Cenário Político na Hungria
O Primeiro-Ministro da Hungria, Viktor Orbán, conta com o “apoio total e absoluto” do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, porém, enfrenta a possibilidade de perder as eleições no país, que se configuram como uma das mais importantes e polêmicas na Europa neste ano.
Visita do Vice-Presidente dos EUA
Na próxima terça-feira, o Vice-Presidente dos EUA, JD Vance, chegará à Hungria para oferecer apoio a Orbán e participará de um comício eleitoral em um estádio de futebol em Budapeste, na véspera das eleições que ocorrerão no domingo. Enquanto outros líderes europeus se alinham de maneira clara com a Ucrânia em sua luta contra a Rússia, Orbán tem mantido laços relativamente fortes com o Presidente russo, Vladimir Putin. Em sua campanha, Orbán chegou a afirmar que a União Europeia representa uma ameaça maior à Hungria do que a Rússia.
Resultados das Pesquisas
As últimas pesquisas indicam que Orbán e seu partido, Fidesz, estão prestes a perder para seu principal adversário, o partido de oposição pró-europeu Tisza, cujo líder, Peter Magyar, está em posição de suceder Orbán após 16 anos no cargo.
Essa mudança seria significativa em um país onde os debates são dominados por preocupações com migração, vulnerabilidade a preços de energia elevados, corrupção e violações do estado de direito.
Essas violações resultaram na suspensão de fundos da União Europeia para o país, com aproximadamente 17 bilhões de euros em recursos ainda congelados.
Prioridades de Magyar
Magyar afirmou que desbloquear os fundos seria sua “principal prioridade” e sinalizou que estaria aberto a buscar laços mais estreitos com a União Europeia, incluindo a possível adoção do euro.
Em uma entrevista à Associated Press no último fim de semana, Magyar destacou que “alcançar um compromisso” é uma “arte”. Ele acrescentou: “O mundo parece estar passando pela Europa. A Europa perdeu sua competitividade. A Europa não tem líderes fortes o suficiente. Não há líderes com visão, e a Europa está ficando para trás.”
Análise da Possível Mudança de Governo
Uma análise do German Marshall Fund indica que a premiê de Magyar poderia significar uma mudança na política externa confrontacional adotada por Orbán e também poderia aproximar Budapeste de seus aliados ocidentais em outras questões, como a unidade contra a Rússia.
Contudo, um possível governo de Magyar não representaria uma ruptura total com as políticas da era Orbán.
Questões Controversas
A migração continua a ser um tema polêmico, assim como o apoio à Ucrânia. O partido Tisza adotou uma postura cautelosa em relação às ambições da Ucrânia na União Europeia e, de fato, apoiou o governo de Orbán no Parlamento Europeu ao votar contra o envio de tropas ou armas para a linha de frente.
A energia também permanece como uma questão delicada. A Hungria está atualmente envolvida em uma disputa com a Ucrânia sobre entregas de petróleo através do oleoduto Druzhba, o que levou Budapeste a vetar um empréstimo de 90 bilhões de euros da União Europeia.
Nas últimas semanas, Orbán tem se concentrado em abordar temores em relação a um choque nos preços da energia, decorrente da guerra no Irã. Ele acusou Magyar de conspirar com a União Europeia e a Ucrânia para cortar a Hungria do fornecimento de petróleo russo barato.
A campanha eleitoral também está sendo observada de perto em busca de qualquer possível interferência externa da Rússia, com relatos de desinformação nas redes sociais sendo alvo de atenção especial.
Fonte: www.cnbc.com


