Revisão das Projeções para Construtoras
A equipe de analistas do JP Morgan revisou suas previsões para as construtoras que estão listadas na bolsa. O banco rebaixou as recomendações de Cyrela (CYRE3) e Eztec (EZTC3), passando de compra para neutro. Os novos preços-alvo estabelecidos são de R$ 35,50 para a Cyrela e R$ 20 para a Eztec.
O banco norte-americano recomenda uma postura mais cautelosa, considerando a taxa Selic ainda elevada, e prioriza incorporadoras que estão focadas na habitação popular. Essa escolha é justificada pela resiliência do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV).
Os analistas acreditam que a persistência de juros altos e a deterioração do cenário macroeconômico devem exercer pressão sobre o desempenho das construtoras de média e alta renda no curto prazo.
Neste cenário de rebaixamento, as ações da CYRE3 foram as que sofreram as maiores perdas no Ibovespa na quinta-feira, dia 2, apresentando um recuo superior a 4%, com cotações em R$ 27,35. Já as ações da EZTC3 caíram 1,27%, fechando a R$ 14,06. Isso ainda representa um potencial de valorização de aproximadamente 30% e 42%, respectivamente, para cada uma das ações mencionadas.
Impacto em Lançamentos e Vendas
No que diz respeito à Cyrela, o banco JP Morgan aponta que essa revisão se deve às incertezas macroeconômicas, que podem causar efeitos negativos nas expectativas de lançamentos e na velocidade de vendas no primeiro semestre deste ano.
Sobre a Eztec, a avaliação sugere que a incorporadora pode encontrar dificuldades adicionais na comercialização de seus estoques. Isso se deve, em parte, ao ambiente de juros elevados e a possíveis pressões regulatórias, especialmente na cidade de São Paulo.
Entretanto, o banco ressalta que o desempenho das ações ainda poderá ser influenciado de maneira positiva por fatores externos, como o fluxo de notícias mais favorável ao mercado em meio às próximas eleições presidenciais no Brasil.
A Preferência do JP Morgan
Diante desse cenário, o JP Morgan mantém a Tenda (TEND3) como sua principal escolha (top pick), apresentando uma recomendação overweight, o que corresponde à opção de compra. O preço-alvo para a Tenda foi fixado em R$ 46, o que indica um potencial de valorização de 48% em relação à cotação atual, que se encontra em R$ 31,15.
Os analistas destacam que a Tenda combina uma forte exposição ao MCMV com um valuation atrativo, apresentando um múltiplo preço/lucro (P/L) estimado para 2026 de 6,3 vezes, abaixo dos seus pares, que estão negociando entre 6,9 e 9 vezes.
O JP Morgan menciona que a Tenda continua sendo a escolha primária devido ao seu elevado potencial de alta no mercado de ações, além da possibilidade de que suas previsões de lucro líquido sejam revisadas para cima. Essas projeções estão atualmente entre R$ 520 milhões e R$ 600 milhões, como resultado de melhorias no MCMV.
A instituição também destaca a potencial recuperação da Alea, uma subsidiária de construção modular que, até o momento, é percebida como deficitária por parte do mercado, não refletindo os avanços operacionais que eventualmente possam ocorrer.
Outras Construtoras
O JP Morgan mantém uma visão otimista sobre a MRV (MRVE3), mantendo a recomendação de compra para as suas ações, com um preço-alvo de R$ 11. Essa avaliação sugere um potencial de valorização de 38%.
Os analistas acreditam que a MRV deve demonstrar uma forte geração de caixa livre em 2026, apoiada por uma recuperação operacional, melhorias nos resultados recorrentes e uma redução nos riscos associados à operação nos Estados Unidos, com cerca de 30% do plano de desinvestimento da subsidiária Resia já implementados.
Além disso, destaca-se que as ações da MRV apresentam o menor múltiplo P/L projetado para 2027, entre as empresas acompanhadas pelo banco, estimado em cerca de 4 vezes.
Cury e Direcional
No que se refere a Cury (CURY3) e Direcional (DIRR3), o JP Morgan mantém uma recomendação neutra, com preços-alvo estabelecidos em R$ 47,50 e R$ 18,50, respectivamente. Essas metas indicam potenciais de valorização de 32% e 39%.
Para a Direcional, essa avaliação é fundamentada, principalmente, na comparação relativa com as outras empresas do setor e na observação de que os resultados finais ficaram abaixo das expectativas no quarto trimestre de 2025, impactados por efeitos financeiros adversos e pela participação de acionistas minoritários.
Em relação à Cury, mesmo diante de revisões positivas nas estimativas, a recomendação neutra se deve ao menor potencial de alta e aos riscos operacionais, como as dificuldades em aprovações para projetos na cidade de São Paulo. Contudo, observa-se que a empresa deve proporcionar um dos maiores dividend yields do setor para 2026, com uma estimativa em torno de 7%.
Pontos de Atenção
Apesar da preferência do JP Morgan pelo segmento de baixa renda, o banco alerta para riscos adicionais que podem vir a impactar o setor. Entre esses riscos estão a inflação nos custos de construção, que pode pressionar as margens de lucro, e a limitação no repasse de preços, especialmente no contexto do MCMV.
Não obstante, o banco avalia que o setor de construção pode potencialmente desbloquear valor ao longo do tempo, apresentando uma chance significativa de valorização em um cenário de redução de juros e maior visibilidade econômica.
Fonte: www.moneytimes.com.br