Revisão das Estimativas para Klabin
O JP Morgan revisou suas estimativas para o setor de papel e celulose, alterando a recomendação das ações da Klabin (KLBN11) de compra para neutra. Essa mudança foi motivada pela expectativa de um cenário mais fraco para a celulose de fibra longa, além da percepção de que não há catalisadores no curto prazo para impulsionar os preços.
Perspectivas para a Celulose de Fibra
De acordo com o banco, os preços da celulose de fibra curta estão se aproximando de um pico cíclico, enquanto a fibra longa apresenta desafios persistentes. Os analistas Rodolfo Angele e Tathiane Candini indicaram em relatório que, se bem os preços de fibra curta devem se manter sustentados no curto prazo, a demanda fraca por papel e os spreads comprimidos da fibra longa limitam o potencial de alta. Eles também observaram que os recentes aumentos de preços, que foram impulsionados por uma oferta restrita e por custos crescentes, agora enfrentam obstáculos devido a uma mudança no sentimento global e ao aumento da incerteza.
Impactos Geopolíticos no Mercado
O JP Morgan ressaltou que, embora a disciplina na oferta e a inflação de custos tenham ajudado a sustentar os preços, os riscos geopolíticos, especialmente o conflito no Oriente Médio, trouxeram cautela ao mercado. Isso limitou a disposição dos compradores em aceitar novos aumentos de preços. Quanto ao desempenho da Klabin, os analistas acreditam que seu desempenho operacional "balanceado e sólido" já está precificado, e existem poucos sinais claros para valorização do preço das ações KLBN11.
Como consequência dessa revisão, o banco também reduziu o preço-alvo das ações de R$ 26 para R$ 22, o que representa um potencial de alta de 18% em relação ao preço de fechamento registrado no dia anterior.
Reação do Mercado
Após a divulgação desse relatório, as ações de KLBN11 registraram uma das maiores quedas no Ibovespa. Por volta das 13h (horário de Brasília), a ação apresentava uma queda de 2,30%, sendo negociada a R$ 18,27. Durante a primeira hora do pregão, o papel atingiu a mínima intradia de R$ 18,18, o que representou uma queda de 2,78%.
Suzano: Avaliação Positiva do JP Morgan
Os analistas do JP Morgan destacaram que a Suzano é a única fabricante da América Latina que oferece um perfil de risco-retorno atrativo no atual cenário. O banco reiterou a ação SUZB3 como a favorita do setor.
Valuation Atraente
A visão otimista é sustentada pelo valuation considerado atraente para a companhia, que está sendo negociada a 5,2 vezes o EV/Ebitda projetado para 2026, com um yield de fluxo de caixa livre (FCF) projetado de 12,8% para o mesmo ano. Além disso, há a expectativa de um aumento de volume com a conclusão do projeto Cerrado e uma significativa redução no capital gasto (capex) após a entrada em operação.
Revisão do Preço-Alvo
Em função de revisões cambiais, o JP Morgan reduziu o preço-alvo das ações SUZB3 de R$ 81 para R$ 74. Mesmo assim, essa nova estimativa ainda sugere um potencial de valorização de 56,3% em relação ao preço de fechamento anterior, que foi de R$ 47,35.
Efeitos do Conflito no Oriente Médio
O banco também mencionou em seu relatório que o conflito no Oriente Médio causou uma mudança abrupta no sentimento do mercado e na dinâmica de preços. Inicialmente, as expectativas para o setor eram otimistas, com uma perspectiva amplamente positiva para o primeiro semestre do ano, apoiadas por vários fatores, como paradas de manutenção, a adição limitada de capacidade e estoques reduzidos, bem como o aumento dos custos de cavacos de madeira.
Incertezas e Relutância dos Compradores
Entretanto, a guerra entre Estados Unidos e Irã elevou a incerteza, fazendo com que as negociações se deslocassem para riscos mais abrangentes e custos de insumos. Como resultado, os compradores se tornaram mais relutantes em aceitar aumentos significativos de preços. O analistas alertaram que o conflito pode ameaçar a demanda por papel e restringir a capacidade dos produtores de repassar custos mais altos de frete e insumos, o que pode deixar os fornecedores sob pressão em relação às margens, mesmo que os preços se mantenham estáveis.
Limitações no Poder de Precificação
A fraqueza da demanda por papel e o chamado "período mais fraco" do verão devem limitar o poder de precificação, apesar dos custos que sustentam os preços. Os analistas ressaltaram que a fibra longa está sendo pressionada por estoques elevados e uma demanda futura que se mostra fraca.
Revisão das Estimativas para Papel e Celulose
O JP Morgan agora projeta que o preço da fibra curta será de US$ 615 por tonelada no segundo trimestre de 2026, representando um aumento de 9% em comparação a janeiro, embora seja cerca de 3,5% inferior à média histórica. A previsão anterior era de US$ 580 por tonelada.
Considerações sobre Fibra Longa
Para os terceiros (3T26) e quartos trimestres (4T26) de 2026, a estimativa foi ajustada de US$ 570 para US$ 590 por tonelada. Os analistas afirmam que essas revisões para cima são impulsionadas principalmente pelos custos, que refletem aumentos nos preços dos cavacos de madeira e a crescente incerteza em relação ao frete e a outros insumos devido ao conflito em andamento.
Para a fibra longa, o banco fixou um preço médio de US$ 715 por tonelada no 2T26 e US$ 740 para os trimestres seguintes, refletindo spreads menores entre as fibras se comparado ao ano anterior. Em geral, a perspectiva para 2026 continua positiva, com um preço médio projetado de US$ 600 por tonelada, em decorrência de um ambiente de oferta favorável com menos adição de capacidade prevista.
Fonte: www.moneytimes.com.br


