Ações da Oncoclínicas e Novo Financiamento
As ações da Oncoclínicas (ONCO3) reagem de forma positiva ao financiamento que a empresa garantiu junto à MAK e Lumina Capital. Este aporte financeiro é especialmente significativo em um contexto onde a companhia enfrenta dificuldades na aquisição de medicamentos e atrasos no tratamento de pacientes. A rede de tratamentos oncológicos receberá um financiamento das Lumina entre R$ 100 e R$ 150 milhões.
Com os recursos obtidos, a Oncoclínicas poderá adquirir medicamentos da OncoProd, sua principal fornecedora, que tem enfrentado limitações na venda devido a problemas financeiros que a companhia está enfrentando.
A operação de financiamento será respaldada por uma cessão fiduciária de recebíveis provenientes de contratos estabelecidos com operadoras de planos de saúde, hospitais e/ou seguradoras.
Alterações na Diretoria
Para atender as condições impostas pela MAK e Lumina, o conselho da Oncoclínicas aceitou a renúncia imediata de Bruno Ferrari, que ocupava o cargo de vice-presidente do conselho, e nomeou Mateus Affonso Bandeira, indicado pela MAK, além do CEO Carlos Gil Ferreira para ocupar as vagas deixadas abertas até a assembleia de acionistas marcada para o dia 30 de abril de 2026.
O banco JP Morgan releva que a injeção de capital já era uma expectativa do mercado, especialmente após a adoção de uma medida cautelar que suspendeu o vencimento antecipado de dívidas e outras cláusulas que dizem respeito a passivos da empresa.
A equipe de analistas liderada por Joseph Giordano enfatiza que “a proposta também abre espaço para uma possível capitalização, particularmente após a retirada de propostas da Fleury e Porto Seguro”.
Por volta de 12h30 (horário de Brasília), as ações ONCO3 registravam uma alta de 5,04%, cotadas a R$ 1,46.
Luz no Fim do Túnel?
Na perspectiva do JP Morgan, embora o custo da dívida resultante dessa operação possa ser elevado (os termos específicos ainda não foram divulgados), isso ainda representa uma oportunidade de capitalização para a ONCO3, juntamente com uma reestruturação adicional da dívida existente.
Os analistas do banco ressaltam que “a saída de Bruno Ferrari tende a ser bem recebida pelo mercado, pois promove a renovação no conselho e melhorias na governança da empresa, especialmente em um possível cenário de entrada de um novo investidor financeiro, que pode trazer mudanças estratégicas e uma maior disciplina de capital — um aspecto que deve se refletir na composição do conselho”.
A Oncoclínicas tem uma assembleia de acionistas agendada para o dia 30 de abril, e as expectativas do JP Morgan são de que nesta data haja atualizações sobre a proposta da MAK Capital e uma maior clareza sobre a nova composição do conselho da empresa.
O banco mantém a recomendação Underweight (equivalente a venda) para as ações da Oncoclínicas.
Destituição do Conselho
Na semana passada, Marcelo Gasparino, que era o presidente do conselho de administração da Oncoclínicas, renunciou ao cargo de membro do colegiado. Em função da sua eleição ter ocorrido por meio de voto múltiplo, sua renúncia implica em uma reformulação em toda a composição do conselho.
O mecanismo de voto múltiplo define que cada acionista recebe um número de votos proporcional à quantidade de ações que possui, multiplicado pelo número de vagas disponíveis no conselho. Essa configuração permite que acionistas minoritários consigam eleger representantes.
Entretanto, quando esse mecanismo é acionado, o grupo eleito é considerado um bloco único, elegido com base na proporcionalidade do voto múltiplo. A legislação associada a esse método prevê a destituição geral caso haja uma renúncia.
Dentro deste contexto, a companhia irá deliberar a eleição de novos membros do conselho durante a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) convocada para o dia 30 de abril.
Recentemente, a Oncoclínicas registrou um prejuízo líquido de R$ 1,516 bilhão referente ao quarto trimestre de 2025, um aumento em relação ao prejuízo de R$ 759 milhões que havia sido reportado no mesmo período de 2024.
Resultados Operacionais e Desempenho Financeiro
A empresa apresentou um resultado operacional, medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, de R$ 238,8 milhões no último trimestre de 2025, refletindo uma diminuição de 24% em comparação ao quarto trimestre de 2024.
A receita líquida no 4T25 também enfrentou uma queda e foi 12,6% inferior se comparada ao mesmo período de 2024, totalizando R$ 1,37 bilhão.
A Oncoclínicas nasceu com foco em tratamentos oncológicos, mas após realizar sua oferta pública inicial (IPO) em 2021, ampliou o escopo de suas clínicas, passando a oferecer diagnósticos e tratamentos como radioterapia e quimioterapia, além de outros serviços de alta complexidade no tratamento oncológico.
Com o objetivo de seguir essa trajetória de expansão, a companhia revisou sua estratégia para incluir a aquisição de hospitais. Contudo, essa abordagem não se mostrou eficaz, uma vez que a Oncoclínicas não apresentou a expertise necessária para gerir áreas hospitalares que não fossem a oncológica.
Como consequência, a companhia, que chegou a adquirir três hospitais gerais e estava em processo de construção de três outros, vem enfrentando uma deterioração nos resultados financeiros, um aumento na alavancagem e um elevado consumo de caixa.
Nesse percurso desafiador, a Oncoclínicas passou por múltiplas capitalizações e permaneceu envolvida com o Banco Master, tendo parte de seu caixa alocado em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) do banco, cujo proprietário, Daniel Vorcaro, proporcionou um aporte de capital para a empresa.
Fonte: www.moneytimes.com.br