Vértices curtos e longos da curva de juros recuam
Durante um pregão caracterizado por uma menor inclinação e um alívio moderado nas taxas, os juros futuros encerraram a sessão na segunda-feira, 15 de dezembro, em queda ao longo de praticamente toda a curva de juros. Esse movimento refletiu um mercado mais cauteloso, que se mostrava disposto a reduzir prêmios após uma semana de forte volatilidade. O sentimento predominante foi de ajuste técnico, com investidores reavaliando riscos fiscais e aguardando novos sinais da política monetária.
Vértices da curva de juros com maiores quedas
O pregão foi amplamente dominado por quedas, especialmente nos vértices intermediários e longos da curva. As quedas mais acentuadas ocorreram nos contratos com vencimento em janeiro de 2032 (BMF:DI1F32), janeiro de 2033 (BMF:DI1F33), janeiro de 2034 (BMF:DI1F34) e janeiro de 2035 (BMF:DI1F35) — todos apresentando uma redução de -0,56%, encerrando o dia com taxas finais de 13,345%, 13,375%, 13,38% e 13,365%, respectivamente.
Nos vértices intermediários, o contrato com vencimento em janeiro de 2031 (BMF:DI1F31) teve uma queda de -0,45%, fechando a 13,255%, enquanto o janeiro de 2030 (BMF:DI1F30) caiu -0,34%, terminando o dia em 13,145%.
No curto prazo, o movimento foi mais contido: o contrato com vencimento em janeiro de 2026 (BMF:DI1F26) teve uma leve baixa de -0,01%, encerrando a 14,902%, enquanto o janeiro de 2027 (BMF:DI1F27) permaneceu estável em 13,635%.
Contratos mais negociados no curto e médio prazo
Os vértices mais líquidos do DI Futuro concentraram grande parte do volume negociado. O destaque ficou para os contratos com vencimento em janeiro de 2027 (BMF:DI1F27), que movimentaram um total de 430.998 contratos, seguidos pelos contratos de janeiro de 2028 (BMF:DI1F28), com 362.493 contratos, e aqueles com vencimento em janeiro de 2026 (BMF:DI1F26), que somaram 60.115 contratos.
Esses vencimentos são tradicionalmente os mais negociados da curva, pois refletem as expectativas de política monetária no horizonte relevante do Banco Central, além de servirem como referência para operações de hedge e marcação a mercado.
Contratos longos: sensibilidade ao risco fiscal domina o pregão
Nos vértices mais longos, que são os mais sensíveis ao ambiente fiscal e político, o volume de negociações também foi significativo. O contrato com vencimento em janeiro de 2031 (BMF:DI1F31) registrou 201.286 contratos negociados, enquanto o janeiro de 2035 (BMF:DI1F35) totalizou 54.578 contratos.
A queda acentuada nesses vencimentos sugere que o mercado aproveitou um alívio momentâneo para reduzir prêmios de risco. No entanto, a cautela permanece alta diante das incertezas relacionadas ao arcabouço fiscal e da trajetória das contas públicas.
Fatores que influenciaram o mercado de juros hoje
O movimento em baixa na curva de juros ocorreu em um ambiente ainda repleto de incertezas sobre o cenário fiscal brasileiro. Os investidores mantêm uma vigilância constante sobre a capacidade do governo de cumprir metas e controlar gastos em 2026, uma situação que afeta diretamente os vértices da curva de juros mais longos.
O Boletim Focus, divulgado nesta manhã, manteve a projeção da taxa Selic em 15% para o final de 2025, mas apresentou um leve aumento nas expectativas de inflação para os próximos anos. Esse ajuste pode pressionar a parte intermediária da curva, embora o pregão de hoje tenha demonstrado um alívio técnico após várias semanas de estresse.
No campo político, as incertezas relacionadas a possíveis mudanças nas regras de gastos e as articulações para as eleições de 2026 continuam a gerar volatilidade. A cautela foi ainda mais reforçada pela expectativa da divulgação da Ata do Copom, agendada para o dia seguinte, que deverá detalhar os motivos da manutenção da Selic e o tom para os próximos passos na política monetária.
Fonte: br.-.com