Aquisição de Terras pela SLC Agrícola
A operação em questão abrange aproximadamente 41,2 mil hectares localizados no estado de Mato Grosso, sendo que 28,8 mil hectares possuem aptidão para a agricultura. De acordo com informações fornecidas pela empresa SLC Agrícola, aproximadamente 17,6 mil hectares estão atualmente sob sua operação.
Análise do JP Morgan sobre a Aquisição
O banco JP Morgan, em sua análise, ressalta que, apesar das terras adquiridas serem consideradas ativos de alta qualidade e situadas em uma das principais regiões produtoras do Mato Grosso, essa aquisição não gera valor suficiente para os acionistas da companhia. Os analistas do banco observam que o desconto implícito de 15% a 20% sobre o valor patrimonial das terras (NAV) é inferior ao desconto de cerca de 52% que as ações da SLC estão apresentando atualmente no mercado.
Na prática, essa avaliação indica que a SLC está investindo na compra de ativos que estão sendo negociados a um desconto menor do que aquele aplicado ao mercado de suas próprias ações. Além disso, os analistas do JP Morgan afirmam que a transação implica um cap rate (taxa de capitalização) estimado em cerca de 3,5%, o que é considerado relativamente baixo.
Implicações da Alavancagem
Outro aspecto que chama a atenção dos analistas é a questão da alavancagem financeira. Eles projetam que a relação entre a dívida líquida e o Ebitda da SLC Agrícola pode aumentar em aproximadamente 0,9 vez até o final de 2026, caso a aquisição seja concretizada dentro deste ano. Essa expectativa de maior endividamento traz consigo um aumento nos custos financeiros e amplifica os riscos, especialmente em um contexto de incertezas climáticas, que podem ser exacerbadas pelo fenômeno El Niño e seus possíveis impactos sobre a produção agrícola.
Posicionamento da SLC Agrícola
A SLC Agrícola, por sua vez, comunicou que toda a área adquirida é apta para o cultivo da segunda safra, o que pode adicionar cerca de 22 mil hectares à área que já é efetivamente cultivada. Além das terras, a negociação inclui também maquinário, estruturas de armazenagem e outros ativos associados às propriedades, caracterizando a aquisição como sendo realizada no modelo “porteira fechada”.
Detalhes da Transação
A administração da empresa informou que o valor total pago pela aquisição equivale a aproximadamente R$ 64,2 mil por hectare, o que representa um desconto de cerca de 15% em comparação com os preços das terras existentes na região. O pagamento da transação será realizado em duas etapas: inicialmente, R$ 700 milhões serão disponibilizados nos próximos dias, corrigidos em 100,25% do CDI, enquanto os R$ 1,15 bilhão restantes serão quitados até o dia 30 de outubro de 2026.
Vale ressaltar que a aquisição foi realizada após uma disputa acirrada com o Grupo Bom Futuro, que apresentou uma proposta no mesmo valor. O fechamento do negócio, no entanto, ainda depende da aprovação dos órgãos reguladores competentes.
Fonte: www.moneytimes.com.br


