Expectativas Eleitorais e Impacto nos Juros Futuros
Cenário Atual
Recentemente, a percepção de que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pode ser o candidato da direita nas eleições presidenciais de 2026 está trazendo repercussões significativas. A possibilidade de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, entrar na disputa presidencial parece cada vez mais improvável. Este contexto resultou em uma alta acentuada nos juros futuros durante o pregão de quarta-feira (17).
Preocupações Econômicas
As inquietações em torno do quadro fiscal também influenciam essa dinâmica. O mercado acredita que um eventual novo governo liderado por Lula adotaria uma política de gastos mais expansionista. Em contrapartida, a expectativa é de que Tarcísio implementasse um ajuste nas contas públicas. Esse ambiente gerou uma elevação nos juros em diversos segmentos da curva, especialmente nos vértices intermediários e longos, que alcançaram seus níveis mais altos desde outubro.
Movimentação dos Juros
Na parte curta da curva, o aumento foi registrado, mas em menor intensidade. Este movimento ainda demonstra o tom conservador expresso na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Além disso, a falta de sinalizações claras sobre o início de um ciclo de cortes nas taxas de juros tem reduzido as apostas em uma possível redução para janeiro.
Taxas de Juros
Após o fechamento do mercado, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro subiu de 13,672% para 13,815%. Os DIs para janeiro de 2029 aumentaram de 13,099% para 13,330%, atingindo o maior fechamento desde 14 de outubro. Já o DI para janeiro de 2031 teve uma elevação de 13,386% para 13,635%, também o nível mais alto desde 14 de outubro. Durante o mesmo período, a curva dos Treasuries teve uma leve abertura, mas o cenário externo foi ofuscado pelas tensões associadas ao quadro político local.
Análise de Pesquisas
O mercado financeiro, ainda absorvendo as informações da pesquisa Genial/Quaest divulgada na terça-feira, nota que Flávio Bolsonaro tem se mostrado à frente de Tarcísio entre os eleitores que se opõem ao presidente Lula. No final da tarde da mesma quarta-feira, Flávio afirmou que se reuniu com empresários na Faria Lima na última sexta-feira (12), com o objetivo de demonstrar que sua candidatura é "viável" e também para "acalmar animosidades" relacionadas a Tarcísio. Na noite anterior, Flávio reafirmou que sua participação nas eleições é "irreversível".
Expectativas dos Investidores
Diante da falta de mudanças concretas, mas avaliando as sinalizações políticas dos dois lados, o pessimismo entre os investidores tem crescido. Eles expressam preocupações com a aparente resistência do senador em abandonar sua candidatura, ao mesmo tempo em que percebem uma diminuição do apoio a Tarcísio. Esse cenário resultou na elevação dos prêmios de risco incorporados às taxas futuras. O governador Tarcísio é visto por muitos como o candidato com maior competitividade contra Lula e considerado mais inclinado a equilibrar a política fiscal em 2027.
Projeções para a Política Monetária
Carla Argenta, economista-chefe da CM Capital Markets, destaca que o mercado está se tornando cada vez mais sensível às próximas eleições. Ela menciona não apenas a pesquisa divulgada, mas um conjunto de fatores que leva os investidores a considerar que Tarcísio poderá não ser o candidato da oposição. Esse cenário está impulsionando a curva de juros longos, uma vez que o mercado prevê uma probabilidade maior de um "governo Lula 4". Argenta observa que as movimentações políticas estão incidindo sobre a pressão dos juros.
A economista argumenta que os dados provenientes de diferentes pesquisas fortalecem a ideia de que os investidores não estão consolidadas com a possibilidade de uma candidatura de Tarcísio. "É uma combinação de informações, rumores e mudanças na percepção dos agentes envolvidos", ressalta Argenta, mencionando que o próprio Tarcísio ainda não anunciou oficialmente sua intenção de concorrer à presidência.
Futuro da Selic
Carla Argenta também reforça que a instabilidade política alimenta a expectativa de que a Selic não sofra cortes na primeira reunião de 2026 do Copom, mas apenas em março. "Precisaremos observar se o Relatório de Política Monetária (RPM) traz alguma alteração nas expectativas do Banco Central, mas até o momento, não parece que haverá cortes a partir de janeiro", comentou.
Em uma revisão de suas projeções divulgada na quarta-feira, o PicPay ajustou suas estimativas para a Selic ao final do próximo ano, reduzindo-a de 12,5% para 12%. No entanto, a instituição também descarta a possibilidade de flexibilização em janeiro. O corte na Selic deve ser realizado em março, dependendo, entre outros fatores, da consolidação da desaceleração da atividade econômica, da continuidade da redução dos núcleos de inflação e da ausência de novos choques adversos.
Fonte: www.cnnbrasil.com.br


