Atualização das Estimativas do JP Morgan
O JP Morgan revisou suas previsões para as companhias aéreas Azul (AZUL4) e Gol (GOLL4), levando em conta os resultados do segundo trimestre de 2025 e a recente volatilidade no preço do combustível de aviação. O banco não possui um preço-alvo definido para ambas as empresas e mantém uma recomendação de venda.
Análise da Azul
Em relação à Azul, os analistas Guilherme Mendes e Julia Orsi atribuíram a classificação underweight (equivalente à venda) em virtude da entrada da empresa no processo de Chapter 11 (Recuperação Judicial) no tribunal de falências dos Estados Unidos. Os analistas observaram que, diante desse cenário, a companhia deve enfrentar uma diluição significativa de seu capital, o que justifica a classificação negativa.
Os analistas do JP Morgan indicaram que, para haver uma alteração nesse posicionamento, fatores como melhorias na demanda e aumento das tarifas acima do esperado poderiam representar riscos de alta para a empresa, indicando um desempenho positivo. A redução no preço do combustível e a valorização do real também podem impactar positivamente a geração de caixa da Azul.
Além disso, destacam que uma eventual saída mais rápida do Chapter 11, assim como medidas eficazes de redução de custos e diminuição da dívida, seriam indutores positivos para a ação da empresa.
Análise da Gol
No que diz respeito à Gol, a recente saída do processo de Chapter 11 foi vista com bons olhos pelo banco. No entanto, os analistas ressaltaram que a companhia apresenta uma alavancagem maior em comparação a outras aéreas latino-americanas que estão classificadas como overweight (equivalente à compra). Este cenário, junto a uma avaliação mais elevada em termos de mercado, justifica a manutenção da recomendação de underweight.
Os especialistas apontaram que a demanda no setor aéreo no Brasil já se recuperou aos níveis pré-pandemia e que as companhias aéreas conseguiram aumentar suas tarifas a patamares recordes. Portanto, qualquer melhora na métrica de receita por passageiro por quilômetro e um aumento nas tarifas superiores às expectativas podem gerar uma revisão positiva para a Gol.
Além disso, uma mudança no cenário competitivo poderia ter um efeito positivo sobre a rentabilidade da empresa, segundo a análise do JP Morgan. Por sua vez, a diminuição dos preços do combustível de aviação, que corresponde a aproximadamente 50% das despesas operacionais totais, seria um fator adicional favorável, se concretizado.
As ações de ambas as companhias aéreas enfrentam um cenário desafiador. No caso da Gol, as ações estão sendo negociadas a valores abaixo de centavos, enquanto as ações da Azul estão na faixa de R$ 1.
Fusão entre Azul e Gol
Recentemente, a possibilidade de fusão entre a Azul e a Gol foi rejeitada, com o término das negociações e o encerramento do acordo de codeshare entre as empresas. No início do ano, as companhias ganharam destaque na mídia ao assinar um Memorando de Entendimentos que levou à discussão sobre a fusão. No entanto, a viabilidade dessa união dependia da conclusão da recuperação judicial da Gol nos Estados Unidos (Chapter 11), e, assim que esse processo foi encerrado, a Azul passou a entrar em situação semelhante.
A possibilidade de união foi encerrada pela Abra Group, a controladora da Gol. Em um fato relevante, a empresa informou ao mercado por meio de uma carta enviada à Azul que, apesar da assinatura do Memorando de Entendimentos, a Abra se colocou à disposição para continuar as discussões sobre uma possível combinação de negócios. A carta também indicava que poderia haver discussões paralelas ao processo de Chapter 11 da Azul.
No entanto, a mensagem também esclareceu que as partes não alcançaram discussões significativas ou progressos em relação a uma possível operação de combinação de negócios ao longo de vários meses, devido ao foco da Azul em seu processo de recuperação judicial.
Fonte: www.moneytimes.com.br


