Nova Liderança na Disney
A Disney nomeou Josh D’Amaro, atual presidente de Disney Experiences, como seu novo CEO, assumindo o lugar de Bob Iger e encerrando uma das mais aguardadas corridas de sucessão na companhia. O anúncio gerou grande expectativa entre investidores, especialistas da indústria e observadores, que aguardavam a definição do próximo líder de uma das empresas mais icônicas dos Estados Unidos. Esta indicação marca a segunda vez em seis anos que a Disney escolhe um sucessor para Iger — antes, a escolha recaiu sobre Bob Chapek, chefe de parques, cuja gestão se transformou em um espetáculo público em questões de governança corporativa, resultando na reintegração de Iger ao cargo e na prorrogação de sua aposentadoria.
No comunicado, Iger se referiu a D’Amaro como um “líder excepcional e a pessoa certa para ser nosso próximo CEO”. Ele destacou que D’Amaro possui uma apreciação instintiva da marca Disney, assim como uma profunda compreensão do que ressoa com o público, além de rigor e atenção aos detalhes, fundamentais para a entrega de projetos ambiciosos. Para Iger, a habilidade de D’Amaro em combinar criatividade com excelência operacional é exemplar, e ele está entusiasmado tanto por D’Amaro quanto pela companhia.
Processo de Sucessão
Nos últimos anos, o conselho da Disney, liderado pelo ex-CEO da Morgan Stanley, James Gorman, tem avaliado candidatos para o cargo mais alto, principalmente entre os executivos da própria empresa. As quatro principais reportações de Iger — D’Amaro, o presidente da ESPN Jimmy Pitaro e os co-presidentes de Entretenimento Dana Walden e Alan Bergman — foram entrevistadas pelo comitê de sucessão já em 2024, conforme noticiado anteriormente pela CNBC.
A especulação nos últimos meses se concentrou em D’Amaro e Walden como fortes candidatos.
Acompanhe às 9h ET, quando James Gorman, presidente do conselho da Disney, se junta à CNBC TV para discutir o plano de sucessão da empresa. Assista ao vivo no CNBC+ ou no stream do CNBC Pro.
Desafios e Oportunidades
D’Amaro assume a liderança da Disney em um contexto de incerteza sobre a liderança e uma recepção mista por parte de Wall Street em relação ao desempenho da empresa. Na segunda-feira, a Disney divulgou resultados trimestrais e uma receita que superou as expectativas, impulsionada pelos parques temáticos e pelo streaming, embora as ações tenham caído 7%. Iger manifestou confiança nas mudanças implementadas na Disney ao longo dos últimos três anos e no caminho para o sucesso futuro.
Especificamente, a unidade de experiências, que abrange parques temáticos, resorts e cruzeiros, reportou mais de $10 bilhões em receita trimestral pela primeira vez. O crescimento dessa divisão ainda deixa margem para expansão.
O CFO Hugh Johnston afirmou esta semana à CNBC: “A otimização dos parques, a busca pela rentabilidade no streaming e o fortalecimento do negócio de cinema são sinais positivos para um novo CEO”.
A companhia está planejando desenvolver um novo parque temático e resort em Abu Dhabi, além de seu compromisso de investir $60 bilhões em seus parques ao longo da próxima década, e busca capitalizar sobre seu domínio nas bilheteiras em 2025. Contudo, a situação do setor de entretenimento se mantém como prioridade, à medida que a Disney enfrenta a erosão da TV tradicional e concentra seus esforços em conteúdos de destaque e na lucratividade do streaming.
Serão responsabilidade do sucessor de Iger direcionar a Disney para sua próxima fase.
Desafios de Liderança em um Gigante do Entretenimento
Assumir a liderança de um conglomerado de mídia e parques temáticos como a Disney não é tarefa simples. E, suceder Iger traz seus próprios desafios. O CEO renomado esteve à frente da Disney por cerca de 20 anos, divididos em duas gestões. Iger liderou a empresa por 15 anos antes de sua primeira saída em 2020, após uma carreira que começou na rede de transmissão ABC, onde trabalhou antes de assumir cargos de liderança na empresa mãe.
Na sua primeira saída, Disney anunciou rapidamente que Chapek, que até então atuava como presidente dos parques, assumiria o cargo de CEO. A escolha de Iger para um sucessor foi feita mais cedo do que o esperado e surpreendeu a indústria.
Durante a primeira gestão de Iger, ele supervisionou aquisições que revitalizaram a companhia, transformando-a em uma potência. Ao deixar a empresa em 2020, seu leque de realizações era extenso, incluindo o lançamento do serviço de streaming Disney+, que rapidamente conquistou um grande número de assinantes.
Entretanto, a troca de comando para Chapek ocorreu em meio a controvérsias e foi ofuscada pela pandemia de Covid-19, que resultou em ordens de permanência em casa que fecharam cinemas e parques temáticos, embora tenham beneficiado o streaming.
As ações da Disney dispararam no início da pandemia, com o aumento no número de assinantes de streaming. Porém, no final de 2021, sob a administração de Chapek, o preço das ações começou a cair à medida que a empresa reportava resultados abaixo das expectativas e um crescimento mais lento do que o previsto para o streaming.
Em 2022, com críticas à gestão de Chapek se intensificando, Iger foi reintegrado ao cargo. O anúncio elevou o preço das ações da companhia, mesmo com a agenda de Iger incluindo reestruturações na empresa que ele havia deixado menos de dois anos antes.
Nesta segunda gestão, Iger se concentrou menos em aquisições e mais em uma reestruturação significativa que implementou cortes de custos no valor de $5,5 bilhões, efetuou demissões e criou três divisões principais da empresa: Disney Entertainment; ESPN e Sports; e Parks, Experiences and Products.
Iger expressou seu orgulho pelo que a empresa conquistou nos últimos três anos, enfatizando que a Disney está posicionada para um crescimento contínuo no futuro. Ele também enfrentou uma campanha ativista e conseguiu direcionar os negócios de TV e streaming para a lucratividade, além de restabelecer a Disney como líder nas bilheteiras e anunciar um investimento abrangente em seus parques temáticos, que são, sem dúvida, um dos negócios mais sólidos da empresa.
O Legado de Iger e a Busca pelo Próximo Sucessor
A medida que Iger trabalhava para colocar a empresa de volta nos trilhos, a questão da sucessão tornou-se mais uma vez um tópico central. Logo após retornar ao cargo de CEO, Iger afirmou à CNBC que não tinha a intenção de permanecer por mais de dois anos. Contudo, em situações anteriores em que Iger havia manifestado a intenção de se afastar, essa data de saída era frequentemente postergada.
No meio de 2023, a Disney prorrogará o contrato de Iger por mais dois anos e anunciou a intenção de nomear um sucessor até o início de 2026. O CEO, então, afirmou que parte da extensão de seu contrato envolvia a preocupação em “garantir que a Disney esteja bem posicionada” para a próxima pessoa a assumir o cargo.
Iger enfatizou: “A importância do processo de sucessão não pode ser subestimada”.
Fonte: www.cnbc.com