Expectativas para a Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida
A Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida (MCMV) deve começar a apresentar resultados mais significativos em 2026, após um período de adaptação do mercado, segundo a avaliação de Priscilla Ciolli, presidente da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
Na perspectiva da executiva, a implementação deste novo nível foi uma medida positiva, mas incorporadoras, construtoras e instituições financeiras não estavam adequadamente preparadas para atuar nesse segmento. “A Faixa 4 é uma boa iniciativa, mas o mercado não estava preparado. Houve dúvidas sobre limite de renda, metragem e perfil dos empreendimentos. Ao longo de 2025, o setor começou a se estruturar para operar este programa”, afirmou Ciolli durante uma coletiva de imprensa realizada em São Paulo.
A presidente da Abecip destacou que a principal meta da Faixa 4 é atender à média renda, um setor que foi fortemente impactado nos últimos meses pela elevação da taxa de juros. “Esse foi o mercado [classe média] que mais sentiu os efeitos em 2025. Por isso, acredito que vamos observar números diferentes em 2026, tanto em relação aos empreendimentos lançados para a Faixa 4 quanto na atuação das instituições financeiras”, comentou Ciolli.
Efeitos do Emprego e Taxa de Juros no Setor Imobiliário
De acordo com Ciolli, na indústria imobiliária, os efeitos das taxas de juros elevadas se manifestam de maneira diferenciada. “Quando falamos da baixa renda, não observamos esse movimento [negativo], pois os programas habitacionais oferecem subsídios significativos. As taxas estão abaixo de 10%. Por outro lado, na alta renda, os juros altos não geram um impacto significativo. Assim, a principal preocupação está na média renda, que acaba postergando a compra de um imóvel”, observou.
Ela ainda acrescentou que a melhoria nos indicadores de emprego e massa salarial ajudou a suavizar os efeitos da Selic restritiva, embora esse apoio não tenha sido suficiente. “O cenário poderia ser pior se não tivéssemos esses indicadores positivos. Eles ajudam na capacidade de compra. Contudo, a média renda ainda enfrenta dificuldades ao considerar a taxa de juros e o valor das parcelas, que se tornam inviáveis”, explicou.
“Se estivermos em um ambiente mais complicado em relação ao pleno emprego, teríamos dados muito diferentes sobre pagamentos, distratos, atrasos e inadimplência, os quais não foram observados nesta situação”, acrescentou.
Isenção do Imposto de Renda e Seu Impacto
Durante a coletiva, o diretor executivo da Abecip, Filipe Pontual, comentou que a nova isenção do Imposto de Renda para aqueles que recebem até R$ 5 mil, que entrou em vigor em 1° de janeiro, pode ter um efeito positivo sobre o crédito imobiliário, especialmente nas faixas iniciais do MCMV.
“Esse público está essencialmente concentrado nas faixas 2 e 3. Com um pouco mais de renda disponível, pode haver uma sobra maior para atender aos pagamentos, ainda mais considerando que os juros do Minha Casa, Minha Vida são bastante baixos”, afirmou Pontual.
O executivo indicou que, embora a mensuração desse impacto seja desafiadora, a combinação de mais recursos disponíveis e uma inflação em baixa, especialmente em relação aos alimentos, pode melhorar a percepção das famílias sobre sua capacidade de pagamento.
Fonte: www.moneytimes.com.br