Juros futuros disparam em alta consistente após ata do Copom e tensões no Oriente Médio

A curva de juros futuros

A curva de juros futuros brasileira apresentou um aumento significativo nesta terça-feira, dia 24, com um avanço de quase 30 pontos-base nos vencimentos de médio e longo prazos. Esse movimento reflete a avaliação do mercado sobre novos cortes na Selic e a presença de sinais contraditórios relacionados ao conflito no Oriente Médio.

A taxa de Depósito Interfinanceiro (DIs) para janeiro de 2027, que é uma taxa de curtíssimo prazo, fechou próxima da estabilidade, marcando 14,160%, em comparação aos 14,150% do ajuste anterior. Durante o dia, a taxa chegou a atingir uma máxima de 14,300%, representando uma alta de 15 pontos-base.

No que diz respeito ao DI para janeiro de 2029, que é um vencimento de médio prazo, a taxa encerrou a sessão em 13,815%, superando os 13,721% do fechamento anterior. Durante a máxima intradia, o DI subiu até 14,030%, o que corresponde a uma alta de 26 pontos-base.

Quanto ao DI para janeiro de 2036, que abrange o longo prazo, a taxa finalizou o dia a 13,935%, comparado aos 13,880% registrados no fechamento do dia anterior, dia 23. Nesse caso, a taxa subiu 24 pontos-base, alcançando uma máxima de 14,125% durante a sessão.

Esse movimento de alta nos DIs também foi influenciado pelo cenário internacional. Nos Estados Unidos, os rendimentos dos títulos do Tesouro, conhecidos como Treasuries, também encerraram o dia em alta, em meio a incertezas quanto à duração da guerra no Oriente Médio e a pressão sobre os preços do petróleo, que voltaram a se aproximar do nível de US$ 100 por barril.

O yield do Treasury de dois anos, considerado mais sensível às políticas monetárias, fechou a 3,897%, em comparação aos 3,831% do ajuste anterior, apresentando uma alta de 6 pontos-base. O retorno do título de dez anos, que serve como referência global para decisões de investimento, subiu para 4,364%, ante os 4,336% do dia anterior.

Todos os olhos na Selic

As oscilações nas taxas de DIs são uma resposta direta à ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Na semana passada, o colegiado optou por um corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 14,75% ao ano.

A ata divulgada hoje destacou que a inflação ainda permanece acima do centro da meta, que é de 3,0% ao ano, embora esteja dentro da faixa aceitável, que varia entre 1,5% e 4,5% ao ano. O Comitê de Política Monetária reafirmou que a condução da política monetária tem contribuído para a recente desinflação dos preços.

Atualmente, o Banco Central acrescentou um novo fator em suas análises: além de monitorar as decisões de bancos centrais de outros países, o Copom está atento aos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, uma variável que tem impacto direto no preço do barril de petróleo e, por conseguinte, na inflação.

Especialistas observam que a ata emitiu um tom mais brando, ou dovish, indicando que o colegiado ainda não considera, nesse momento, interromper o plano de flexibilização monetária. Há até a possibilidade de cortes adicionais, mesmo com as incertezas geopolíticas e o aumento nos preços do petróleo.

“Apesar do documento indicar que há espaço para uma possível aceleração dos cortes, as expectativas de que os conflitos no Oriente Médio se prolonguem sustentam a ideia de que a flexibilização continuará em passos de 25 pontos-base”, comentou Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, em uma análise escrita.

Conflito no Irã

Em uma nova declaração, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, destacou que não houve negociações para o término da guerra no Oriente Médio com os Estados Unidos. Ele afirmou que a informação divulgada pelo presidente Donald Trump no início da semana era fake news, destinada a tranquilizar o mercado financeiro.

Anteriormente, no dia 23, Trump anunciou uma proposta de ‘trégua’ de cinco dias nos ataques à infraestrutura iraniana. Ele mencionou que, nas últimas 48 horas, Washington e Teerã tiveram conversas “muito boas e produtivas” a respeito de uma resolução total das hostilidades entre as partes na região.

No final da tarde de hoje, Trump comentou a jornalistas que os Estados Unidos estão dialogando com “as pessoas certas” no Irã para encerrar os conflitos, acrescentando que os iranianos estão ansiosos para chegar a um acordo.

Diante de sinais contraditórios, os preços do petróleo voltaram a ultrapassar a marca de US$ 100. Os contratos mais líquidos do petróleo Brent, que é a referência para o mercado internacional, fecharam com uma alta de 4,49%, atingindo US$ 100,23 por barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres.

Fonte: www.moneytimes.com.br

Related posts

Relatório ao Supremo revela que gastos com ‘penduricalhos’ no MP e Judiciário chegam a R$ 17 bilhões anuais.

Trump afirma que Irã se comprometeu a não desenvolver armas nucleares e negociações seguem em andamento.

Descubra os Vencedores do 4T25, Conforme Análise do BTG Pactual

Utilizamos cookies para melhorar sua experiência de navegação, personalizar conteúdo e analisar o tráfego do site. Ao continuar navegando em nosso site, você concorda com o uso de cookies conforme descrito em nossa Política de Privacidade. Você pode alterar suas preferências a qualquer momento nas configurações do seu navegador. Leia Mais