O senador Jaques Wagner (PT-BA) reconheceu ter conhecido Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, no contexto da negociação do Credcesta, um cartão de benefícios consignado que foi criado na Bahia em 2018. Além disso, o parlamentar criticou a operação da Polícia Federal (PF) que o investigou, caracterizando-a como uma “patacoada”.
No dia 18 de junho, Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que está sendo conduzida pela PF em relação ao caso do Banco Master. A investigação busca apurar suspeitas de fraudes financeiras e irregularidades associadas à referida instituição.
Conforme informações da PF, o senador é suspeito de ter recebido um imóvel no valor de R$ 2,5 milhões, além de pagamentos de propina que totalizariam aproximadamente R$ 3,5 milhões, os quais teriam sido realizados por meio de uma empresa relacionada a um de seus familiares. Wagner, contudo, nega qualquer tipo de irregularidade.
Relação com ex-sócio do Banco Master
Wagner comentou que conheceu Augusto Lima durante a negociação do Credcesta, que foi operado pelo Banco Master. Afirmou: “Quando privatizamos a Cesta do Povo, em 2018, o cartão foi junto. Não existia (Daniel) Vorcaro, não existia Master. O banco se associou a Augusto Lima em 2019, se não me engano”, durante uma entrevista à Folha de S.Paulo, que foi publicada na sexta-feira (26).
O senador reiterou que o Banco Master foi viabilizado durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele declarou: “Porque o outro lado diz o tempo todo: ‘Tudo começou na Bahia’. Eu vou repetir: nada começou na Bahia. Quem viabilizou o Banco Master foi Roberto Campos Neto e seu Banco Central. Se foi errado ou se foi certo, só estou afirmando que a concretização do Banco Master aconteceu no governo Bolsonaro”.
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Wagner diz que houve “espetacularização”
Wagner relatou que discutiu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o que classificou como uma tentativa de desenvolver uma “narrativa” contra ele. O senador comentou: “Falei. ‘Estão tentando fazer uma narrativa para colocar em mim algo que não existe’.”
Ele também criticou a maneira como a operação foi realizada, expressando seu descontentamento. Disse: “Não quero proteção, quero correção. Seguramente abriram o envelope do Senado onde estavam minhas diárias, colocaram-no sobre a cama e fotografaram. Eu disse a ele (Lula) que era muito ruim que a Polícia Federal transformasse uma investigação em espetacularização”.
Em outro momento, Wagner questionou a divulgação de imagens da operação policial. “Questiono a exposição absolutamente inconveniente e não determinada pelo magistrado que preside a ação. Para que aquela cena de dinheiro sobre a cama com o emblema da PF? Esse processo existiu durante a Lava Jato. Se a Polícia vai continuar nesse tipo de espetacularização, penso que o chefe da Polícia Federal deve se responsabilizar”, afirmou.
O senador enfatizou que não se opõe à investigação, mas criticou a forma como o caso tem sido exposto publicamente. “Não estou pedindo para que não me investiguem, apenas digo que não se deve realizar essa patacoada. Aquela foto foi usada em várias capas de jornais, o que considero uma condenação antecipada”.
Sobre as acusações, Wagner comentou que os investigadores “construíram uma tese” e que “não vão conseguir provar”. Ele afirmou: “Acreditam que a empresa foi criada para me beneficiar e estão se empenhando para tentar comprovar essa teoria”.
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Saída da liderança do governo
Wagner também abordou sua decisão de se afastar da liderança do governo no Senado, uma escolha que fez pública na quarta-feira (24). Ele ressaltou que uma conversa pessoal com Lula foi crucial para essa decisão.
Sob a perspectiva de Wagner, a conversa foi importante: “Era fundamental ter um diálogo pessoal com o presidente. Quando ele me contatou, no dia do episódio, foi primeiramente para se solidarizar e, depois, para perguntar se era apropriado eu continuar ou não. Eu respondi que, a princípio, não pretendia deixar (o cargo), mas na quarta-feira, dia 24, fui conversar”.
Wagner relatou que Lula sugeriu que ele precisaria focar em sua própria defesa. “Ele [Lula] comentou que me conhecia há 48 anos, mas que havia sido construída uma história que eu precisaria desfazer e questionou se eu conseguiria administrar as duas funções [a defesa e a liderança]. Por isso, tomei a decisão de me afastar”, explicou.
O senador petista foi sucedido na liderança do governo no Senado pela senadora Teresa Leitão (PT-PE).
Fonte: timesbrasil.com.br

