Juros futuros disparam com dados do Caged e expectativas em torno da política monetária

A Alta da Curva de Juros Futuros

A curva de juros futuros encerrou as negociações nesta quarta-feira, dia 29, com uma expressiva alta em todos os vencimentos, impulsionada por dados do mercado de trabalho e decisões relacionadas à política monetária que estavam em destaque.

Aumento nas Taxas de Depósito Interfinanceiro

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, que é de curtíssimo prazo, apresentou uma elevação de 9 pontos-base, fechando em 14,205%, em comparação a 14,115% do ajuste anterior.

Por sua vez, a taxa de DI para janeiro de 2029, referente ao médio prazo, terminou as negociações a 13,845%, contabilizando uma alta de 26 pontos-base em relação aos 13,580% do fechamento anterior.

A taxa de DI para janeiro de 2036, que é considerada de longo prazo, também registrou um aumento, fechando o dia em 13,820%, contra 13,600% do encerramento da última segunda-feira, dia 28, resultando em um avanço de 22 pontos-base.

Rendimentos dos Títulos do Tesouro Norte-Americano

Nos Estados Unidos, os rendimentos (yields) dos títulos do Tesouro, conhecidos como Treasuries, subiram. O yield do Treasury de dois anos, que é mais sensível a decisões de política monetária, terminou a sessão a 3,955%, atingindo a máxima intradia, em comparação a 3,844% do ajuste anterior, o que representa uma alta de 11 pontos-base.

O retorno do título de dez anos, que serve como referência global para decisões de investimento, também apresentou um aumento, subindo para 4,430%, em comparação a 4,354% do fechamento anterior.

Foco nas Decisões de Política Monetária

Os investidores dirigiram suas atenções para as deliberações sobre política monetária. O Comitê Federal do Mercado Aberto (Fomc) dos Estados Unidos decidiu manter os juros inalterados pela terceira vez consecutiva, na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. Esta decisão não foi unânime, já que Stephen Miran foi o único a votar pela redução de 0,25 ponto percentual.

Entretanto, o que despertou maior atenção no mercado foi a dissidência de outros três membros do Fomc: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan. Apesar de apoiarem a manutenção dos juros, não sinalizaram uma possível flexibilização monetária. Essa foi a dissidência mais significativa desde 1992.

No comunicado divulgado, o Fomc destacou que continuará monitorando as novas informações e suas implicações para as perspectivas econômicas, e acrescentou que "estará preparado para ajustar a postura da política monetária conforme apropriado, caso surjam riscos que possam impedir o alcance de seus objetivos".

Durante a coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, que tem mandato encerrando em maio, confirmou que continuará atuando como membro do Conselho do Banco Central dos Estados Unidos.

Expectativas para a Selic no Brasil

No Brasil, o mercado espera um novo corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que reduziria a taxa básica de juros de 14,75% para 14,50% ao ano. Essa decisão deverá ser tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

As ações relacionadas ao Copom que são negociadas na B3 precificavam uma probabilidade de 90,5% para essa redução de 25 pontos-base na reunião prevista para a próxima semana. Em contraste, a chance de uma redução maior, de 50 pontos-base, era de apenas 2,5%, segundo a atualização mais recente divulgada na última segunda-feira, dia 27.

Esse encontro será conduzido pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo, juntamente com os cinco diretores restantes. Vale destacar que o diretor de Administração, Rodrigo Teixeira, participará da reunião apesar de ter perdido um familiar próximo. Além disso, atualmente há duas cadeiras vacantes no Banco Central: as diretorias de Política Monetária e de Organização do Sistema Financeiro e Resolução, ambos com mandatos encerrados em janeiro.

Mercado de Trabalho Brasileiro

Os dados macroeconômicos recentes também impactaram o câmbio. O Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) reportou a criação de 228.208 novas vagas formais de trabalho no mês de março. Este resultado superou a expectativa de economistas, que previam uma criação líquida de 150.000 vagas, conforme pesquisa da Reuters.

De acordo com Antonio Ricciardi, economista do Daycoval, o resultado do Caged ainda reflete a dinâmica do mercado de trabalho que antecedeu as consequências do conflito em curso no Oriente Médio. Naquele momento, a economia brasileira enfrentava um cenário positivo, impulsionado pela isenção do imposto de renda e pela valorização do salário mínimo no início do ano.

Ricciardi ressaltou que, embora o dado seja positivo, é crucial considerar que o prolongamento do conflito no Oriente Médio e o consequente aumento dos preços do petróleo têm potencial para afetar a cadeia produtiva e os custos internos do Brasil. Ele comentou que a Selic, ao se manter em níveis mais altos do que projetado anteriormente, pode impactar a atividade econômica no futuro.

O economista ainda apontou que os dados apresentados indicam "alguma recuperação" do mercado de trabalho formal no Brasil. Informou que a média móvel trimestral agora ultrapassa as 100 mil novas vagas, um patamar que não era observado desde agosto do ano anterior.

Fonte: www.moneytimes.com.br

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