Pesquisa Nomura estimam que uma restrição de três meses às exportações chinesas de terras raras poderia resultar em perdas para as empresas japonesas na ordem de 660 bilhões de ienes (equivalente a aproximadamente 4,2 bilhões de dólares americanos) e provocar uma redução de 0,11% no PIB (Produto Interno Bruto) anual. Um potencial embargo de um ano poderia causar uma diminuição ainda mais significativa, reduzindo o PIB em 0,43%.

Possíveis Retaliações

O consultor Cameron Johnson, da Tidalwave Solutions em Xangai, comentou que, se as proibições da China começarem a impactar significativamente as empresas japonesas, Tóquio não ficará inerte. Johnson comentou que o Japão pode retaliar, e as áreas de resposta poderiam incluir semicondutores e outros materiais de alta tecnologia que são críticos para a cadeia de suprimentos da China.

Nova Investigação Antidumping

Em outro desenvolvimento, a China iniciou uma investigação antidumping sobre as importações de diclorosilano do Japão, um composto químico integral para a indústria de semicondutores. Esta ação reflete a tensão em curso nas relações comerciais e destaca a crescente animosidade entre os dois países.

Consequências das Tensões Bilaterais

Escalada nas Relações

Desde que Takaichi fez suas declarações sobre Taiwan em novembro, a China tem tomado diversas medidas contra o Japão, incluindo a recomendação a seus cidadãos para evitar viagens ao país, a suspensão das importações de frutos do mar japoneses e a anulação de reuniões culturais.

Comentários de Líderes Internacionais

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que mediou uma trégua frágil na guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, fez apelos à Takaichi para que evite exacerbar ainda mais a disputa. Aparentemente, a controvérsia não prejudicou a popularidade de Takaichi entre os cidadãos japoneses, conforme indicam as pesquisas de opinião realizadas.

Comparações Históricas

Analistas observam que a crise atual assemelha-se à provocada pela nacionalização, em 2012, de ilhas disputadas pelo Japão, o que resultou em protestos maciços na China e no congelamento das reuniões entre líderes dos dois países por um período extenso.

Expectativas para o Futuro

Keita Ishii, presidente da Itochu Corp, uma das principais empresas comerciais do Japão, expressou a opinião de que a situação manter-se-á tensa por um período prolongado. Durante uma coletiva de imprensa na quarta-feira, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China reiterou a indignação de Pequim frente aos comentários de Takaichi, pedindo ao Japão que reconheça seus erros e examine as causas que geraram o atual conflito.

Fonte: www.cnnbrasil.com.br

As informações apresentadas neste artigo têm caráter educativo e informativo. Não constituem recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos financeiros. O mercado de capitais envolve riscos e cada investidor deve avaliar cuidadosamente seus objetivos, perfil e tolerância ao risco antes de tomar decisões. Sempre consulte profissionais qualificados antes de realizar qualquer investimento.

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